A partir desta post, teremos a oportunidade de ter a presença de Andres Lopes Lens com os seus artigos.
É engenheiro de alimentos, graduado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS e auditor pelas normas ISO 9001 e ISO 22000. Atua como consultor e instrutor em Sistemas de Gestão da Segurança Alimentar, com 6 anos de experiência em empresas de diversos portes e segmentos nos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Abaixo, segue o seu primeiro artigo:
Desmistificando as Boas Práticas de Fabricação no Segmento Alimentar – Parte 1
Não é novidade a necessidade da implantação das Boas Práticas de Fabricação (BPF) pelas indústrias de alimentos e, não só pelas indústrias, mas também pelas empresas que fazem parte da cadeia de produção alimentar, partindo da produção primária, passando pela indústria de embalagens, pela produção / beneficiamento dos alimentos em si, chegando às empresas que armazenam, como centros de distribuição (C.D.), empresas que se dedicam ao transporte e distribuição e finalmente aos serviços de alimentação, que se encarregam de preparar os alimentos que chegam à mesa do consumidor.
Ampliando nosso olhar, estendemos nosso olhar às indústrias que manipulam alimentos animais destinados à alimentação humana ou não, como por exemplo, cães, gatos, peixes e afins, nossos queridos animais domésticos.
Os prazos estipulados pelas inúmeras legislações dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde já estão expirados há algum tempo, porém, temos percebido, por nossa experiência, que a maioria das empresas se preocupa com esta necessidade, mais por imposição de clientes ou mercado que desejam atuar, que por cumprimento aos requisitos legais do segmento.
Há também, e não são poucos, os empresários que desconhecem as legislações do seu ramo de atuação e são pegos de surpresa quando fiscalizados pelos órgãos competentes.
O fato é que, cedo ou tarde ou, como diz um velho amigo, por amor ou pela dor, estas empresas terão que adequar-se às Boas Práticas de Fabricação (BPF), correndo o risco de ficarem fora do mercado.
Pois bem, surgiu a necessidade de implantar as BPFs, e agora, o que fazer?
O primeiro passo é conhecer a legislação que norteia as BPFs. Uma boa leitura ou releitura não faz mal a ninguém. Tudo bem concordo que pode não ser muito agradável, mas se faz necessário. Justifico a importância, destacando o fato de não ser pego de surpresa quando o consultor ou a equipe designada para a tarefa apresentar a lista de necessidades!
O próximo passo seria designar pessoas que tenham capacidade técnica para desenvolver o trabalho dentro da organização, no qual que trataremos mais adiante.
A leitura de legislações, artigos técnicos, conversas com fornecedores ou clientes fazem-se necessária para auxiliar a ampliar os horizontes sobre a importância do assunto que, mais que ser apenas uma questão de cumprimento aos requisitos legais, tem na sua essência a saúde e segurança do consumidor, tratando-se, portanto, de uma questão de saúde pública.
Vistas apenas como atendimento à legislação, as BPFs tornam-se monótonas e seus efeitos não aparecem dentro da empresa. As BPFs normalmente são vistas apenas, como um programa que deve ser implantado na produção, se encarada desta forma, seu aproveitamento e sucesso estão comprometidos, ao passo que, usada com inteligência, podemos aproveitar todo este esforço para:
- Implantar melhorias nos processos de apoio como recursos humanos à medida que precisamos melhorar o treinamento e estabelecer requisitos de contratação;
- No processo de aquisição pela necessidade de qualificar os fornecedores de matéria prima, embalagens e serviços;
- No processo de comercialização dada a necessidade de estabelecer formas que permitam a rastreabilidade do produto acabado;
- Dentro da produção, os impactos positivos passam pela otimização dos tempos para execução de tarefas pelo estabelecimento da forma correta a padronizada de executá-las, redução do desperdício de matéria-prima, insumos, embalagens e descarte dentre outros.
As BPFs são aplicáveis a qualquer nível de organização, não são e nem devem ser engessadas e, muito menos, barradas por desculpas baseadas na falta de recursos.
Ao longo dos próximos posts (clique aqui) pretendemos desmistificar as BPFs, trazendo uma visão sistêmica do como implanta-las dentro das organizações de modo a que se envolvam todos os processos das mesmas, fazendo com que saiamos das nossas “caixinhas técnicas” e possamos integrar os diversos processos das organizações. Trataremos da designação da equipe multidisciplinar, levantamento das necessidades para a implantação, treinamento dos colaboradores, estruturas de documentação, forma e linguagem dos procedimentos.
Até breve!
Andres Lopes Lens
E-mail: doandres@terra.com.br



