A mulher no mercado de trabalho (Rosemare Moraes Maciel)

Senti-me extremamente lisonjeada ao ser solicitada para escrever este artigo por ter a oportunidade de expressar a minha visão sobre o assunto e refletir sobre a minha própria vida no mercado de trabalho.

Nos últimos cinqüenta anos um dos fatos mais marcantes ocorridos na sociedade brasileira foi a inserção crescente das mulheres na força de trabalho. Este contínuo crescimento da participação feminina é explicado por uma combinação de fatores econômicos e culturais. Primeiro, o avanço da industrialização transformou a estrutura produtiva, a continuidade do processo de urbanização e a queda das taxas de fecundidade, proporcionando um aumento das possibilidades das mulheres encontrarem postos de trabalho na sociedade. (Melo, mimeo/2003).

Hoje, muito diferente de alguns anos atrás, as mulheres conquistaram o seu espaço e o respeito de todos no mercado de trabalho. Atuo em uma empresa onde 80% da força de trabalho são femininas, talvez devido a característica da empresa: Prestar Serviço a Saúde, na qual o empenho do lado sentimental (mais presente nas mulheres) seja mais relevante ao do racional (característica mais masculina) pelo fato da necessidade da humanização do atendimento direto a pessoas com problemas de saúde e, conseqüentemente, mais sensíveis que o habitual. Hoje, em um mundo globalizado onde há necessidade de reações rápidas e profissionais polivalentes, as empresas buscam unir as habilidades de homens e mulheres para aumentar sua produtividade, reduzir perdas, otimizar o tempo despendido em cada tarefa etc.

Comprovado cientificamente que os homens possuem inteligência mais racional e lógica e que são mais fortes fisicamente que as mulheres, podemos perceber que ainda há uma predominância da atuação deles nas áreas de tecnologia da informação (TI), financeira e operacional. Enquanto que as mulheres são mais emocionais e voltadas para as áreas de humanas, destacando-se nas mesmas.

Contudo, ainda existem mulheres que aceitam funções sem remuneração adicional, pois sentem a necessidade de se fixarem e provarem sua capacidade na empresa. Muitas empresas procuram mulheres para ocupar cargos importantes pelo fato de serem polivalentes: são trabalhadoras fora de casa, são mães e ainda cuidam do lar. O cenário de hoje exige pessoas que consigam prestar atenção e fazer várias coisas ao mesmo tempo e ainda assim conseguir se atentar aos detalhes e se focar nas coisas realmente importantes. E o perfil feminino é o que mais se encaixa nesta descrição. Por outro lado, esta condição leva as mulheres a sofrerem mais de estresse, o que pode explicar o aumento das doenças do coração entre as mesmas.

Outro fator comprovado estatisticamente que favorece as mulheres é o seu maior interesse pelos estudos. A mulher é sem dúvida maioria nas salas de aula, inclusive em cursos “mais masculinos” como engenharia e agronomia, o que por ventura ocasiona melhorias salariais. No entanto, a sua inserção no mercado de trabalho ainda encontra resistências, tais como a equiparação dos salários para cargos iguais, as dificuldades em dividir as responsabilidades domésticas: criação e cuidados dos filhos, bem como a participação em suas vidas como ir a reuniões escolares, e a onerosidade que suas licenças e afastamentos (determinados por lei ou não) representam para a empresa. Neste ponto me sinto muito lisonjeada, pois se hoje estou no mercado de trabalho e penso que em posição de destaque, devo muito aos homens da minha vida: pai, esposo e filho. Pai por ter assimilado a evolução e me ajudado a estar inserida no mercado de trabalho desde muito cedo além do apoio aos estudos, marido por dividir as tarefas do lar e ajudar a dividir os horários e responsabilidade com nossa família e ao meu filho pela paciência e orgulho de ter uma mãe trabalhadora e competente. Isso talvez seja o maior desafio enfrentado pela mulher, trabalhar fora e superar o sentimento de culpa por deixar seus filhos muitas vezes com desconhecidas ou com outros familiares. Hoje vejo muitas colegas que já estão no mercado há muito tempo, procurando cargos que lhes dão maior flexibilidade de horário, para assim estarem mais presentes na educação dos filhos, valorizando o convívio familiar.

Perante todas estas situações, reflito se realmente queremos nos igualar aos homens, ou se o que queremos mesmo é poder estar mais presentes no convívio familiar e conciliar a vida profissional com a familiar.

Vejo ainda que para o mercado de trabalho é muito importante conciliarmos as diferenças nas características intelectuais de ambos os sexos para o total sucesso dos projetos das empresas e inclusive no governo, porém as mulheres precisam provar isso todos os dias. Outro desafio são os baixos salários, aceito por elas muitas vezes pelas condições de vida familiar (sem marido e com filho para sustentar) ou mesmo para poderem mostrar a sua competência e capacidade.

A mulher ainda faz parte da chamada minoria dentro do mercado de trabalho, de onde muitas vezes são excluídas juntamente com os executivos mais maduros, os portadores de deficiências e muitos dos iniciantes em busca de seu primeiro emprego. Seguem abaixo alguns dados extraídos de um texto do site www.administradores.com.br.

“África: Região com a maior pobreza no mundo. As mulheres não possuem outra opção a não ser trabalhar em lugares não muito dignos. Na África falta emprego até para o sexo masculino.

Oriente Médio: De um lado, a região Petrolífera (Estados de Golfo). Do outro, os conflitos entre Líbano e Palestina. Com esta conjuntura, a barreira que a mulher enfrenta para ingressar no mercado de trabalho é muito alta. Nesta região, a participação das mulheres é de 33,3% – a segunda menor do mundo.

América Latina: Em 2007 havia 67 mulheres ativas para cada 100 homens. Elas ocupam, principalmente, cargos nos setores de serviço.

Ásia: Oportunidade de emprego existe, mas faltam condições melhores de trabalho.

Europa: Comparando a outras regiões, a desigualdade é menor. Existem aproximadamente 80 mulheres trabalhando para cada 100 homens.

Apesar de tudo, há importantes avanços no papel das mulheres no mercado de trabalho. Mas ainda há muito o que fazer para conseguir essa igualdade. Cabe às mulheres demonstrar todo seu potencial e profissionalismo.”

Após esta análise podemos dizer que as perspectivas no mercado de trabalho são muito boas, pois estamos em constantes mudanças, nos adaptando facilmente a elas, temos um grande mercado para ganhar, sendo que hoje já estamos adentrando em profissões antes somente masculinas, como a área de mecânica, motorista e muitas outras já citadas por estudiosos do assunto. As mulheres hoje buscam muito o chamado ócio produtivo, podendo assim conciliar sucesso profissional e controle familiar.

Pesquisas revelam que hoje a mulher brasileira é prevalente nas pequenas e médias empresas, principalmente em cargos administrativos, já nas grandes empresas o sexo masculino ainda é predominante, porém com forte tendência a mudanças, visto que como citado acima as mulheres estão assumindo profissões antes vistas somente como masculinas, enfim “nós vamos dominar o mundo”, é claro que no bom sentido, somos e seremos sempre muito bem sucedidas junto aos homens empreendedores e com a mente muito aberta.

Rosemare Moraes Maciel – Atualmente é Gerente da Qualidade do Hospital Santa Rosa.

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