A mulher no mercado de trabalho (Simone dos Santos Lisboa)

Quando pensamos na trajetória traçada pelas mulheres no mercado de trabalho ao longo dos anos, é preciso lembrar que as primeiras a se aventurarem neste meio foram aquelas que, mais por necessidade do que por opção, tiveram que tomar a frente e assumir o sustento de suas famílias – ou porque seus maridos haviam ido para a guerra (tanto a primeira como a segunda guerra mundial) ou porque haviam retornado inválidos. Ou ainda eram aquelas que haviam ficado viúvas e, da mesma forma, precisavam garantir o pão de cada dia. Antes disso, as iniciativas empreendedoras por parte das mulheres eram bastante restritas, sendo que as que acabavam enviuvando tinham que se dedicar a costurar para fora, fazer doces ou salgados por encomenda ou dar aulas de piano, por exemplo.

Com a necessidade de saírem para trabalhar fora de casa, veio também a necessidade de se capacitarem para o desempenho de tarefas que nunca haviam realizado antes, bem como a necessidade de encontrarem uma solução para conciliarem a administração do lar, a educação dos filhos, o papel de esposa e o trabalho. Tudo isto fez com que o comportamento feminino mudasse significativamente, o mesmo se aplicando ao funcionamento familiar e isto foi abrindo espaço lentamente para que a mulher passasse a ocupar posições em segmentos cada vez mais diversificados, incluindo aqueles em que nem se concebia a presença feminina anteriormente, tais como as forças armadas.

As restrições e o preconceito enfrentados pelas mulheres têm diminuído consideravelmente, mas ainda são fatores impactantes no contexto do mercado de trabalho. Questões como a discrepância salarial entre homens e mulheres, restrições à contratação de mulheres por se considerar que têm menos disponibilidade de horários em função de terem de conciliar as suas atividades profissionais e a dedicação aos filhos são fatores que ainda pairam no ar quando se trata de empregar mulheres.

Para enfrentarem estes desafios e compensarem as restrições, o que se percebe é que as mulheres têm se preparado cada vez mais para ocuparem seu espaço no mercado de trabalho. Tanto em termos técnicos, estudando e obtendo a qualificação exigida para o desempenho das funções, quanto em termos familiares e emocionais, realizando um planejamento familiar e organizando-se de maneira a permitir a conciliação dos papéis de mãe, esposa, dona de casa e profissional competente.

Segundo dados do IBGE (2005), o grau de escolaridade das mulheres que são chefes de família aumentou, passando de uma média de 4,4 anos de instrução em 1967 para 5,6 anos de instrução em 2007. O número de filhos, por sua vez, caiu de uma média de 6,3 para 2,3 por mulher no mesmo período. Os dados salariais também demonstram avanços, sendo que no período de 1990 a 2000 subiram de uma média de R$365,00 para R$591,00. Curiosamente, o RS é o estado brasileiro é onde a discrepância salarial é a menor entre homens e mulheres no território nacional – apenas 14%, segundo dados do DIEESE (2009).

A realidade é que as mulheres estão literalmente “correndo atrás do prejuízo” e é uma questão de tempo para que alcancem definitivamente uma posição de igualdade perante os homens no mercado de trabalho. Elas estão chegando aos processos seletivos cada vez mais preparadas e com formação de qualidade. Os homens que se cuidem!

Simone dos Santos Lisboa – Bacharel em Adm. de Empresas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Especialista em Gestão Empresarial – Desenvolvimento de Competências Gerenciais (UFRGS), Formação Básica em Dinâmica dos Grupos pela SBDG (Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos); Formação em Consultoria Interna de Processos (ADIGO, SP), curso de Extensão em Elaboração e Gestão de Projetos Sociais Corporativos (UFRGS). Atuou como funcionária em instituições de porte como Consulado dos Estados Unidos da América, RBS, Claro, SEBRAE, GKN e Banco De Lage Landen. Como consultora, realizou trabalhos na Azaléia, Renner Sayerlack, STS, entre outras. Atualmente é Especialista de Recursos Humanos da Springer Carrier, com foco em Desenvolvimento de RH.

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