Dando continuidade ao post que publicamos sobre “empresas familiares”, hoje li um artigo muito interessante publicado no Portal Amanha, pelo Marcelo Melo.

Neste artigo, o autor, inicialmente apresenta um comparativo, utilizando os conceitos da psicanálise do Freud, sobre relação pai, mãe e filhos. Em um dos trechos do artigo, o autor cita o sonho que o “pai empresário” com a perpetuação da empresa / negócio.

Para aqueles que convivem com esta realidade no dia-a-dia, sugiro a leitura e análise deste artigo:

Envelhecimento, auto-confiança e sombra – o filho te obrigando a enxergar o que não quer ver

CapturarA relação pai e filho é sempre complexa, Freud era capaz de forçar algumas aproximações para provar suas teorias, mas é inegável a contribuição de seu invento, a psicanálise, para que cada humano perceba melhor a si e aos outros. Freud apontou o pai como o responsável por cortar o vínculo maior entre a mãe e o filho, se a mãe constitui a base emocional da criança, é o pai que entra e a joga para o mundo. Quem queria isso? Naturalmente, todos preferíamos ficar sob a proteção materna, começam aí as diferenças.

Se esse pai é um empresário, nem sempre ele cumpriu esse papel primário, qualquer pessoa que já tenha passado próximo a uma empresa é capaz de imaginar a energia, foco, determinação e tempo que demanda. Esteve ausente de casa em momentos importantes, mantém com esse filho uma relação de culpa, algumas vezes explícita, outras não, cada dupla pai e filho desenvolve uma característica, dentro de uma mesma família, vários tipos de relacionamento podem florescer, por mais que os pais insistam na teoria que gostam iguais dos diferentes filhos.

Esse pai bem-sucedido vê o tempo passar, sente o peso da idade e sonha com a perpetuidade da criação, prefere passar o bastão para alguém com o mesmo sangue, mas aí começam outros problemas. A maioria desses empresários bem-sucedidos, tem uma auto-confiança, se não íntima, pelo menos a que mostra aos outros, elevada, e costuma crer, mesmo aqueles conscientes da necessidade de equipes e de outros talentos complementares, que poucos, quase ninguém, tocariam aquilo da mesma forma que ele.

Já o filho vê exatamente o contrário, percebe a necessidade de renovação, quer fazer na empresa, o mesmo que fez na adolescência, livrar-se da presença constante do pai, separar o que é ele, e o que é o pai. O filho, preocupado em consolidar seu espaço, pouco consegue entender as agruras do pai, importunado pelas conseqüências negativas do envelhecimento.

Sim, mesmo os pais mais conservados e ativos percebem facilmente que funcionam diferentemente, isso causa insegurança em qualquer pessoa, até mesmo neles, imaginar passar o bastão para o filho é assumir que o rendimento já não é o mesmo, que a contribuição é menor, que o fim, inevitável, está mais próximo, algo que pouquíssimos conseguem conceber. Aí, o conflito se extrema, porque muitas outras causas são discutidas, mas são raras as ocasiões em que pai e filho sentam e conversam sobre isso. Não é natural, o filho, mesmo o homem maduro, por pior que seja a relação com seu pai, também não gosta de imaginar o final dele. Humano é aquele que, por definição, e independente de credo religioso, tem com a morte uma sensação de “melhor seria se estivesse distante”, a morte de um pai, além dos reflexos emocionais em relação a este, traz também a realidade de pensar seu próprio fim.

Esses aspectos passam longe da maioria das empresas, e de nada adianta achar que são coisas pessoais que não devem ser levadas à às mesas. A empresa é sim um lugar onde pai e filho tem uma relação profissional mas que começou em termos estritamente pessoais. Muitas vezes é necessário ajuda externa para que cada um consiga encarar e expressar esses fatos. Sucessão é a comprovação para o pai da existência de um final, por mais que projete no filho o futuro da empresa é o duro momento de assumir o seu envelhecimento, a sua obsolescência. É encarar que aquela criança que no início lhe trouxe uma revitalização, a razão para um gás extra, a motivação para um legado, agora começa a ser o portador de outras notícias.

O que fazer? Incluir nessa relação esta conversa adulta e difícil, preparar-se para aceitar o envelhecimento e ver o filho, apenas como mensageiro da má notícia, nunca como o responsável. Fundadores, não diminuam o mensageiro, depois não adianta querer que ele possa fazer o que vocês não fizeram.

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