Guia ISO 22000 2005 - APCERDando continuidade ao post anterior no qual informamos sobre o guia interpretativo dos requisitos da ISO 9001:2008 elaborado pela APCERAssociação Portuguesa de Certificação gostaria de informar sobre a existência, também do guia interpretativo da ISO 22000:2005.

Clique aqui e acesse o referido guia.

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Dando continuidade ao post anterior (clique aqui), pois bem, temos, finalmente, um coordenador, responsável pela implantação das Boas Práticas de Fabricação. Cabe salientar que este profissional possui a responsabilidade e desta forma, precisa ter autoridade suficiente para exercer esta função, acreditamos ser de extrema valia saber transferir responsabilidade e autoridade, assunto muito pouco trabalhado nas organizações já que delegam-se inúmeras responsabilidades às pessoas sem repassar-lhes as devidas autoridades. Dilema complexo este, não?

Então, fechando o parêntese, voltemos ao assunto objeto deste texto, a formação da equipe multidisciplinar que auxiliará o coordenador nas etapas de implantação das Boas Práticas de Fabricação. Para termos sucesso na implementação, como já dissemos, precisamos ter o apoio da direção e é esta que deve, em conjunto com o coordenador, definir quais e quantos membros comporão a equipe de trabalho.

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Para definição de quantos indivíduos formarão a equipe é preciso levar em consideração a complexidade da organização. Podemos estabelecer um número mínimo de 3 e máximo de 7 integrantes, porém, no caso de micro-empresas, este número pode ser menor. Definido o número de integrantes, precisamos pensar nas características dos participantes, ou seja:

  • A primeira é COMPROMETIMENTO COM A QUALIDADE e logo, saberem trabalhar em grupo;
  • Serem críticos;
  • Terem profundos conhecimentos dos processos, e;
  • Terem bom relacionamento inter-pessoal e apresentarem características de liderança.

Esta equipe deve ser multidisciplinar, envolvendo representantes da produção, controle de qualidade, manutenção, vendas, compras, recursos humanos dentre outras. A multidisciplinaridade da equipe é importante para enriquecer o trabalho, diminuindo o tempo de busca de soluções e permitindo que os conceitos sejam difundidos por todos os setores da empresa, facilitando a implantação, atuando seus membros como multiplicadores. Desta forma, torna-se muito mais fácil o levantamento de questões importantes à correta implantação do programa, cumprindo o P, do ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir) de maneira mais efetiva.

A equipe deve estar alinhada e, para tanto, é necessário um treinamento de nivelamento, para que todos os membros tenham a real dimensão e extensão das Boas Práticas de Fabricação e quais os objetivos da empresa com a implantação desta ferramenta. Este treinamento pode ser ministrado pelo coordenador da implantação ou pelo consultor / assessor da empresa.

Realizado o treinamento, devemos programar a frequência das reuniões que a equipe fará. Sugerimos reuniões semanais, com duração de variável, conforme as etapas a serem seguidas. É de extrema importância avaliar corretamente a frequência e duração das reuniões para evitar que se perca o interesse da equipe em sua participação, fenômeno frequentemente observado nas organizações. Ainda, por mais que se tenhamos muitas atividades a realizar, precisemos da ajuda dos membros, é comum que estes encontrem desculpas para se atrasarem ou simplesmente não comparecerem, acabando que o coordenador se torna o conhecido como “Euquipe” e a mesma figurará apenas na descrição do manual do sistema de gestão da segurança dos alimentos ou de Boas Práticas de Fabricação.

Sabemos das dificuldades que todos encontramos no dia-dia de uma organização, porém, a implantação das Boas Práticas de Fabricação deve ser encarada como mais uma delas e as reuniões da equipe devem ser encaradas com a mesma importância que a maioria das atividades que temos. Cabe ao coordenador da equipe identificar o comprometimento dos membros e, caso perceba dificuldades para conduzir as reuniões por falta de quorum, comunicar imediatamente a alta direção e que esta, tome as medidas cabíveis, demonstrando seu comprometimento com o processo. Se o coordenador não tomar esta atitude, corre o risco de perder a equipe e, por consequência, maiores dificuldades para obter sucesso esperado pela empresa. Nunca é demais lembrar, que o coordenador é o responsável pelo programa, mas não pode “carregar o piano sozinho” e, além disso, serão cobrados os resultados do seu trabalho então, no nosso ponto de vista, deve sim informar a falta de comprometimento de seus colegas à direção sem ser considerado um “dedo-duro”.

Durante as reuniões da equipe devemos manter sempre o foco evitando torna-las momentos de descontração, fofocas e, ahhhhhh…o momento das lamentações e reclamações das condições de trabalhos e discussões inúteis e troca de acusações, estes últimos os mais observados. Durante as reuniões devemos discutir as tarefas solicitadas, buscar soluções e definir os responsáveis pela implantação destas. Podemos usar este tempo para descrever os documentos requeridos pelo programa, elaborar tabelas e planilhas de controle e afins.

Na semana que vêm continuaremos esta nossa “jornada”!

Até breve!

Andres Lopez Lens

E-mail: doandres@terra.com.br

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Dando continuidade ao post anterior (clique aqui), ao nos defrontarmos com as legislações, surge uma série de questionamentos referente aos motivos pelos quais devemos atender àqueles requisitos. Muito cuidado aqui, não nos cabe discutir a lei e sim cumpri-la da melhor forma possível. Cabe salientar que sugestões podem ser feitas nos momentos de consulta pública, propiciados pelos órgãos antes da publicação oficial. Outro motivo para estarmos atentos às legislações, pois das mudanças por vezes propostas, podem gerar um impacto econômico no seu negócio.

Pois bem, você, gestor da empresa, tomou a decisão de implantar as Boas Práticas de Fabricação e, sua formação profissional o habilita para tanto ou se interando do assunto, julgou ter capacidade de fazê-lo. Há uma grande possibilidade de que consiga, mas devo alertar que, sendo o gestor da empresa, é mais proveitoso que fique como apoio à implantação. Desta forma você será extremamente útil, ao passo que se colocando como responsável pelo processo de adequação, sem querer, pode iniciar uma resistência interna e ainda, devido a você ser o “cabeça” da empresa, vai faltar tempo, tendo alta probabilidade de não dar certo e, desta forma, tornar a obrigatória segunda tentativa um fracasso ou, na melhor das hipóteses alcançar sucesso depois de realizar um grande esforço pela necessidade de quebra de modelos mentais criados dentro da organização. Diante disto, o quê fazer?

Sugiro a designação de uma pessoa de confiança, que além do conhecimento técnico precisa ser:

  1. Treinado em implantação de sistemas de qualidade;
  2. Comprometido com os objetivos da organização com a implantação das Boas Práticas de Fabricação e não somente com seus objetivos profissionais ou pessoais;
  3. Capaz de fazer uma leitura sistêmica dos processos de apoio às Boas Práticas de Fabricação para que consiga sustentação interna para o sucesso;
  4. Líder e saber delegar atividades, de modo que consiga fazer da implantação uma causa de todos os colaboradores;
  5. Um bom ouvinte, possibilitando aos mais experientes, conhecedores dos processos, que exponham suas idéias e, as mais importantes, e;
  6. Paciente e focado.

Poderíamos ainda numerar algumas outras, porém, não queremos a tarefa de designar a pessoa responsável, um problema, pois deve ser o início de uma solução.

Este coordenador, será o responsável por reunir todas as informações e necessidades da organização para a implementação, desde as adequações na estrutura física externa e interna, facilidades, capacitação de colaboradores do processo produtivo e processo de apoio, processo de fabricação, layout, chegando à definição da estrutura de documentação adequada ao grau de maturidade da empresa.

É de extrema importância que, como dissemos antes, seja de confiança e para tanto, sua ligação deve ser direta com o gestor da empresa, ou como se costuma dizer, a Alta direção. Isto fará com que se evitem ou, seja mais fácil, passar por obstáculos impostos por gerentes financeiros, de produção dentre outros, que, em muitos casos, não conseguem visualizar o investimento em Boas Práticas de Fabricação como benéfico à empresa ou porque simplesmente os tira de sua zona de conforto.

trabalho_em_equipe2O contato direto com a Alta direção mantém o comprometimento da mesma e torna-se uma via de mão dupla, favorecendo o andamento do plano de ação aprovado a partir do diagnóstico inicial. Trataremos deste diagnóstico nos próximos artigos. Sugerimos que a Alta direção da empresa, em conjunto com o coordenador da implantação desenvolva um modo de divulgar o novo desafio aos colaboradores, enfatizando a importância das boas práticas para a sobrevivência da empresa.

Esta divulgação deve ser obrigatoriamente ser realizada formalmente, por uma reunião com TODOS os colaboradores, por exemplo, criando um ambiente favorável e aberto, trazendo vídeos com depoimentos de colaboradores de outras empresas, textos ou reportagens que demonstrem que os benefícios com a implantação atingem a todos em vários aspectos.

Bem, para esta semana, acreditamos ter atingido nosso objetivo. Na próxima semana, comentaremos sobre a formação da equipe de trabalho para o levantamento de necessidades e elaboração do plano de trabalho.

Até breve!

Andres Lopez Lens

E-mail: doandres@terra.com.br

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A partir desta post, teremos a oportunidade de ter a presença de Andres Lopes Lens com os seus artigos.

É engenheiro de alimentos, graduado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS e auditor pelas normas ISO 9001 e ISO 22000. Atua como consultor e instrutor em Sistemas de Gestão da Segurança Alimentar, com 6 anos de experiência em empresas de diversos portes e segmentos nos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Abaixo, segue o seu primeiro artigo:

Desmistificando as Boas Práticas de Fabricação no Segmento Alimentar – Parte 1

seguranca_alimentar_tecnoloNão é novidade a necessidade da implantação das Boas Práticas de Fabricação (BPF) pelas indústrias de alimentos e, não só pelas indústrias, mas também pelas empresas que fazem parte da cadeia de produção alimentar, partindo da produção primária, passando pela indústria de embalagens, pela produção / beneficiamento dos alimentos em si, chegando às empresas que armazenam, como centros de distribuição (C.D.), empresas que se dedicam ao transporte e distribuição e finalmente aos serviços de alimentação, que se encarregam de preparar os alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Ampliando nosso olhar, estendemos nosso olhar às indústrias que manipulam alimentos animais destinados à alimentação humana ou não, como por exemplo, cães, gatos, peixes e afins, nossos queridos animais domésticos.

Os prazos estipulados pelas inúmeras legislações dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde já estão expirados há algum tempo, porém, temos percebido, por nossa experiência, que a maioria das empresas se preocupa com esta necessidade, mais por imposição de clientes ou mercado que desejam atuar, que por cumprimento aos requisitos legais do segmento.

Há também, e não são poucos, os empresários que desconhecem as legislações do seu ramo de atuação e são pegos de surpresa quando fiscalizados pelos órgãos competentes.

O fato é que, cedo ou tarde ou, como diz um velho amigo, por amor ou pela dor, estas empresas terão que adequar-se às Boas Práticas de Fabricação (BPF), correndo o risco de ficarem fora do mercado.

Pois bem, surgiu a necessidade de implantar as BPFs, e agora, o que fazer?

O primeiro passo é conhecer a legislação que norteia as BPFs. Uma boa leitura ou releitura não faz mal a ninguém. Tudo bem concordo que pode não ser muito agradável, mas se faz necessário. Justifico a importância, destacando o fato de não ser pego de surpresa quando o consultor ou a equipe designada para a tarefa apresentar a lista de necessidades!

O próximo passo seria designar pessoas que tenham capacidade técnica para desenvolver o trabalho dentro da organização, no qual que trataremos mais adiante.

A leitura de legislações, artigos técnicos, conversas com fornecedores ou clientes fazem-se necessária para auxiliar a ampliar os horizontes sobre a importância do assunto que, mais que ser apenas uma questão de cumprimento aos requisitos legais, tem na sua essência a saúde e segurança do consumidor, tratando-se, portanto, de uma questão de saúde pública.

Vistas apenas como atendimento à legislação, as BPFs tornam-se monótonas e seus efeitos não aparecem dentro da empresa. As BPFs normalmente são vistas apenas, como um programa que deve ser implantado na produção, se encarada desta forma, seu aproveitamento e sucesso estão comprometidos, ao passo que, usada com inteligência, podemos aproveitar todo este esforço para:

  • Implantar melhorias nos processos de apoio como recursos humanos à medida que precisamos melhorar o treinamento e estabelecer requisitos de contratação;
  • No processo de aquisição pela necessidade de qualificar os fornecedores de matéria prima, embalagens e serviços;
  • No processo de comercialização dada a necessidade de estabelecer formas que permitam a rastreabilidade do produto acabado;
  • Dentro da produção, os impactos positivos passam pela otimização dos tempos para execução de tarefas pelo estabelecimento da forma correta a padronizada de executá-las, redução do desperdício de matéria-prima, insumos, embalagens e descarte dentre outros.

As BPFs são aplicáveis a qualquer nível de organização, não são e nem devem ser engessadas e, muito menos, barradas por desculpas baseadas na falta de recursos.

Ao longo dos próximos posts (clique aqui) pretendemos desmistificar as BPFs, trazendo uma visão sistêmica do como implanta-las dentro das organizações de modo a que se envolvam todos os processos das mesmas, fazendo com que saiamos das nossas “caixinhas técnicas” e possamos integrar os diversos processos das organizações. Trataremos da designação da equipe multidisciplinar, levantamento das necessidades para a implantação, treinamento dos colaboradores, estruturas de documentação, forma e linguagem dos procedimentos.

Até breve!

Andres Lopes Lens

E-mail: doandres@terra.com.br

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