A mulher no mercado de trabalho (Maria Francisca Reis)

As mudanças constantes que moldam nossas vidas têm sua origem na maternidade, no jeito como fomos embalados no colo de nossas mães. Se recebermos carinho, nos tornamos pessoas equilibradas, sociáveis e audaciosas. Se recebermos descuido nos tornamos inseguros, agressivos, medrosos. Tudo está relacionado com a educação, e a natureza credita às mães o dom de ensinar.

Nem todas se dão conta disso. Razão da maioria dos professores serem mulheres. É instinto de preservar o lado bom do indivíduo que vem das mulheres.

E elas estão aí, a cada ano em número maior no mercado de trabalho. E que ironia, tirando oportunidades dos homens e legando a eles as suas responsabilidades com os filhos. E a sociedade muda. Para melhor ou para pior? A mudança de papéis está trazendo bons resultados? A mulher consegue substituir o homem e vice-versa?

Ambos tentam, e o resultado é impressionante, com uma sociedade mais violenta, insensível e desumana.

Na verdade as mudanças, que não são poucas e são profundas, afetaram a maneira como as pessoas se relacionam com o mercado e com a sociedade em geral e nem todos perceberam ou aceitaram essas mudanças.

Existe uma grande esperança de que num futuro tenhamos um país mais justo, pois a única área em que a mulher tem conseguido se destacar e receber o justo pelo seu trabalho é na área jurídica, onde a cada 10 juízes, sete já são mulheres. Por meio do concurso público a mulher tem conseguido o reconhecimento pelo seu esforço.

E a vida familiar? Você pode perguntar. Bem, o seu emprego, relacionamento amoroso, referências intelectuais e amizades dependem de sua capacidade de adaptar-se às novas rotinas ou não. O emprego é cada vez mais instável, mutável, contraditório e paradoxal. E para adaptar-se é preciso entender a evolução e desenvolvimento da sociedade, do mercado de trabalho. É exigido cada vez mais das mulheres, o conhecimento técnico, para que possam “substituir” os homens em suas funções e merecerem salários iguais.

A ansiedade para subir na carreira e, até mesmo, para manter seu emprego às vezes leva mulheres a aceitarem desafios maiores por salários menores. Esse é o maior pecado que cometem, pois se de fato se valorizassem não aceitariam determinadas condições que algumas empresas estabelecem e com essa atitude estariam valorizando todo seu talento empreendedor. Sim, porque empreendedorismo é nato nas mulheres que, desde pequenas, lá dentro do lar (imposto pelas educadoras mulheres), recebem o desafio de irem além de suas atividades escolares, também cuidando das atividades de administração do lar.

Em tempos de crise, de enxugamento, cargos estão sumindo nas empresas, o futuro do trabalho está sem futuro, as novas formas de prestação de serviços estão ameaçando a empregabilidade e as mulheres se apresentam como as mais criativas e as que melhor acompanham o ciclo de mudanças rápidas, profundas e consistentes. O fato de se desprender do próprio passado, do rótulo de “donas de casa” e aceitar a condição de trabalhar mais e melhor que os homens fez com que as mulheres conquistassem um espaço maior no mercado de trabalho.

É característico nas mulheres o instinto da organização, do planejamento. Este instinto de organização e planejamento tem como resultado o trabalho com maior produtividade. E produtividade é fruto do trabalho com qualidade e ambos obtém como resultado o que as empresas mais buscam: O LUCRO.

É preciso não esquecer a evolução tecnológica e buscar aperfeiçoamento para ocupar cargos mais importantes, que contribuam mais com a evolução da nova sociedade. Precisamos lembrar da responsabilidade social, das questões ambientais e a capacidade de viver e trabalhar em equipe e entender as mudanças como parte essencial da nova educação dos filhos, voltar a valorizar a família, para que tenhamos um futuro melhor.

Para isso é necessário que nós mulheres continuemos à frente de nossa época e nos lembremos constantemente de nossa principal função que é a de educadoras e saibamos transmitir este dom no ambiente empresarial. Assim estaremos de fato demonstrando um diferencial para as empresas, valorizando nossa participação no mercado de trabalho.

Maria Francisca Reis formação superior em Pedagogia e Técnico em Contabilidade, já atuou em diversas áreas de serviços, turismo e lazer. Atualmente esta desempenhando atividades profissionais no Hotel Coral Tower de Porto Alegre / RS na área de administração.

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2 Responses

  1. Gedale Majdenbaum Says:

    Excelente e pontual análise! De fato, segundo pesquisas, as mulheres têm se destacado na área empreendedora; é possível ponderar se devido somente a sua capacidade organizacional e de modificabilidade, ou se também devido à realidade histórica dos processos econômicos. Porém, independente de qual linha de raciocínio se analise essa questão, devido a seu talento nato na área da educação, as mulheres moldam, sem dúvida, homens e mulheres para o mercado de trabalho, assegurando através da estruturação de famílias saudáveis, os melhores estímulos e ensinamentos para qualificar e impulsionar emprendedores em todas áreas. Portanto, quem tem a capacidade de educar empreendedores, mais ainda tem de empreender com talento e sucesso! Parabéns Francisca pela profundidade do artigo e a todas mulheres por sua participação nos processos produtivos da vida!

  2. Maria Francisca Reis Says:

    Gedale.

    Obrigado pelas tuas gentis palavras.
    Como escreves bem!
    Continue visitando o site da Simples Soluções, pois sempre encontrarás materias interessantes.

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