Poderoso chefão II

Na tentativa de realizar um trabalho tão competente e não menos impecável, Francis Ford Coppola entregou uma obra muito mais complexa, mas não abriu mão do escopo tenso e vigoroso de cenários e personagens que conquistou o mundo pela excelência apresentada na primeira parte da trilogia. A rigor, Coppola seguiu a mesma cartilha, mas inseriu fatos históricos reais e falou ainda mais sobre o amor pela família. No entanto, na arriscada opção de carregar duas histórias paralelas, apesar de acertar na montagem, Coppola deixou-as sem isometria alguma, deixando claro que teve problemas sérios com a montagem paralela.

Ademais, Coppola e companhia preparam inúmeras inovações para esta continuação do original. O diretor, por exemplo, investiu numa teia com maior número de personagens importantes, apostou novamente nas longas tomadas e ampliou o espaço de improviso do elenco. O roteiro, desta vez, tem mais o carimbo do autor do livro, Mario Puzo, do que o do próprio diretor, mas mantém a construção dramática com perfeição, arriscando-se um pouco mais ao apresentar novos personagens. O Poderoso Chefão – Parte II possui, dentre seus maiores méritos, a ousada e belíssima fotografia de Gordon Willis, novamente procurando por novas e inovadoras alternativas, criando uma atmosfera ainda mais obscura e utilizando abundantemente tomadas em contraluz.

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Tudo é claramente construído com o intuito de agravar e acentuar a trajetória icônica de Michael Corleone, um verdadeiro líder de grupo, que toma conta de tudo com voz e autoridade, ganhando respeito e confiança de todos. Obviamente falamos aqui de um homem que agia fora da lei, mas que evidentemente trabalhava seguindo rigorosos códigos éticos para o bem de sua família. Fazendo uma analogia, podemos mudar a família Corleone por uma organização. Michael é o centro de tudo, o superior que dita às coordenadas do grupo. Em meio a percalços, naturais a todo tipo de trabalho coletivo, o famíia Corleone vai evoluindo em sua “missão”, munida de muita organização e empenho – claro, com medidas explicitamente incorretas.

Como todo bom líder, Michael ensina, motiva, acompanha, sugere, inspira. O líder é o parâmetro de trabalho que os elementos da equipe buscam se espelhar, e Michael Corleone desempenha uma importante função neste sentido – novamente frisando, através de métodos política e eticamente incorretos. Líder não é quem manda, é quem auxilia quem ensina sua forma de trabalho, sua visão, para que, assim, o grupo consiga se adequar.

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Todo mundo sabe que Fernando Meirelles vem namorando a obra de Saramago desde meados de 1995. Todo mundo também sabe que, terminada a metragem da tão esperada adaptação, o tempo, com seus ensinamentos naturais, funcionou a favor do diretor da obra-prima do cinema nacional. Já com certa experiência e prestígio internacional, Meirelles teve êxito no seu projeto mais ambicioso. Cheio de arrojos e acertos visuais, Ensaio Sobre a Cegueira entra para o hall das maiores metáforas que o cinema já produziu. Calcado no premiado livro do escritor português José Saramago, o filme conta uma história sobre a sociedade em que vivemos, a maneira como ela se porta para com o próximo e, de forma crua e realista, mostra o ser humano e o seu lado animal, aquele que vive sempre à espreita.

Um retrato minucioso de um grupo de pessoas lutando por um único objetivo – neste caso a sobrevivência, mas podemos (e devemos) claramente criar um paralelo, uma linha tênue com outra situação: a de uma organização empresarial. A fome, tal como mostrada no filme, é o que impulsiona os cegos. Em uma organização, o objetivo deve ser parte do consciente coletivo, algo tratado por todos com seriedade e determinação. Com isso, tanto os cegos do filme de Meirelles quanto os trabalhadores da vida real, apostando ainda em suas mentes criativas, tendem a alcançar a plenitude. Afinal, em terra de cego quem um olho é rei.

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O livro de Saramago conseguia ser revoltante, nojento, repulsivo, incrível, chocante, absurdo, brilhante. O ávido leitor poderia sentir tudo isso e ainda se sentir reconfortado, afinal, por mais pessimistas que o livro possa ser, Saramago não deixa escapar uma mensagem de paz em seu desfecho. No longa-metragem de Fernando Meirelles há uma clara predominância do pessimismo, porém o grau de impacto não é tão forte. Apesar do diretor de O Jardineiro Fiel ter privilegiado e seguido à risca a narração, o filme ganha quando mostra a decadência e os conflitos dos cegos sem pudor, despido de qualquer senso falso-moralista (exatamente como está no livro).

A sinopse pode ser lida sem problemas já que o próprio título conta um pouco do filme. Em tempo: o filme conta a história de uma inesperada epidemia de cegueira que se passa numa cidade sem nome. Mas não estamos diante de uma cegueira comum. Os “enfermos” passam a enxergar um clarão branco “como se várias luzes fossem acesas ao mesmo tempo”, diz um personagem. A trama acompanha desde o primeiro homem a ficar cego, chegando a quarentena que é para onde os cegos são enviados. Tratados como animais e vivendo num ambiente inabitável, eles criam suas próprias regras e passam a “sobreviver”. Certo dia o sistema falha e todos saem. Para onde? Ninguém sabe…

O fato é que, dentre outras questões, Saramago discute sobre a humanidade e o coletivo – ou como o homem pode alcançar a plenitude através do trabalho em equipe e do próprio esforço. Além do mais, está em jogo e pode ser posta à prova a existência de cada um dentro de um ambiente. A lei, que diz que o mais forte sobrevive, pode ser aplicada ao coletivo – no caso de você, prezado leitor, o coletivo são seus colegas de trabalho. Juntos e preparados, obviamente uma equipe poderá render, deixando o líder satisfeito e, o grupo, também.

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Durante toda sua extensa e vitoriosa carreira, Al Pacino construiu uma persona cinematográfica de respeito, dentro e fora de Hollywood, e foi em Perfume de Mulher que o ator atingiu seu ápice. Dennis Quaid é um tipo experiente que já fez um ótimo trabalho em Longe do Paraíso, e vêm amadurecendo com o tempo. Jamie Foxx é um ator carismático e que já conquistou seu espaço, não só pelo excelente desempenho em Ray. Cameron Diaz nunca fez nada que justifique seu status pop, sendo Coisas Que Você Pode Dizer só de Olhar Pra Ela a única exceção. Aaron Eckhart e Matthew Modine não são mais do que razoáveis. James Woods e Charlton Heston dispensam comentários, o segundo já é lenda.

É apoiado neste elenco estrelar que o diretor e roteirista Oliver Stone (que ainda massageia o ego com pequeno personagem que não influencia em nada na trama) pretende contar a sua versão sobre os bastidores do milionário mundo do futebol americano. A câmera de Stone assume ângulos épicos e capta muito bem o universo do american football, filmando um verdadeiro espetáculo do esporte. O diretor de Nixon, porém, erra em alguns pontos cruciais, e acaba afastando o espectador antes do final da metragem. Os problemas mais recorrentes da carreira do diretor estão aqui: a firula com a câmera, todo aquele malabarismo com efeito especial e personagens sem profundidade, com sentimentos baratos, gratuitos, superficiais.

O roteiro de John Logan e do próprio Stone peca na construção dos personagens. Ou melhor, o texto nem se preocupa com isso. A trama básica envolve um treinador (Pacino) que perde seu capitão e melhor jogador (Quaid) em meio a jogos importantes. Forçado a colocar um substituto, o treinador escolhe o novato William Beaman (Foxx), que rapidamente assume o status pop e vira o grande astro do time. Quando o capitão recupera-se e se coloca a disposição para voltar a jogar, o treinador não pensa duas vezes antes de colocá-lo em campo, só que recebe ordens superiores da autoritária (e “dona” do time) Christina Pagniacci (Diaz) para manter o jovem talento no time.

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Apesar dos deslizes, podem ser retiradas várias lições de Um Domingo Qualquer. O filme pincela uma trajetória interessante sobre a liderança, a criatividade e o trabalho em equipe. Uma delas diz que um bom profissional pode buscar propor novas idéias, não temer os debates, mostrar empenho e competência ao propor estas idéias, saber impor seus argumentos de forma a contribuir para o melhor andamento do ambiente de trabalho. Um bom profissional também deve saber que, se um elemento do grupo erra, todos erram. O mesmo vale para o sucesso. E assim caminha a humanidade.

A presença de um líder pode auxiliar ainda mais no desenvolvimento do trabalho, dando segurança e garantindo a manutenção do mesmo. Não obstante, torna-se essencial o esforço individual para que o grupo caminhe em sincronia rumo ao sucesso. Ademais, sabemos que é papel do líder entender e contribuir para que seus comandados possam alcançar realização e satisfação pessoal. Por outro lado, o líder precisa trabalhar em prol do grupo, buscando aumentar o sentimento de lealdade, comprometimento e confiança entre todos. Para o trabalho equipe funcionar na prática, o líder precisa estar atento e o grupo, consciente de suas obrigações. Depois disso, a criatividade surgirá ao natural, pois um grupo determinado e bem focado dificilmente deixará de alcançar seus objetivos.

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Dica de Filme – Menina de Ouro

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Poucos cineastas do cinema contemporâneo têm um currículo tão regular como Clint Eastwood. O velhote, apesar de seus 78 anos, ainda anda fazendo coisa boa. O cineasta revelado por Sergio Leone conseguiu dirigir obras-primas durante sua carreira e, mais importante que isso, obras que acabaram servindo de inspiração e exemplo para jovens diretores, como é o caso do clássico western “Os Imperdoáveis” e do romanticamente dramático “As Pontes de Madison“, por exemplo. Essa estabilidade é acentuada ainda mais com obras mais recentes como “Sobre Meninos e Lobos” e os irmãos-gêmeos “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima“. Arriscando se queimar, Clint resolveu filmar um filme sobre boxe. Mas, aí que entra um pequeno erro de conceito. “Menina de Ouro” não é um mero filme sobre o esporte. Eastwood usa toda sua experiência para montar um cenário perfeito e discutir amor, amizade e confiança. E faz isso com autoridade.

Dizer que o legado do “Touro Indomável” de Scorsese poderia trazer problemas para o longa, seria algo natural, visto que o trabalho de Scorsese criou sobre os próximos filmes do gênero, uma espécie de paradigma. Não obstante, Clint foge completamente do estigma proposto por Scorsese, apelando para um tema universal e, inevitavelmente, político. Tudo bem, Clint Eastwood nunca foi um cineasta original e não foi com “Menina de Ouro” que ele se tornou um. Por outro lado, Clint pode contar um Paul Haggis inspirado, que escreveu um roteiro praticamente impecável. Haggis preferiu não esmiuçar todos os ensinamentos que o filme transmite (e eles são muitos), deixando essa parte para o espectador. Paul conseguiu fazer o público pensar, e isso foi fundamental para que o produto final do longa pudesse obter uma lição de moral silenciosa, mas que está lá.

O filme traz a cabo a estória do treinador de boxe Frankie Dunn (Clint Eastwood). Dunn está distante da filha há muito tempo porque ele mesmo é extremamente fechado em seus relacionamentos. Enquanto luta para mudar isso, chega em sua academia a jovem Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), que está determinada a ser treinada a ponto de se tornar uma boxeadora profissional. Mas, antes disso, ela precisa encontrar alguém que realmente acredite em seu potencial e é em Frank que ela vê essa pessoa.

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Apesar de não demonstrar, a estrutura básica do roteiro também fala sobre a importância da autoconfiança, do trabalho em equipe, da perseverança, e, claro, um pouco sobre criatividade. Quando Maggie conhece o professor Dunn, por exemplo, inicia ali um vínculo de amizade muito forte, terno. Isso tudo acaba ocasionando em outros fatores essenciais para o sucesso, como o trabalho em conjunto, algo que os dois parecem determinados a partilhar para alcançarem seus objetivos. Determinados, os dois deixam-se levar pela imaginação, traçando objetivos e metas a serem batidas. A partir daí, nota-se que as coisas começam a melhorar e então já está consolidado um trabalho bem executado.

Apesar do esforço despendido, a recompensa de saber que todo o esforço não foi em vão e que valeu ser persistente supera qualquer dificuldade. É uma sensação a que todos têm direito de experimentar, e é só querer e trabalhar para tanto.

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Em seu primeiro trabalho como diretor de um longa-metragem para o cinema, o hoje autoral Sidney Lumet não poupou esforços para moldar um dos filmes mais fantásticos da história do cinema. Com uma direção genial, composta por delirantes ângulos e planos americanos, Lumet entregou mais uma obra-prima para a gloriosa década de 50. A rigor, o filme de Lumet é uma sucessão de diálogos brilhantes e cortes impecáveis, onde o diretor consegue transmitir a angústia dos personagens apenas com enquadramentos e closes. O diretor arremessa sem cerimônia o espectador, que assiste a tudo extasiado, para dentro da história. 12 Homens e Uma Sentença fala diretamente à razão e mostra que nossas escolhas merecem ser repensadas, sempre.

Essa obra-prima de Sidney Lumet é a prova de que uma história não precisa ser necessariamente complexa e provida de material didático intelectual para funcionar. Com um argumento seco e direto, sem enfeites e com personagens fortes e realistas, 12 Homens e Uma Sentença mantém o espectador vidrado na tela, literalmente embasbacado com o que vê diante de seus olhos. Mais que uma aula de cinema, o filme é um ensaio sobre a gramática cinematográfica e um exercício completo sobre a condução da narrativa. Mas que deve ser revisto muitas vezes, pois a direção de Lumet é tão discreta quanto eficiente e pode não denunciar todo o seu brilhantismo logo à primeira vista.

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O filme conta a história dos doze homens do título que fazem parte do júri encarregado de decidir o futuro de um menino acusado de matar o pai a facadas. O filme, que foi filmado em uma única locação, com exceção da primeira e da última cena – pouco mais de três minutos de duração – é ambientado na sala do júri, onde será decidido se o garoto será condenado ou não. A decolagem e o desenrolar da trama é conduzido com maestria, definitivamente não percebemos que estamos nos envolvendo tanto com um filme dirigido por um estreante. A maneira como Lumet vai preenchendo as lacunas deixadas pelo quebra-cabeça criado pelo roteiro de Reginald Rose é espetacular, e qualquer desvio de atenção ameniza e absorve a tensão eletrizante elaborada com precisão pelo diretor.

Em meio aquele clima claustrofóbico, o diretor fala sobre liderança, trabalho em equipe e, principalmente, sobre o comportamento humano. A sensação dos personagens, o público sente na pele, e passa então a discutir os temas postos à prova pelo filme. A longa e complexa tarefa de liderar, o cauteloso processo de gerenciamento de um trabalho coletivo e a reação de tudo isso no ser humano. O resultado pode ser eficiente se realizado com perícia, mas também pode causar transtornos caso os integrantes entrem em conflito – entre eles ou com o líder do grupo.

No filme, quem toma as rédeas da liderança é o personagem de Henry Fonda que, aos poucos, ganha confiança dos demais e passa a organizar a situação. A equipe sente a presença do “capitão” e passa a acatar suas ideias de forma mais sensata e coerente com o trabalho. De fato, o resultado é satisfatório, pois com o grupo bem gerenciado o trabalho flui naturalmente saudável. Se observado com atenção, 12 Homens e Uma Sentença pode ser uma dica imperdível para qualquer ramo empresarial.

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Nenhum comentário 10/07/2009 | Por: Pedro Henrique
Dica de Filme – Hair

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Por ter se tornado um marco de uma geração inteira e um ícone da contra-cultura, Hair, musical colorido e dançante de Milos Forman acabou introduzindo alguns paradigmas para os musicais que viriam logo em seguida. A exemplo de Um Estranho no Ninho, este filme sorridente e saltitante do diretor tcheco é um representante óbvio do anarquismo e da rebeldia excitante que marcou a década de 60. Além disso, é a síntese do inconformismo, característica recorrente no cinema elegante de Milos Forman. As músicas, o ritmo, os diálogos, tudo comporta um argumento simples e inteligente, ajudando a compor um filme coeso e dançante, mas sem nunca deixar de ser bem argumentado.

Claude (John Savage), um jovem do Oklahoma que foi recrutado para a guerra do Vietnã, é “adotado” em Nova York por um grupo de hippies comandados por Berger (Treat Williams), que, como seus amigos, tem conceitos nada convencionais sobre o comportamento social e tenta convencê-lo dos absurdos da atual sociedade. Lá, Claude também se apaixona por Sheila (Beverly D’Angelo), uma jovem proveniente de uma rica família.

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Mas o grande destaque deste belo musical é o seu espírito coletivo. O grupo que Claude conhece e passa então a fazer parte é dotado de um senso coletivo explícito, que conquista quem quer que seja – mesmo que, por vezes, exagere no ostracismo. É interessante apontar que, mesmo nos momentos que precedem a ida de Claude para a guerra, há um claro exemplo deste companheirismo – o que acaba sendo reforçado pelo final corajoso e pacifista. Os conflitos internos existem, é claro, e disso ninguém escapa (pois falamos de seres humanos que erram, discutem e se acertam logo depois, tal como sua natureza demonstra-nos), mas o trabalho coletivo e o sacrifício em prol do próximo podem gerar grandes benefícios no futuro.

O líder do grupo, Berger, carrega consigo o símbolo do inconformismo, mas não deixa de ser ele mesmo o responsável pelo “sucesso” da equipe, convocando e incentivando seus comandados sempre com destreza e respeito, ganhando, assim, a confiança de todos. Conhecendo um ao outro, os personagens alcançam mais facilmente seus objetivos e atingem um grau muito maior de eficiência e, inclusive, satisfação pessoal por ver seu trabalho bem realizado. Ademais, a criatividade pode surgir em momentos onde o grupo está consciente de sua tarefa e o trabalho flui naturalmente – ainda mais se levarmos em conta que, com um grupo satisfeito com suas atividades e colegas, pode render muito mais.

E quêm não se lembra na música principal deste filme? Age of Aquarius, vide o clipe, neste link.

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Nenhum comentário 3/07/2009 | Por: Pedro Henrique
Dica de Filme – Dança com Lobos

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Kevin Costner protagoniza, produz, dirige (pela primeira vez) e ainda dá pitacos no roteiro. Dança com Lobos é perfeito tecnicamente, pois a excepcional fotografia e a competente trilha sonora emprestam certo teor de obra-prima ao filme.

Durante a Guerra Civil Americana, o jovem Tenente John Dunbar (Kevin Costner) protagoniza um ato heróico e, por sua opção, vai servir em uma região infestada de índios. Ao invés de participar de algum extermínio, ele consegue uma ousada aproximação com os nativos, descobrindo sua cultura, costumes e seu modo de comunicação. Vencedor de 7 Oscar, incluindo Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Fotografia, Dança com Lobos é um filme tão intenso quanto sua.

Sem muita coisa para se preocupar, John Dunbar vai mantendo um diário onde anota suas atividades, inclusive seus primeiros encontros com os Sioux. Ele registra como essa tribo é cautelosa e precavida com os estranhos. Não obstante, aos poucos os índios vão se aproximando e, por fim, conseguem comunicar-se com ele; para isso é trazida uma mulher chamada ‘Stands With a Fist’ (De Pé com Punho) que é branca mas foi criada pelos Sioux, especificamente por ‘Kicking Bird‘ (Pássaro Esperneante), após sua família ser massacrada pela tribo ‘Pawnee‘. Visto que fala inglês, ela passa a ser intérprete entre John Dunbar e os índios. O tenente passa então a viver com a tribo, que lhe dá o nome de ‘Dança com Lobos‘. A convivência com os indígenas faz com que ele vá adquirindo seus costumes, ao mesmo tempo em que ganha respeito dos nativos e conquista ‘De Pé com Punho‘.

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Ao descrever uma cena onde ‘Dança com Lobos’ tenta se comunicar pela primeira vez com alguns índios, o diretor cria uma situação muito clara de como a comunicação é importante. Ao passo que os gestos evoluem e os homens começam a se entender, há uma perfeita ilustração do exercício comunicativo ganhando forma em prol do sucesso. A vontade de se comunicar e aprender, aqui, exerceu uma forte influência no resultado final, pois se qualquer coisa tivesse sido dita (ou expressa, neste caso) e incompreendida, a confusão estaria formada – e qualquer gestor sabe que o início, as raízes da iniciação comunicativa são essenciais e devem ser tratadas com cuidado. No caso do filme, serviu como base para toda a amizade que se estenderia pela eternidade. Já num ambiente empresarial poderia significar o primeiro passo de uma bem sucedida parceria (seja interna ou externamente). A própria acepção literal do termo comunicação representa, etmologicamente, o sentido de “colocar em comum”, de compartilhar.

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Após dois projetos ficcionais (”A.I. Inteligência Artificial” e “Minority Report – A Nova Lei”) que mantiveram a mesma temática de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” e “E.T. – O Extraterrestre, Spielberg ruma para uma aventura despreocupada, assim como nos velhos tempos de Indiana Jones. Com Prenda-me Se For Capaz, Spielberg cria uma aventura despretensiosa sem contradizer o seu projeto de cinema desenhado anos antes. A narrativa cartunesca e as vigorosas performances de Tom Hanks e Leonardo DiCaprio garantem a sustentação deste belo filme-aventura baseado em fatos reais.

O roteiro de Jeff Nathanson conta a história do agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks) que tem como tarefa prender Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio), um jovem falsificador que se faz passar por piloto de avião, médico, promotor e professor de História, e já conseguiu passar US$ 2,5 milhões em cheques falsos em 26 países. O problema é que Frank, apesar da pouca idade (ainda não completou 21 anos), está sempre um passo a frente do agente do FBI.

Toda a trama do filme é centrada nas falsificações feitas por Frank, que precisa de muito talento (à luz da lógica, é um talento criminoso, é verdade, mas também criativo). O diretor conscientiza-se de que a melhor forma de carregar a narrativa é através do foco no interior criativo do personagem, e é isso que Spielberg faz. Sem perder o ritmo, vemos o processo criativo de Frank tomar forma – e conteúdo. Através de situações complicadas e momentos de puro desespero, Frank demonstra que não só o talento exerce influência no resultado final. A filosofia de Frank reza que, antes de tudo, precisamos compreender a mente humana como sendo um critério rigoroso de exercício cerebral que está sempre aberta a aspectos inovadores e perceptuais. O processo de criação, como mostrado no filme, demanda treinamento e concentração, pois a criatividade surgirá ao natural com o exercício do trabalho.

A criatividade de Frank o leva longe, mas tudo porque ele compreendeu que errar e refazer faz parte do processo criativo. Para ser criativo como Frank, precisamos estar disposto a trabalhar em cima de testes e ter consciência de que o erro aparecerá muitas vezes, mas o reconhecimento do trabalho bem realizado virá na hora certa. O velho clichê que diz que aprendemos com nossos erros encaixa-se perfeitamente aqui, pois nossas percepções para o próximo trabalho ficam mais aguçadas. Tudo isso atrelado ao auto-conhecimento auxilia a potencializar nossas capacidades e, certa feita, ampliar o alcance de intenções humanas e profissionais.

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Para poder colocar “O Resgate do Soldado Ryan” ao lado dos maiores do gênero, basta prestarmos atenção na primeira cena de guerra do longa-metragem. A abertura mais sangrenta e selvagem que o cinema já vez, é filmada com a câmera na mão, o que praticamente diz, sozinha, que Steven Spielberg era o melhor diretor de 98. Mesmo que parte da crítica especializada tenha reclamado dos personagens superficiais, o que foi um grande equívoco, afinal, o estudo de personagem que Spielberg tinha que fazer ele já vez (e muito bem, por sinal) em “A Lista de Schindler”. Aliás, Spielberg nunca perde o foco da narrativa e faz com que os 170 minutos passem voando, o que virou um grande paradigma para os futuros filmes que tratariam do conflito.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o alto comando do exército descobre que quatro irmãos Ryan estavam nas forças armadas e que três deles foram mortos. O Capitão John Miller (Tom Hanks) é designado para salvar o último soldado da família Ryan que ainda está vivo e retirá-lo do conflito. Porém, é preciso descobrir onde ele está percorrendo diversas regiões do território em guerra. Durante a missão, Miller e seus soldados enfrentam inimigos e seus próprios medos. O filme se inicia com a batalha do Dia D, quando Miller e seu batalhão se aproximam da praia de Omaha, no dia 6 de junho de 1944, frente à artilharia alemã, em uma inesquecível sequência de 24 minutos até a vitória americana.

A rigor, estamos diante de um filme que mostra como o trabalho em equipe é fundamental para o sucesso. É o caso do exército liderado pelo Capitão John (aqui também temos a função do líder, diga-se de passagem), que aqui representa esta vertente com propriedade. Os soldados nitidamente trabalham para o grupo, quando há esta necessidade, estão sempre dispostos ao sacrifício pelo bem comum a todos. A presença de um líder, à luz da lógica, auxilia ainda mais neste processo, dando segurança e garantindo a manutenção do trabalho. Não obstante, torna-se essencial o esforço individual para que o grupo caminhe em sincronia rumo ao sucesso.

Ademais, sabemos que é papel do líder entender e contribuir para que seus comandados possam alcançar realização e satisfação pessoal. Por outro lado, o líder precisa trabalhar em prol do grupo, buscando aumentar o sentimento de lealdade, comprometimento e confiança entre todos. Para o trabalho equipe funcionar na prática, o líder precisa estar atento e o grupo, consciente de suas obrigações. Depois disso, a criatividade surgirá ao natural, pois um grupo determinado e bem focado dificilmente deixará de alcançar a plenitude.

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Dando continuidade em nossas dicas de filme, hoje vamos comentar sobre o filme “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”.

Um filme deste calibre, com esta temática, precisa necessariamente ser protagonizado por uma grande atriz. Falamos aqui de uma atriz com vigor, presença e voz própria. A rigor, o que vemos em Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich, EUA, 2000) é o exemplo clássico desta afirmação, já que Julia Roberts está impecável. Julia cativa o espectador e o carrega junto até o desfecho da história – que pode ser um exemplo perfeito da personificação de um empreendedor.

Erin é o tipo de profissional inovador que modifica, inova e cria, com sua forma de agir, qualquer área do conhecimento humano. A vontade de crescer une-se perfeitamente ao talento e a gana pelo trabalho. Erin foi uma empreendedora (e visionária, como reza a cartilha de todo empreendedor de sucesso) que tinha uma forma especial e inovadora de se dedicar às atividades da organização, administração, execução do seu trabalho. Um exemplo, aliás, mais do que perfeito em tempos de crise mundial.

O filme conta a história de Erin Brockovich, mãe de três filhos e que começa a trabalhar em um escritório de advocacia, após sofrer um acidente. Depois de descobrir várias fichas médicas arquivadas envolvidas em casos de contaminação de água, Erin começa uma luta difícil que mobiliza centenas de pessoas a conseguir ganhar um processo de 333 milhões de dólares de indenização.

O que Erin Brockovich realizou, a vitória que obteve contra uma grande empresa, e os benefícios que levou a uma comunidade que estava sendo envenenada (literalmente), não é invalidado com informações sobre com quem a personagem dormia, ou se é ou não mais rabugenta daquilo que nos é apresentado no filme. Já passou da hora de deixarmos de lado esta busca doentia por defeitos nas pessoas que, por uma ou por outra razão, se destacam, esta compulsão em mostrar que todo personagem histórico tem lá seus podres e nos concentrarmos nos resultados que eles conquistaram. Erin obteve êxito porque teve visão e sensibilidade empreendedora, e fez muito disso sozinha.

Você sabia que esta é uma história real, sim! Inclusive a verdadeira Erin Brockovich possui um website, clique neste link, e conheça esta mulher!

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