Mulheres e o mercado de trabalho (Janice Garcia Machado)

As mulheres são as “Maiores e Melhores”, embora profissionalmente isso ainda não seja reconhecido. Isso está bem longe de ser um discurso feminista ou uma chamada da “Revista Exame 2009”. Esse é o resultado da análise de vários estudos e estatísticas.

No mundo, o número de mulheres no mercado de trabalho é o maior da história (Organização Mundial do Trabalho, 2008), totalizando 1,2 bilhões de trabalhadoras. O novo século iniciou com as mulheres sendo a maioria da população do nosso país (51,31%) e tendo mais da metade delas trabalhando ou procurando trabalho (Fundação Carlos Chagas). A escolaridade média das mulheres ocupadas é maior do que a dos homens (7,3 anos para as mulheres e 6,3 anos para os homens). Além de serem as que mais ingressam no ensino médio (54%) e no ensino superior (56%), são também as que mais concluem seus estudos (58% no ensino médio e 56% no ensino superior). Elas só não são a maioria em Ciências, Computação e Agricultura e Veterinária, mas representam 75% das áreas de Educação e 72% da área de Artes e Humanidades, contrariando Friederich Hegel (filósofo e historiador alemão) que afirmou: “A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes.”

Hoje as mulheres estão integradas em todos os ramos profissionais, mesmo naqueles que, ainda há bem pouco tempo, apenas eram atribuídos aos homens, nomeadamente a intervenção em operações militares de alto risco (FABIAN, P.A; 2008). Pesquisas realizadas pela Catho Associados mostram que as mulheres já superaram os resultados obtidos pelos homens no mundo dos negócios. No Brasil, as mulheres são referencia no comando de franquias, gerando uma rentabilidade 28% maior do que os homens (Jornal Zero Hora, 05/03/2009). O número de mulheres em lugares diretivos é ainda diminuto, apesar de muitas delas demonstrarem excelentes qualidades para o seu desempenho (FABIAN, P.A; 2008). Elas também possuem maior estabilidade com suas equipes, são mais organizadas e detalhistas, e possuem mais facilidade que eles de adaptarem-se as estruturas, como vem se adaptando as diferentes situações, nos diferentes papéis que desempenham na sociedade (SHINYASHIKI,2006). Nesse caso, equivocou-se também, Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI) quando disse que: “As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.”

Embora as mulheres brasileiras tenham adquirido um maior nível de escolaridade, apresentem crescimentos anuais de participação no mercado de trabalho e na economia, maiores que a masculina, principalmente na região sul do Brasil e significativamente maiores na Região Metropolitana de Porto Alegre (site do DIEESE/Mulher 2009), o reconhecimento ainda está aquém. Em qualquer ocupação elas ganham menos que eles, e os rendimentos femininos, mesmo com jornada semanal de trabalho igual (40 a 44 horas), chegam a quase 60% a menos, comparadas a homens de mesma escolaridade (administradores.com.br). O Brasil é oficialmente o campeão, tendo a maior diferença salarial em relação aos homens no mundo todo: 34% (Jornal Zero Hora, 05/03/2009). Além de perceberem baixos salários, terem menos empregos a elas disponibilizados (obrigando-as a sujeitarem-se a postos de trabalhos vulneráveis – sem proteção social e direitos trabalhistas) e com mais obstáculos de acesso a cargos de chefia, exercendo dupla jornada de trabalho (no emprego e no lar), restando-lhe menor tempo disponível para a qualificação profissional, as mulheres ainda são vítimas de preconceitos (o da chamada “inferioridade” do sexo feminino em relação ao masculino) e abusos (como o assédio sexual no trabalho) que são reveladores do tratamento desigual a que estão sujeitas (Secretaria Especial de Política para as Mulheres).

Alheia a todas as dificuldades e falta de reconhecimento profissional, a mulher continua destacando-se na busca de crescimento e emancipação, superando o homem na maioria dos índices, e inclusive contornando habilmente o acúmulo de funções e a maternidade, que segundo as pesquisas atuais (IBGE e DIEESE) é considerado como seu principal obstáculo. E embora o mercado de trabalho seja considerado por alguns autores como patriarcal e machista, prefiro olhar para os resultados positivos alcançados pelas trabalhadoras desse Brasil e encerrar com a modernidade da reinvenção feita por Arnaldo Jabor: “O dito está envelhecido. Hoje eu diria que “na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher”. Parabéns a nós mulheres!

Agradecimentos pelas informações:

Professor Pablo Alejandro Fabian (UFRGS) – Relações Públicas – Consultor de Empresas – www.strunfero.blogspot.com

Professor Ilan Himerlfarb – Advogado – Ms. Ciências Sociais – Consultor de Empresas – www.observatorioantena.zip.net

Janice Garcia Machado Mestre em Ciência e Tecnologia Agroindustrial e especialista em implantação de normas de para a produção de alimentos seguros, atua a mais de doze anos como gestora dos processos de implantação de sistemas da qualidade. Pós- graduada em Biotecnologia Molecular atuou também na supervisão de processos biotecnológicos e como consultora técnica no Programa de Ecologia Molecular para o Uso Sustentado da Biodiversidade da Amazônia (Road Show Europa). Consultora em Implantação de Sistemas de Gestão pela Qualidade Total, NBR ISO 9000 e ISO 22000, bem como, as normas técnicas das Indústrias de Alimentos, Farmacêuticas e Médicas (APPCC e Boas Práticas de Fabricação). Avaliadora, Examinadora e Franqueada do PGQP de 1996 a 2007. Especialista em Liderança Avançada e Coaching Empresarial com formação na Organização Condor Blanco, Chile.

Para retornar ao post central “Dia Internacional da Mulher, mais do que comemorar, devemos refletir!”, clique neste link.

One Response

  1. janice Says:

    A mudança na expressão para mulheres na frente dos homens,não teria uma conotação preconceituosa invertida?

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