Dando continuidade ao artigo no qual comentamos sobre a nova Competência denominada CHAVE (Conhecimentos, Habilidades, Atitudes, Valores e Emoções), clique aqui para ler novamente, no ano de 2009, o PNUD (Programa das Nações Unidas) realizou uma consulta pública, onde meio milhão de brasileiros responderam à pergunta: “o que é preciso para a vida melhorar?”. De acordo com a pesquisa, a população não espera somente melhores condições financeiras, e sim, a promoção de valores de vida, éticos e humanos, essenciais ao desenvolvimento e que possibilitam uma convivência mais harmoniosa entre as pessoas.

Para saber mais sobre esses valores, o PNUD iniciou, neste ano, os trabalhos para calcular o IVH brasileiro. IVH é o Índice de Valores Humanos, um indicador que já foi levantado em países como México, França e Portugal, refletindo as expectativas, sonhos e ambições da população e procurando estabelecer quais os valores humanos mais relevantes na vida de cada grupo de pessoas.

A pesquisa para calcular o IVH do Brasil está sendo realizada pelo PNUD até a segunda quinzena de março, por meio de pesquisadores e pelo site www.mostreseuvalor.org.br, onde os visitantes poderão responder a perguntas como: “qual o valor mais importante para a sua vida?”, “o que você está disposto a fazer por ele?” e “a quem isso vai beneficiar?”. Clique aqui e participe!

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Até o momento, o indicador utilizado para medir e avaliar o bem estar de uma população é o IDH (Indicador de Desenvolvimento Humano), calculado a partir de três dimensões: renda, educação e expectativa de vida. O IVH pretende ser uma evolução do IDH, ao levar em consideração as particularidades de cada sociedade, suas demandas e prioridades, fazendo com que a qualidade de vida das pessoas não seja medida apenas por uma somatória de indicadores econômicos e sociais.

O levantamento do IVH brasileiro servirá para o diagnóstico de vulnerabilidades socioeconômicas, possibilitando um melhor estabelecimento de políticas públicas e a realização de estratégias empresariais mais eficientes e coerentes à realidade do país, em áreas como educação, saúde, segurança, habitação, assistência social e cultura.

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O fenômeno da Identificação é considerado um conceito de especial importância na psicanálise, porque, por meio dele, o sujeito se constitui e se transforma, assimilando parcial ou totalmente os aspectos, atributos ou traços das pessoas mais íntimas que o cercam. Isso está de acordo com a morfologia da palavra “identifica”, que significa “tornar idem”, ou seja, “igual” ao seu modelo. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações, havendo muitas formas de processar a identificação, como as que seguem:

  1. Com a figura amada e admirada – é a forma que estabelece as identificações mais sadias, estáveis e harmônicas;
  2. Com a figura idealizada – costuma ser frágil, custa ao sujeito o preço de um esvaziamento de suas capacidades e uma pequena tolerância às frustrações;
  3. Com a figura odiada – configura o que se conhece como “identificação com o agressor”;
  4. Com a figura perdida – é a base dos processos melancólicos;
  5. Com a figura atacada – o que, particularmente, o psicanalista  David Zimerman denomina como “identificação com a vítima”, e;
  6. Com os valores que foram impostos pelos pais e educadores em geral.

terapia2Em psicoterapia de orientação psicanalítica o sujeito é estimulado a estabelecer uma relação transferencial – por meio do vínculo terapêutico – para que essas identificações possam emergir a fim de transformar os comportamentos disfuncionais apreendidos e internalizados por ele. Essa transformação se dá através da interpretação desses conteúdos e das intervenções que o psicoterapeuta faz durante as sessões na tentativa de ajudar o sujeito a ressignificar (dar novos significados) à sua conflitiva (suas vivências e/ou seus traumas originados a partir do processo da identificação).

Dependendo da fase em que o sujeito se encontra no tratamento psicoterápico e do nível transferencial estabelecido – no vínculo terapêutico -, as identificações (citadas acima) poderão se fazer presentes e atuantes a ponto de mobilizar sentimentos e emoções que, se não forem devidamente interpretados (trabalhados), provavelmente as resistências se intensificarão a ponto do sujeito interromper ou tentar interromper seu tratamento.

Contudo, nem sempre a interrupção do tratamento se dá pela falta de interpretação correta do psicoterapeuta a respeito de tais conteúdos ou pela resistência do sujeito em admitir a presença destes (falta de enfrentamento com relação às emoções e sentimentos que se encontravam reprimidos ou suprimidos pelos mecanismos de defesa utilizados), mas, também, pela ausência do real desejo em tratar efetivamente suas “feridas emocionais” causadas pelo conflito manifestado.

Cabe destacar que são inúmeros os aspectos e conteúdos que se manifestam por meio do vínculo terapêutico num processo transferencial. A própria “simbiose”, é um exemplo, na tentativa de ser transferida (processo inconsciente do sujeito) para a relação terapêutica. Nesse caso, o que pode ilustrar bem a possível interrupção de um tratamento pelo sujeito é quando ele não encontra na figura do psicoterapeuta a “mãe” ou a função que sempre buscou por meio da figura materna, não conseguindo, portanto, estabelecer uma relação de dependência em seu tratamento. É quando ele “fracassa” na tentativa de se sentir totalmente protegido pela figura do terapeuta. Quando a própria interpretação desse “desejo” se faz, o sujeito, então, não suporta a frustração diante da impossibilidade de realização do seu desejo mais primitivo, ao contrário do que costuma fazer: persistir em contrair vínculos de natureza simbiótica. Assim, o sujeito interrompe seu tratamento, obviamente, “culpando” ou responsabilizando o psicoterapeuta pelo seu próprio fracasso. Nesse caso, o sujeito se recusa a encontrar no ambiente limites e frustrações que o fariam passar do princípio do prazer para o princípio da realidade.

Por isso é importante avaliar inicialmente tanto a psicopatologia apresentada quanto o nível de motivação do sujeito. A psicoterapia consiste, portanto, em ajudar no processo de transformação para que o sujeito ultrapasse os limites que o mantiveram aprisionados no processo da identificação, principalmente aqueles que contribuem para sua estagnação ou para a limitação de sua capacidade (de seu poder de realização).

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Segundo o autor David Zimerman, em seu livro Psicanálise em perguntas e respostas, verdades, mitos e tabus: “Excessivas idealizações ou distorções a respeito da psicanálise foram responsáveis pela formação de diversos mitos acerca da figura do psicanalista”. Portanto, justifica-se uma distinção entre psicanálise, psicoterapia e terapia analítica, além de se compreender melhor o papel desempenhado por psiquiatras, psicanalistas, psicólogos e psicoterapeutas. É exatamente este o objetivo: clarificar os papéis, as funções destes profissionais e suas possíveis linhas de trabalho, além de apresentar, nas próximas edições, as abordagens psicoterápicas (as mais atuais), podendo, contudo, estabelecer as diferenças no funcionamento de algumas estruturas psíquicas.

Assim, iniciamos esta sequencia de artigos podendo dizer que a PSICOTERAPIA tem uma finalidade mais restrita do que o tratamento psicanalítico (a análise). Sua finalidade é, por exemplo, resolver crises vitais e acidentais; remover sintomas agudos de quadros de transtornos mentais, como angústia, fobia, paranóia, etc., propiciar melhor adaptação na família, sociedade e trabalho; dar apoio com vistas a um melhor enfrentamento de situações difíceis. Habitualmente, as psicoterapias (tanto individual quanto grupal) são realizadas em uma média de duas sessões semanais, mas nada impede que possa ser uma sessão semanal, quinzenal ou até mesmo mensal. O tempo de duração de uma psicoterapia pode ser breve (por exemplo, “focal”, que visa à resolução de um foco específico de sofrimento) ou longa, que perdura enquanto estiverem, de fato, se processando melhoras na qualidade de vida da pessoa.

Já um TRATAMENTO PSICANALÍTICO (ANÁLISE) visa a um maior aprofundamento, isto é, vai além dos inequívocos benefícios terapêuticos acima mencionados, sendo que o maior objetivo de uma análise é conseguir mudanças da estrutura interior do psiquismo. Objetiva, portanto, realizar verdadeiras e permanentes mudanças caracterológicas, de sorte a melhorar a qualidade de vida para uma pessoa que, por exemplo, seja exageradamente obsessiva ou histérica, fóbica, depressiva, paranóide, psicossomatizadora, etc. Isso, na hipótese de que essa caracterologia, embora sem sintomas manifestos, de alguma forma possa estar prejudicando a si próprio e / ou aos demais, com sensíveis prejuízos e inibições nas capacidades afetivas, intelectuais, comunicativas, criativas e de lazer. Um tratamento psicanalítico habitualmente é processado com quatro (ou três) sessões semanais, comumente (mas não obrigatoriamente) com o paciente deitado no divã, e tem uma duração de vários anos.

O termo TERAPIA ANALÍTICA (ou psicoterapia de orientação psicanalítica) designa aquele tratamento em que há certa superposição de psicoterapia e psicanálise e cujo denominador comum consiste na utilização do “método analítico” que, fundamentalmente, consiste em um conjunto de conhecimentos teóricos e procedimentos técnicos que possibilitam um acesso ao inconsciente do paciente. Alguns autores e professores, no passado, estabeleciam enorme abismo entre psicoterapia e psicanálise. Na atualidade, o que se observa é uma redução de diferenças e uma superposição de semelhanças entre ambas.

Independentemente da abordagem terapêutica, da teoria e da técnica empregada, o mais importante é que a pessoa possa procurar os profissionais especializados e capacitados para realizar psicoterapia. Este pode ser o melhor caminho e o mais seguro em direção a superação das suas dificuldades.

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Toda pessoa que procura ajuda médica e / ou psicológica tem o direito de tomar conhecimento da formação e da qualificação dos profissionais. Exatamente por isso, faz-se necessário um melhor esclarecimento quanto a formação e a capacitação destes:

Psicólogo: profissional formado por uma faculdade de Psicologia (curso de duração de cinco anos em média) que o habilita a exercer:

  1. Psicoterapia, em suas diversas modalidades.
  2. Psicologia Organizacional (em empresas).
  3. Aplicação de psicotestes, como um recurso de finalidades diagnósticas e de seleção de pessoal.
  4. Psicologia Escolar ou Educacional (nas escolas).
  5. Exercício da Psicanálise Clínica (desde que complemente sua formação básica de psicólogo com uma nova, exaustiva e específica formação de psicanalista, em alguma instituição reconhecida).

Psiquiatra: um médico pode candidatar-se a fazer uma formação psiquiátrica em alguma instituição reconhecida, onde ele fará um curso especial que tem uma duração média de quatro anos. Uma vez aprovado, ele estará em condições de exercer psicoterapias e de tratar “pacientes psiquiátricos” (como psicóticos hospitalizados, depressões graves, crises de pânico, drogaditos, etc.) com medicação psicotrópica. Caso o psiquiatra queira tornar-se um psicanalista, deverá ter o complemento de uma completa formação psicanalítica. Na atualidade um grande número de psiquiatras exerce uma “psiquiatria dinâmica”, mais voltada para tratar dos dinamismos dos transtornos psíquicos, enquanto outro expressivo número deles dedica-se prioritariamente à “psiquiatria biológica”, com o respectivo emprego da moderna psicofarmacologia e com um respaldo nos conhecimentos portados pelas neurociências.

Psicanalista: tanto um psiquiatra como um psicólogo que desejam tornar-se psicanalistas deverão procurar uma sociedade psicanalítica filiada a uma entidade internacional mater (IPA), submeter-se a uma seleção rigorosa e, na condição de “candidato”, a uma “análise didática” (duração média de 7 anos) concomitantemente com seminários teórico-técnicos, supervisões individuais e coletivas, apresentação de monografias, comparecimento a reuniões clínicas semanais, participação em jornadas e congressos, etc. Para a obtenção da condição de psicanalista, no mínimo é necessário que o candidato egresso do Instituto de Psicanálise submeta a uma assembléia a apresentação de um trabalho clínico com vistas a passar da condição de “candidato” para a de “membro associado”. Daí, se ele desejar, poderá ascender a outras posições prosseguindo em seus estudos. Assim, um psicanalista está habilitado a exercer a psicanálise clínica, com o uso do divã para os seus analisados, com um maior número de sessões semanais, tendo em vista o propósito de um acesso às regiões profundas do inconsciente que determinam os nossos traços de caráter, conflitos, sintomas, inibições, angústias e transtornos de psicopatologia.

Psicoterapeuta: é uma denominação mais genérica que designa a condição de um técnico especializado – psicólogo, psiquiatra ou psicanalista – exercer uma função de tratar algum paciente com alguma forma de psicoterapia fundamentada em princípios variados, conforme determinadas correntes que mereçam um crédito de idoneidade.

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O fim do ano se próxima e com ele todas as nossas expectativas, projetos e investimentos passam por uma espécie de “retrospectiva”. Assim como assistimos aos programas televisivos que apresentam os principais acontecimentos do ano, também nos reportamos para o que construímos (ou não) neste período, através das nossas próprias escolhas e da forma como enfrentamos as situações que nos foram apresentadas.

É comum recebermos uma demanda maior de atendimentos nos Consultórios de Psicologia a partir do segundo semestre do ano. A demanda aumenta ainda mais quando nos aproximamos do Natal. As pessoas, de modo geral, se mostram mais estressadas, mais angustiadas e deprimidas. É a síndrome do fim do ano. Um acontecimento que se repete a cada ano.

Obviamente que precisamos fazer uma leitura apropriada dos fatores que interferem nesta mudança de humor que todos nós, em alguma ocasião e por alguma razão, podemos experimentar. Não cabe mais seguir restritamente o manual de descrição dos transtornos de humor (DSM IV) sem considerar o contexto histórico, social e familiar de cada pessoa. Saber diferenciar o que faz parte do momento que vivemos, das influências do meio e a forma como lidamos com as nossas expectativas, faz enorme diferença na hora de avaliar se estamos sofrendo o impacto desses agentes estressores, porém, conseguindo administrar as intempéries, ou se é hora de pedir ajuda de um profissional especializado para poder checar nossas reações frente a essa demanda.

99Em outras palavras, podemos ter, ao longo da nossa vida, momentos de tristeza e ansiedade, alternando com momentos de alegria e positividade. Contudo, se apresentarmos um humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por quase todas as atividades que fazem parte da nossa rotina, podendo incluir características de irritabilidade constante por, pelo menos, duas semanas, estaremos vivenciando um “Episódio Depressivo Maior”. O Episódio Depressivo Maior é diferente do Transtorno Depressivo Maior, mas deve, sim, chamar a atenção da pessoa que o experimenta, procurando identificar os principais pontos ou fatores que contribuíram para este quadro. Toda pessoa que passa por, pelo menos, um episódio depressivo deve ficar atenta às possíveis causas que determinaram o surgimento desses sintomas. Isso porque a pessoa pode estar sinalizando uma tendência ao Transtorno Depressivo Maior. Sendo que este, por sua vez, é caracterizado por um ou mais Episódios Depressivos.

A saber, o Transtorno Depressivo Maior, o Transtorno Distímico e o Transtorno Depressivo sem outras especificações são denominações utilizadas para diagnosticar um distúrbio específico de humor que se caracteriza pela sintomatologia, produzindo prejuízos significativos na qualidade de vida e na rotina das pessoas. No caso do Transtorno Distímico, este é caracterizado por um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, por pelo menos dois anos. É importante destacar que existe diferença entre o Transtorno Depressivo Maior, também identificado como “Depressão Unipolar” e o Transtorno de Humor Bipolar, comumente chamado de “Bipolaridade” ou “Transtorno Afetivo Bipolar”, sendo este último, anteriormente descrito e caracterizado.

Na dúvida, é sempre bom consultar o médico especialista ou o psicólogo em busca de um diagnóstico diferencial. Este pode ser feito com base na sintomatologia apresentada e no histórico do paciente.

Assim, o diagnóstico é realizado com base em entrevistas psiquiátricas e avaliações psicológicas, sendo que o tratamento para estes transtornos inclui, muitas vezes, a administração de medicamentos (específicos para cada caso) e a associação de psicoterapia visando auxiliar a pessoa na mudança de hábitos e comportamentos.

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