
Recentemente, recebi da Sra. Hélia Gecy Sebben (h.sebben@hotmail.com), consultora em Gestão Financeira, um excelente artigo sobre a importância de controlarmos as nossas finanças pessoais.
Amanha, publicaremos alguns exemplos de planilhas de controles, pra que possam utilizar em seus controles de orçamentos.
Segue abaixo o artigo na íntegra.
Educação Financeira – Controle suas finanças.
Sabe-se que o assunto do momento é a crise financeira. Só que não podemos esquecer que ela não está afetando somente as empresas, mas, sim, afetando diretamente os seus colaboradores, esses, na maioria das vezes, pais ou mães de família, que vinham suportando a carga pesada de levar o salário até o próximo mês, fazendo milagres com os gastos totais de uma família com dois filhos, onde normalmente o casal trabalha fora, e tem que “levar” o mês na boa, contando especialmente com a sorte, até chegar o próximo dia da … Nossa Senhora do Pagamento! E olhem que essa ginástica normalmente é feita, sem nenhuma orientação técnica. Nesses lares, infelizmente, não existem planilhas para estabelecer orçamento mensal/anual e nem mesmo planejamento ou Educação Financeira.
Além dos gastos normais do mês, devemos lembrar que nessa época do ano, surgem aquelas despesas “anuais”, quais sejam: o pagamento do IPTU (impostos predial territorial urbano) seguros residenciais e ou seguros de veículos para renovar, do IPVA (Imposto Propriedade Veículos Automotivos), bem como as compras de material escolar para os filhos que iniciarão mais um ano escolar.
A maioria das famílias não sabe como administrar o orçamento doméstico e entram numa roda viva de contas a pagar que não termina mais. O grau de dificuldade torna-se ainda mais intenso, até por falta de conhecimento técnico ou especializado dos membros dessa família, cuja atribuição principal não está na educação dos filhos, na preservação dos laços de afetividade, mas sim, em administrar o minguado dinheiro por um mês inteiro. Eu diria ainda, analogicamente falando, que esse desafio é semelhante a uma “loucura/aventura” ou seja: onde não se conhece o resultado. Essa “arte” de administrar o dinheiro consiste em priorizar as contas a pagar e esquecer as contas que não podem ser pagas. Esse comportamento é “normal”, em determinadas famílias, que não conseguem visualizar nenhuma expectativa de melhora, até por falta de informações. Mas, e se na hora de comprar “batesse um sininho” e eles se perguntassem se esse bem de consumo, se essa mercadoria que é o alvo da compra é realmente necessária?
Será que não estamos precisando aprender a consumir com consciência nesse momento de Crise?
Conforme alguns especialistas da área econômica e financeira, a existência de crises financeiras é sempre uma benção porque, sempre aprendemos positivamente com essas crises. Aprendemos a controlar nossas necessidades, em detrimento de nossas vontades. Aprendemos a administrar as nossas escolhas. O ideal é que na hora das compras fossem filtradas as necessidades. Se isso ocorresse, certamente a conta com supérfluos seria muito menor. A esse filtro, iremos chamar de CONSUMO CONSCIENTE.
Normalmente essas famílias são compostas pelo pai e mãe, além de dois filhos “lindos, travessos e pequenos”, que nos proporcionam alegrias e despesas, que passam seus dias na escolinha, e esses pais/mães, verdadeiros heróis atuais, não possuem conhecimento especializado em nenhuma Universidade, ou melhor falando, a maioria desses pais/mães, se quer concluíram o Ensino Fundamental. Temos ainda a desagregação social das famílias, onde, é “normal” haver famílias compostas apenas por mãe e filhos, ou por pai e filhos. Isso ocorre na maioria das vezes, porque o pai não mora mais com eles, já contraiu responsabilidades com outra família e assim por diante. O inverso também ocorre, ou seja às vezes é a mãe que abandonou o lar e os filhos são criados pelo pai, debilitando o lar, que fica ausente do carinho materno.
Meu Deus! Que ginástica financeira essa “gente especializada” aprendeu a fazer.
As empresas, preocupadas com o desempenho de seus colaboradores, começam a orientá-los, a fim de que suas preocupações financeiras, não sejam mal administradas, a ponto de que esse pai/mãe de família, que também é funcionário em uma empresa, torne-se inadimplente e, não vendo outra saída, provoca a própria demissão, considerando que seu acerto (rescisão de contrato de trabalho) mais o levantamento do Fundo de Garantia com os 40% da multa que a empresa paga ao “demitir” o funcionário, seja suficiente para dar uma “limpada” nas contas e tentar adaptar-se, por um período de três, cinco ou sete meses, a viver com a renda do Seguro Desemprego. Mas, e depois que encerrar o Seguro Desemprego? Como será essa “nova aventura”?
A “aventura” não será nova, ela irá repetir-se. Trata-se de um problema de Consumismo desenfreado, compra inconsciente, que normalmente tem como seqüela, as dificuldades de limpar o nome, quando muitos, nessa altura já estarão com o seu crédito comprometido junto ao SPC e ao Serasa.
Essa atitude vai se tornando um problema sério para as empresas. Hoje já existem empresas restringindo as vagas para os “eternos inadimplentes”, ou seja: se você tiver restrições cadastrais em seu nome, não poderá ser admitido em determinadas empresas porque adotaram como Políticas de RH, não ter funcionários com problemas de crédito em suas empresas.
Vejamos que a pessoa jurídica existe alguém especializado em orientar o acompanhamento tanto da receita, como da despesa. Mas, e na pessoa física quem faz esse controle? Conforme Cássia D’Aquino, pesquisadora, temos que somente 20% das famílias controlam seu orçamento financeiro. Nas demais famílias, esse controle simplesmente não existe.
Esse assunto é pertinente ao pai ou mãe de família, ou, na ausência deles, normalmente existe um filho maior, que se estiver trabalhando, esse assume toda a carga da família, controlando os gastos a fim de que sobre mês e não falte dinheiro.
Esse assunto não é brincadeira. A ausência do controle, da Educação Financeira, não dá outro resultado senão esse: Vai sobrar mês e vai faltar dinheiro, com certeza! Principalmente, se não houve o consumo consciente.
Por outro prisma, se a gente consome conscientemente é fácil responder a essa pergunta.
Você sabe para onde vai o seu dinheiro todos os meses? Caso não tenha resposta para essa pergunta, é provável que ele esteja indo parar onde não deve: em gastos desnecessários.
As empresas que estão se preocupando com esse assunto “Educação Financeira”, assunto da alçada do funcionário, estarão praticando Responsabilidade Social.
Investindo em Responsabilidade Social, essa empresa obviamente é economicamente viável, ecologicamente correta e preocupando-se com a Ética, estará mostrando um cenário altamente positivo e entusiástico aos seus colaboradores e, os instigará a investir em aprendizados que terão repercussão em suas vidas nos campos profissional e pessoal/familiar. Esse funcionário será uma pessoa feliz e bem sucedida no âmbito familiar/afetivo, podendo ser inclusive um futuro empreendedor, aprenderá a controlar suas finanças, com habilidade. Adotando essa prática como um hábito saudável, ele passará essa cultura aos seus filhos, preservando seu nome de abalos de crédito, tornando-se um cidadão que consome com consciência da necessidade, esse funcionário aprenderá a dominar suas vontades e, dessa lição de vida ele aprenderá a poupar para não comprar, a selecionar melhor o que comprar, a ter uma boa relação com o dinheiro, aprenderá ainda, a zelar pelos bens duráveis, e pelos bens intangíveis como o amor e o respeito, valorizando os seus esforços e os esforços de seus filhos. A essa valorização, terá acrescentado horas de felicidade no convívio familiar e passará a ser um bom exemplo na empresa junto aos seus colegas de trabalho. Seu “empregador” irá vê-lo com outros olhos e esse será, amanhã ou depois, o mais bem reconhecido dos funcionários daquela empresa que, em momentos de crise, o treinará a trabalhar, visando qualifica-lo, e tornando-o um excelente profissional nas mais diversas áreas, será um bom funcionário, confiável e bem remunerado. Será também mais um daqueles profissionais ou pessoas que elegem a ética para pautar as relações pessoais e de trabalho, enfim, será mais alguém na empresa que terá um futuro promissor.
E, momentaneamente, é exatamente essa a preocupação dos Coordenadores ou Gestores de RH/Pessoal nas empresas. Devemos passar aos nossos colaboradores, uma boa educação financeira, auxiliando – os a montar seu projeto de vida, em todas as esferas da vida, quer seja em nosso convívio social, profissional, educacional, espiritual, pessoal e familiar.
Não podemos esquecer, caros colegas gestores de RH de que temos que ter um objetivo na vida pois, conforme Sêneca, “O capitão que veleja sem um objetivo, sempre alega que os ventos sopraram nas direções erradas.”
Encerrando, quero concluir com uma máxima que traduz toda uma lógica, muito citada e aprovada na visão dos profissionais de Finanças, ou em nível de Consultoria/Assessoria, que nos diz exatamente isso: “A maneira mais rápida de ganhar dinheiro é parar de perder”.