A Relação do Homem com os animais pode representar um ganho na qualidade de vida das pessoas? (Por Patrícia Prigol)

untitledNunca se falou tanto em qualidade de vida como nos últimos tempos. Por esta razão, pesquisas científicas mostram que uma das alternativas encontradas para aliviar a tensão e promover qualidade de vida tem sido a convivência com os animais. Já existem, inclusive, algumas técnicas desenvolvidas por profissionais da área da saúde que visam aprofundar essa experiência de humanos interagindo com animais na busca do bem-estar e da satisfação das necessidades emocional-afetivas. O resultado dessas pesquisas revela que o convívio com animais é altamente benéfico.

A técnica desenvolvida, cinoterapia (terapia facilitada de cães) teve origem, aproximadamente, no século XVIII, na Inglaterra, onde foi descoberto que a presença do animal traz benefícios psicológicos, pedagógicos e sociais ao paciente, principalmente às crianças, pois o convívio com cães exerce efeitos benéficos no comportamento afetivo.

Sabe-se que, devido ao padrão de vida atual, muitos pais têm trabalhado fora durante o dia inteiro. Até mesmo a mulher, que antes cuidava da casa e da criação dos filhos, cada vez mais ganha espaço no mercado de trabalho, não tendo mais tanto tempo para o convívio diário com seus filhos. Atualmente os pais podem ficar absorvidos demais no frenesi da vida cotidiana para proporcionar aos filhos toda a atenção que eles precisam. Portanto, o estudo sobre o tema é de suma importância devido ao cenário atual, do mundo contemporâneo, em que as pessoas têm seu tempo cada vez mais limitado e o ritmo de vida cada vez mais estressante, levando-as a apresentar problemas de ordem psicológica.

Contudo, todos os avanços da ciência mostram que o convívio com outros animais que não somente o cão é considerado um dos melhores recursos terapêuticos. Os animais domésticos passaram a ser considerados importantes na sociedade por oferecer apoio emocional às pessoas. Para comprovar esta relação, foram realizadas diversas pesquisas científicas, obtendo várias informações relevantes para a Psicologia. Por exemplo, em 1999, Karen Allen (apud FARIA, 2004) cardiologista da Universidade de Nova York, agrupou 48 corretores do mercado financeiro (homens e mulheres) que apresentavam altos níveis de pressão arterial e estresse. Metades deles, escolhidos ao acaso, receberam um cão ou gato e passaram a morar juntos. Após um semestre o grupo “tratado” com animais de estimação tinha pressão arterial normal e o estresse reduzido à metade. Outros autores pesquisaram a sobrevivência de enfartados coronários possuidores ou não de animais de estimação. Nessa pesquisa, eles analisaram 92 pessoas. Destas 53 possuíam animais de estimação incluindo cães; neste grupo foi alcançado o índice de sobrevivência de 94%, após o infarto. No restante do grupo, que não possuía animais, o índice obtido caiu para 71%. Nos idosos, sabe-se que o animal proporciona a melhora da auto-estima devido ao contato físico e ao despertar do senso de responsabilidade. Pelo fato de terem que cuidar do bicho, as pessoas mais velhas passam a se sentir úteis. A introdução de animais em asilos é uma boa forma de recreação e socialização. (LIMA, 2005). Em muitos lugares, os animais são usados na recuperação de doentes, convalescentes e até presidiários. Na Europa, 30% das terapias de recuperação utilizam animais. Em San Francisco, nos Estados Unidos, existe um programa em que cães e gatos oferecem conforto a pacientes terminais de AIDS.

Podemos dizer, entretanto, que a relação das pessoas com seus bichos de estimação tornam-se danosa quando, por alguma necessidade, substituir outros vínculos que deveriam fazer parte de seu convívio. Significa afirmar que é hora de procurar ajuda psicológica quando não for mais possível estabelecer com outras pessoas uma relação afetiva e de convivência satisfatória, tentando compensar esta falta por meio dos animais. Tudo em excesso faz mal a saúde. Se os animais de estimação tomarem o lugar de outros vínculos que a pessoa deveria cultivar, de outras aquisições que deveria fazer, algo errado estará sendo sinalizado e a pessoa deverá ser encaminhada para ajuda psicológica ou para ajuda médica.

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