Desmistificando as Boas Práticas de Fabricação no Segmento Alimentar – Parte 3 (Por Andres Lopez Lens)

Dando continuidade ao post anterior (clique aqui), pois bem, temos, finalmente, um coordenador, responsável pela implantação das Boas Práticas de Fabricação. Cabe salientar que este profissional possui a responsabilidade e desta forma, precisa ter autoridade suficiente para exercer esta função, acreditamos ser de extrema valia saber transferir responsabilidade e autoridade, assunto muito pouco trabalhado nas organizações já que delegam-se inúmeras responsabilidades às pessoas sem repassar-lhes as devidas autoridades. Dilema complexo este, não?

Então, fechando o parêntese, voltemos ao assunto objeto deste texto, a formação da equipe multidisciplinar que auxiliará o coordenador nas etapas de implantação das Boas Práticas de Fabricação. Para termos sucesso na implementação, como já dissemos, precisamos ter o apoio da direção e é esta que deve, em conjunto com o coordenador, definir quais e quantos membros comporão a equipe de trabalho.

trabalho_em_equipe

Para definição de quantos indivíduos formarão a equipe é preciso levar em consideração a complexidade da organização. Podemos estabelecer um número mínimo de 3 e máximo de 7 integrantes, porém, no caso de micro-empresas, este número pode ser menor. Definido o número de integrantes, precisamos pensar nas características dos participantes, ou seja:

  • A primeira é COMPROMETIMENTO COM A QUALIDADE e logo, saberem trabalhar em grupo;
  • Serem críticos;
  • Terem profundos conhecimentos dos processos, e;
  • Terem bom relacionamento inter-pessoal e apresentarem características de liderança.

Esta equipe deve ser multidisciplinar, envolvendo representantes da produção, controle de qualidade, manutenção, vendas, compras, recursos humanos dentre outras. A multidisciplinaridade da equipe é importante para enriquecer o trabalho, diminuindo o tempo de busca de soluções e permitindo que os conceitos sejam difundidos por todos os setores da empresa, facilitando a implantação, atuando seus membros como multiplicadores. Desta forma, torna-se muito mais fácil o levantamento de questões importantes à correta implantação do programa, cumprindo o P, do ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir) de maneira mais efetiva.

A equipe deve estar alinhada e, para tanto, é necessário um treinamento de nivelamento, para que todos os membros tenham a real dimensão e extensão das Boas Práticas de Fabricação e quais os objetivos da empresa com a implantação desta ferramenta. Este treinamento pode ser ministrado pelo coordenador da implantação ou pelo consultor / assessor da empresa.

Realizado o treinamento, devemos programar a frequência das reuniões que a equipe fará. Sugerimos reuniões semanais, com duração de variável, conforme as etapas a serem seguidas. É de extrema importância avaliar corretamente a frequência e duração das reuniões para evitar que se perca o interesse da equipe em sua participação, fenômeno frequentemente observado nas organizações. Ainda, por mais que se tenhamos muitas atividades a realizar, precisemos da ajuda dos membros, é comum que estes encontrem desculpas para se atrasarem ou simplesmente não comparecerem, acabando que o coordenador se torna o conhecido como “Euquipe” e a mesma figurará apenas na descrição do manual do sistema de gestão da segurança dos alimentos ou de Boas Práticas de Fabricação.

Sabemos das dificuldades que todos encontramos no dia-dia de uma organização, porém, a implantação das Boas Práticas de Fabricação deve ser encarada como mais uma delas e as reuniões da equipe devem ser encaradas com a mesma importância que a maioria das atividades que temos. Cabe ao coordenador da equipe identificar o comprometimento dos membros e, caso perceba dificuldades para conduzir as reuniões por falta de quorum, comunicar imediatamente a alta direção e que esta, tome as medidas cabíveis, demonstrando seu comprometimento com o processo. Se o coordenador não tomar esta atitude, corre o risco de perder a equipe e, por consequência, maiores dificuldades para obter sucesso esperado pela empresa. Nunca é demais lembrar, que o coordenador é o responsável pelo programa, mas não pode “carregar o piano sozinho” e, além disso, serão cobrados os resultados do seu trabalho então, no nosso ponto de vista, deve sim informar a falta de comprometimento de seus colegas à direção sem ser considerado um “dedo-duro”.

Durante as reuniões da equipe devemos manter sempre o foco evitando torna-las momentos de descontração, fofocas e, ahhhhhh…o momento das lamentações e reclamações das condições de trabalhos e discussões inúteis e troca de acusações, estes últimos os mais observados. Durante as reuniões devemos discutir as tarefas solicitadas, buscar soluções e definir os responsáveis pela implantação destas. Podemos usar este tempo para descrever os documentos requeridos pelo programa, elaborar tabelas e planilhas de controle e afins.

Na semana que vêm continuaremos esta nossa “jornada”!

Até breve!

Andres Lopez Lens

E-mail: doandres@terra.com.br

Leave a Comment

Please note: Comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.