Você realmente sabe administrar o seu negócio? (Por Volnei F. de Castilhos)

Dando continuidade ao post anterior, segue o primeiro artigo, publicado, do Volnei Ferreira de Castilhos.

imagesPara que a empresa obtenha o tão desejado sucesso, além de ter um bom produto, possuir diferenciais competitivos, investir em pessoas, ter um foco definido no mercado em que irá atuar, é necessário que ela possua bons controles. Infelizmente, grande parte dos empresários – sejam os que já estão no mercado ou os que estão abrindo um negócio – acredita que basta uma boa idéia e capital para investir. Que por ser um pequeno empreendimento não há a necessidade de um planejamento estratégico ou de uma boa contabilidade para tomar decisões.

E este é o maior equívoco (prova disso é que uma recente pesquisa do SEBRAE revela que metade das micro e pequenas empresas fecham antes mesmo de completar dois anos). Independentemente do tamanho da empresa, o planejamento é essencial para a manutenção e crescimento do negócio.

Algumas recomendações e sugestões de relatórios e controles para organizar as finanças da empresa:

1)     Ter uma política de concessão de crédito nas vendas a prazo, bem definida;

2)     Agilidade para acompanhar e cobrar os recursos das vendas a prazo que estão em atraso;

3)     Possuir um relatório de controle de contas a receber;

4)     Ter um relatório de inadimplência, contendo os dias de atraso por faixas de valores;

5)     Desenvolver um relatório de duplicatas a pagar;

6)     Controlar o tempo que demora em vender todos os estoques;

7)     Ter um planejamento de compras em sintonia com as metas de vendas;

8)     Fazer levantamentos periódicos no inventário, com objetivo de prevenir fraudes, desvios, roubos e não manter estoques desnecessários;

9)     Ter relatórios que determinem o valor justo do preço de venda;

10)  Apurar corretamente os custos da empresa;

11)  Separar os custos da empresa em variáveis e fixos e observar suas evoluções mensais;

12)  Acompanhar a evolução dos custos fixos em relação à evolução do faturamento da empresa;

13)  Acompanhar a evolução das despesas operacionais da empresa;

14)  Ter relatórios que mostrem a margem de contribuição dos produtos;

15)  Ter uma boa contabilidade gerencial para tomada de decisão;

16)  Avaliar o impacto dos Custos Financeiros nas operações da empresa;

17)  Não fazer nenhum investimento sem verificar o comportamento e a disponibilidade financeira da principal ferramenta da Gestão Financeira das Empresas: o Fluxo de Caixa.

18)  Usar recursos de longo prazo para investimentos em construção e imobilizados com o objetivo de não sacrificar o capital de giro da empresa.

Dica de Livro: Guia Prático de Administração Financeira – Robert Assef – Editora Campus

Volnei Ferreira de Castilhos: volneifc@terra.com.br

Novo colunista, Volnei Ferreira de Castilhos!

A partir deste post, estaremos publicando todas as quartas-feiras, os artigos do Volnei Ferreira de Castilhos, a seguir apresentamos o seu Mini-CV:

  • Contador, Pós Graduado pela Fundação Getúlio Vargas, Mestre em Finanças pela UFRGS;
  • Atualmente é Professor da Fundação Getúlio Vargas;
  • Foi Professor da Universidade de Caxias do Sul – UCS por 13 anos;
  • Consultor de Empresas nas áreas:  Financeira, Planejamento, Controladoria, Profissionalização de Empresas Familiares e Reestruturação de Empresas;
  • Consultor de Finanças Pessoais;
  • Auditor do CDL de Caxias do Sul;
  • Foi Gerente Administrativo-Financeiro e Controller de empresas de médio e Grande Porte em Caxias do Sul, e;
  • Membro do Conselho Fiscal da Sociedade Criança Feliz.

Segue a conta de e-mail do Volnei Ferreira de Castilhos: volneifc@terra.com.br

Compulsão à Internet – Parte 1 (Por Patrícia Prigol)

cumpulsão a internetNão sabemos, até o momento, se os problemas apresentados em relação ao uso da internet serão clinicamente significativos no futuro ou serão irrelevantes. O que se tem observado é que seu uso (compulsivo) pode estar presente em diversas psicopatologias. Às vezes aparecendo como condição primária a essas patologias, às vezes aparecendo como condição secundária. Na condição secundária temos, por exemplo, a adicção ao jogo e ao sexo. No outro caso, como condição primária temos a possibilidade de uma nova descrição psicopatológica, ou seja Adicção à Internet!

Como não há, ainda, uma classificação diagnóstica específica para esses casos, é mais sensato utilizar a denominação “compulsão à Internet” aos usuários que, além de preencherem critérios de adicção, recorrem à Internet para jogos, bate-papo e pornografia. Uma diferenciação no comportamento do usuário da Internet se faz necessária para àqueles que, em contrapartida, fazem uso desta ferramenta como um importante meio de trabalho, além de uma vasta fonte de informação. Portanto, há a necessidade de diferenciarmos o lazer, o trabalho e a informação da adicção, propriamente dita.

Com todos esses cuidados, os partidários da classificação desta síndrome definem o dependente como a pessoa que se utiliza excessivamente da Internet gerando uma distorção de seus objetivos pessoais, familiares e/ ou profissionais. Se uma pessoa passa horas e horas conectada, negligenciando responsabilidades e necessidades familiares, pessoais e profissionais de forma reiterada, podemos estar diante de uma situação de adicção. Mesmo assim, não está claro se a compulsão à Internet deva ser considerada uma patologia própria ou se ela representa apenas um sintoma de algum outro estado emocional subjacente.

Portanto, não é de se estranhar que tenham surgido diversas hipóteses sustentando existir um uso patológico da Internet, e que tal uso, para alguns estudos, têm como resultado o desenvolvimento de transtornos emocionais ainda não classificados nos manuais diagnósticos (DSM-IV, CID-10). Para outros, o contrário, ou seja, alguns transtornos emocionais e de personalidade é que favoreceriam a adicção à Internet. Ex: pessoas que possuam determinadas patologias podem desenvolver compulsão à Internet. São os casos de:

  • Fobia Social ou Transtorno de Ansiedade Social;
  • Transtorno da Personalidade por Evitação ou Personalidade de Esquiva, e;
  • Transtorno da Personalidade Dependente.

Sabe-se, contudo, que outras psicopatologias também podem estar associadas ao uso compulsivo à Internet. Dentro da categoria das dependências sem substância, que podem ser comparadas à comportamentos compulsivos, a única reconhecida nas classificações oficiais (CID-10 e DSM-IV) é o Jogo Patológico. Entretanto, o uso por compulsão à Internet, bem como o excesso de exercício físico (Vigorexia), de trabalho, o Sexo Compulsivo, a Compulsão às Compras, a Compulsão Alimentar, alguns incluídos nos Transtornos do Controle de Impulsos, são quadros que devem ser mais bem estudados pelas importantes implicações na vida cotidiana.

Alguns autores, os mais pessimistas, citam fatores sociais e culturais envolvidos neste processo, afirmando que o acelerado avanço tecnológico representa uma enorme ameaça ao convívio social, desestimulando e inibindo o desenvolvimento de competências e habilidades no trato social e familiar, no relacionamento interpessoal, os quais deveriam ser preservados se considerarmos as conseqüências danosas para àqueles que apresentam uma tendência ao isolamento e à solidão. Um exemplo notório deste comportamento limitador se vê através das mudanças na arquitetura dos ambientes e na engenharia civil. As residências são projetadas, desenhas, de acordo com esse movimento que propõe “ilhas de convivência”. A proposta das ilhas-dormitórios se apresenta numa espécie de “moradia individualizada”, dando a impressão de completa independência que, por sua vez, alimentaria uma fantasia onipotente e um sentimento de grandiosidade, os quais não se sustentariam no plano real. Para alguns autores, essas ilhas se traduzem em grandes fortalezas, onde ninguém entra e ninguém sai, uma espécie de simbiose na relação que se estabelece com o objeto compulsivo. A sensação que seus membros podem experimentar é de máxima proteção, o que limitaria, ainda mais, o contato com a realidade (interna e externa).

Hoje encontramos, em cada espaço das residências, toda a tecnologia à disposição das pessoas. Não haveria mais motivação para buscar a conexão pessoal já que uma simples tecla poderia aparentemente sustentar tal necessidade. A “sala de estar”, por exemplo, já não se mostra atraente para a família. A disposição tecnológica surpreendentemente monta mini-residências em cada quarto que compõe a ilha de cada membro da família, o que pode dificultar a interação e a função que pais e filhos deveriam desempenhar nos vínculos estabelecidos. Esses mesmos pais passam também muitas horas no trabalho (são os chamados workaholics) além daquelas horas que o ganho de dinheiro justificaria, ou diante da televisão, no bar, etc.

Distintos estudos sustentam que o uso da Internet poderia causar um impacto negativo em nossas relações sociais habituais, em nosso espaço cotidiano, levando-nos, por exemplo, a perder parte de nosso círculo social, a diminuir o tempo de comunicação familiar ou a incrementar o sentimento de solidão (Kiesler, 1999 – Kraut, 1998). Assim sendo, alguns autores têm postulado a existência de um Transtorno de Adicção a Internet, representado pela sigla TAI (IAD, de Internet Addictiom Disorder). Também foi usado o termo Uso Compulsivo de Internet ou Uso Patológico da Internet, com a sigla UPI (PIU, de Pathological Internet Use) (Young e Rodgers, 1998). Essa nova nosografia alcançou status científico a partir de um trabalho da Dra. Kimberly Young em 1996 (Estallo Marti, 1997).

José Luis Muñoz Mora faz uma colocação interessante em seu artigo. Diz que, enquanto o álcool, a maconha e a cocaína podem ser consideradas drogas que facilitam o contacto social, a adicção à Internet seria uma patologia que se desenvolve em pessoas de vocação solitária. Acreditamos que seriam, além de pessoas solitárias, também não desejosas do convívio interpessoal. Trata-se de uma opção de postura social, compensada e gratificada pela Internet, pois são comuns os traços de introversão na personalidade de informáticos compulsivos. Assim, a socialização e a comunicação interpessoal virtuais parecem constituir os elementos básicos do efeito adictivo da Internet para um grande número de internautas, manifestando-se através do intercambio dos chats, do correio eletrônico, participação em grupos de discussão, conversações em tempo real. Para outro grupo, a busca de prazeres sexuais negados pela realidade concreta tem sido o ponto chave, aparecendo sob a forma da busca continuada e excessiva de material erótico e pornográfico, podendo resultar em importantes disfunções sexuais.

Na segunda-feira da semana que vêm, continuaremos a explorar este assunto.

Não sabemos, até o momento, se os problemas apresentados em relação ao uso da Internet serão clinicamente significativos no futuro ou se serão irrelevantes. O que se tem observado é que seu uso (compulsivo) pode estar presente em diversas psicopatologias. Às vezes aparecendo como condição primária à essas patologias, às vezes aparecendo como condição secundária. Na condição secundária temos, por exemplo, a adicção ao jogo e ao sexo. No outro caso, como condição primária ao comportamento compulsivo, temos a possibilidade de uma nova descrição psicopatológica da Adicção à Internet.

Um Brinde para ir além!

Este é o título de uma matéria publicada pela Revista Psique e escrita pelo psicólogo e pedagogo Josef David Yaari, presidente do Instituto Pro-Líbera, entidade voltada para que cada pessoa se libere das amarras das ideologias ou doutrinas por meio de seminários, encontros e cursos, além de dar apoio a famílias e grupos operativos.

jumpyz0Assim dei início a uma profunda e impactante leitura, ecoando dentro de mim as experiências vividas na clínica e na minha vida pessoal. Houve ressonância! Era como se o colega estivesse extraindo o meu pensar e o meu sentir a respeito de assuntos e conteúdos polêmicos, porém, extremamente pontuais. Afirmar, por exemplo, que o ser humano vive em busca do “algo a mais” ou de uma motivação profunda que daria sentido para sua vida, não é nenhuma novidade. Mas estabelecer uma relação entre o prazer do sexo, do estômago e dos jogos de poder com a busca do sentido real que “abriria os canais para os diversos universos, os diversos patamares de nossa consciência, – existentes, mas não perceptíveis ao senso comum ou à cultura de massa” – foi realmente imprescindível para que eu pudesse compartilhar com vocês esta pretensa reflexão.

Podemos dizer que estamos vivendo uma fase de transição diante desse movimento social que busca, a qualquer custo, o prazer efêmero das sensações e do sentimentalismo inúteis para a nossa evolução. Esta fase transitória nos remete à transcendência, que é a capacidade de superar os limites normais, o que é esperado por meio desses jogos de prazer e de poder. Neste sentido, o autor inicia sua matéria com alguns questionamentos surpreendentemente intrigantes:

Afinal, vivemos pra quê? O que, de fato, é a nossa mais profunda motivação? Para que e para onde se move a nossa alma? É verdade que o que queremos, no fundo de tudo, é o prazer e o poder?

Neste sentido, percebemos que ainda se faz necessário o uso de determinados “rituais de passagem” para transcendermos a esses limites, do que é perceptível aos olhos do corpo físico. Rituais que incluem não somente as tradições e as chamadas “religiões”, mas toda e qualquer crença ou ideologia que convida as pessoas a experimentarem uma “morte simbólica”. É a morte do desejo pelo desejo, do sexo pelo sexo, da comida pela comida, do poder pelo poder.

Quando experimentamos o gozo do desejo efêmero e inútil, percebemos que nosso esforço foi em vão porque, em seguida, experimentamos uma espécie de “vazio” ou a “falta de”. Uma experiência de morte provocada pela falência de um outro desejo, mais profundo, mais intenso, mais real. Como disse o psicólogo Josef: “É o encontro com Thanatos (na mitologia grega, o deus da Morte) depois de viver o Eros (na mitologia grega, o deus da Vida) em todos os aspectos possíveis. Exatamente por isso ocorrem os rituais da morte simbólica nas tradições, no sentido de provocar o desapego, a possibilidade de superar suas próprias amarras”. Quando nos libertamos de tudo aquilo que, de alguma forma, nos aprisiona, das expectativas que tentamos corresponder para pertencer a esta ou aquela “tribo” (ou tradição), experimentamos o gozo real da liberdade conquistada por um processo de individuação. É quando encontramos a nós mesmos, transcendendo o mundo do sensacionalismo ou das emoções baratas e supérfluas que, muitas vezes, estão à serviço de organizações perversas que manipulam e controlam o nosso “querer”, a nossa liberdade de expressão e de escolha.

Assim, de forma contundente, o psicólogo afirma: “… em todos os nossos atos, seja aparentemente pelo poder, seja pelo prazer, estamos querendo exercer uma identidade que se supera e, daí, compartilhar o que conquistamos”.

Ou seja, celebrar nossas conquistas é poder tornar-se um SER único, integrado, indivisível, e, então, incorruptível!

Dica de Filme – Um Domingo Qualquer

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Durante toda sua extensa e vitoriosa carreira, Al Pacino construiu uma persona cinematográfica de respeito, dentro e fora de Hollywood, e foi em Perfume de Mulher que o ator atingiu seu ápice. Dennis Quaid é um tipo experiente que já fez um ótimo trabalho em Longe do Paraíso, e vêm amadurecendo com o tempo. Jamie Foxx é um ator carismático e que já conquistou seu espaço, não só pelo excelente desempenho em Ray. Cameron Diaz nunca fez nada que justifique seu status pop, sendo Coisas Que Você Pode Dizer só de Olhar Pra Ela a única exceção. Aaron Eckhart e Matthew Modine não são mais do que razoáveis. James Woods e Charlton Heston dispensam comentários, o segundo já é lenda.

É apoiado neste elenco estrelar que o diretor e roteirista Oliver Stone (que ainda massageia o ego com pequeno personagem que não influencia em nada na trama) pretende contar a sua versão sobre os bastidores do milionário mundo do futebol americano. A câmera de Stone assume ângulos épicos e capta muito bem o universo do american football, filmando um verdadeiro espetáculo do esporte. O diretor de Nixon, porém, erra em alguns pontos cruciais, e acaba afastando o espectador antes do final da metragem. Os problemas mais recorrentes da carreira do diretor estão aqui: a firula com a câmera, todo aquele malabarismo com efeito especial e personagens sem profundidade, com sentimentos baratos, gratuitos, superficiais.

O roteiro de John Logan e do próprio Stone peca na construção dos personagens. Ou melhor, o texto nem se preocupa com isso. A trama básica envolve um treinador (Pacino) que perde seu capitão e melhor jogador (Quaid) em meio a jogos importantes. Forçado a colocar um substituto, o treinador escolhe o novato William Beaman (Foxx), que rapidamente assume o status pop e vira o grande astro do time. Quando o capitão recupera-se e se coloca a disposição para voltar a jogar, o treinador não pensa duas vezes antes de colocá-lo em campo, só que recebe ordens superiores da autoritária (e “dona” do time) Christina Pagniacci (Diaz) para manter o jovem talento no time.

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Apesar dos deslizes, podem ser retiradas várias lições de Um Domingo Qualquer. O filme pincela uma trajetória interessante sobre a liderança, a criatividade e o trabalho em equipe. Uma delas diz que um bom profissional pode buscar propor novas idéias, não temer os debates, mostrar empenho e competência ao propor estas idéias, saber impor seus argumentos de forma a contribuir para o melhor andamento do ambiente de trabalho. Um bom profissional também deve saber que, se um elemento do grupo erra, todos erram. O mesmo vale para o sucesso. E assim caminha a humanidade.

A presença de um líder pode auxiliar ainda mais no desenvolvimento do trabalho, dando segurança e garantindo a manutenção do mesmo. Não obstante, torna-se essencial o esforço individual para que o grupo caminhe em sincronia rumo ao sucesso. Ademais, sabemos que é papel do líder entender e contribuir para que seus comandados possam alcançar realização e satisfação pessoal. Por outro lado, o líder precisa trabalhar em prol do grupo, buscando aumentar o sentimento de lealdade, comprometimento e confiança entre todos. Para o trabalho equipe funcionar na prática, o líder precisa estar atento e o grupo, consciente de suas obrigações. Depois disso, a criatividade surgirá ao natural, pois um grupo determinado e bem focado dificilmente deixará de alcançar seus objetivos.

A Fragilidade dos Laços Humanos

happiness_by_srebrinaPrecisamos entender os valores humanos vigentes em nossa sociedade para compreender a fragilidade dos laços sociais. Neste sentido, vou me apropriar do conceito que o sociólogo polonês Zigmunt Bauman criou para definir o momento que atravessamos. Uma sociedade neoliberal, pós-moderna e, pasme, segundo Bauman, uma sociedade “líquida”. Vivemos, portanto, a liquidez nos laços sociais e a, conseqüente, superficialidade nas relações, denunciando um novo movimento que declara a irrecusável busca de sentido, ao mesmo tempo em que “insinua” a possibilidade de construção de uma nova identidade social.

Os movimentos comportamentais, nesse novo período, simbolizam a proposta contida na instauração da modernidade que resultou nesta “liquefação dos vínculos”. Somos resultado dos efeitos da globalização que contribuíram para este novo cenário.

A professora de filosofia contemporânea Scarlett Marton, da Universidade de São Paulo, em entrevista para a Revista Cláudia, em junho do corrente ano, afirmou: “Vivemos um período de relativismo, não temos princípios tão firmes como os que existiram na sociedade vitoriana do século 19 ou mesmo na nossa sociedade das primeiras décadas do século 20. A idéia de que é preciso ter uma visão de conjunto do processo histórico e da sociedade, uma concepção do homem e da sua inserção social, histórica e cultural, tudo isso está caindo em desuso e sendo substituído por algo fragmentário”.

Também fracassa toda e qualquer tentativa de aprofundar relações assumindo compromissos mais duradouros. Como bem retrata Bauman, num de seus livros, O Amor Líquido: “(…) é como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro”. Somos levados por esta cultura que apresenta um MUNDO INSTANTÂNEO e um “manual de instruções” ditando a regra principal: “é preciso estar pronto para outra”, e a qualquer momento.

Para “pertencer” e corresponder a esta nova ordem social, é preciso se ligar, se conectar com o mundo, mas é imprescindível cortar dependência. Deve-se amar, porém sem muitas expectativas, pois elas podem rapidamente transformar um bom namoro num sufoco, numa prisão. Um relacionamento intenso pode deixar a vida um inferno. Entretanto, nunca houve tanta procura em relacionar-se. Bauman vê homens e mulheres numa verdadeira trincheira sem saber como sair dela e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela. Por isso, movimentam-se em várias direções, entram e saem de casos amorosos com a esperança mantida à custa de um esforço considerável, tentando acreditar que o próximo passo será o melhor. Ele ainda acrescenta: “(…) os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas à distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão. A solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão parece uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum. Hoje, estamos mais bem aparelhados para disfarçar nossos medos antigos. Nesta sociedade líquida, tememos o que em qualquer período da trajetória humana sempre foi vivido como uma ameaça: o desejo e o amor por outra pessoa.”

Se por um lado vivemos a era do individualismo, por outro, temos a chance de transformar este cenário, podendo estabelecer relações mais construtivas, com flexibilidade e liberdade do SER. Avançar, no sentido da evolução do homem, não significa deixar “a fila andar”, mas rever conceitos e valores trazidos nesta possível mudança de mentalidade.

Dica de Filme – Menina de Ouro

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Poucos cineastas do cinema contemporâneo têm um currículo tão regular como Clint Eastwood. O velhote, apesar de seus 78 anos, ainda anda fazendo coisa boa. O cineasta revelado por Sergio Leone conseguiu dirigir obras-primas durante sua carreira e, mais importante que isso, obras que acabaram servindo de inspiração e exemplo para jovens diretores, como é o caso do clássico western “Os Imperdoáveis” e do romanticamente dramático “As Pontes de Madison“, por exemplo. Essa estabilidade é acentuada ainda mais com obras mais recentes como “Sobre Meninos e Lobos” e os irmãos-gêmeos “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima“. Arriscando se queimar, Clint resolveu filmar um filme sobre boxe. Mas, aí que entra um pequeno erro de conceito. “Menina de Ouro” não é um mero filme sobre o esporte. Eastwood usa toda sua experiência para montar um cenário perfeito e discutir amor, amizade e confiança. E faz isso com autoridade.

Dizer que o legado do “Touro Indomável” de Scorsese poderia trazer problemas para o longa, seria algo natural, visto que o trabalho de Scorsese criou sobre os próximos filmes do gênero, uma espécie de paradigma. Não obstante, Clint foge completamente do estigma proposto por Scorsese, apelando para um tema universal e, inevitavelmente, político. Tudo bem, Clint Eastwood nunca foi um cineasta original e não foi com “Menina de Ouro” que ele se tornou um. Por outro lado, Clint pode contar um Paul Haggis inspirado, que escreveu um roteiro praticamente impecável. Haggis preferiu não esmiuçar todos os ensinamentos que o filme transmite (e eles são muitos), deixando essa parte para o espectador. Paul conseguiu fazer o público pensar, e isso foi fundamental para que o produto final do longa pudesse obter uma lição de moral silenciosa, mas que está lá.

O filme traz a cabo a estória do treinador de boxe Frankie Dunn (Clint Eastwood). Dunn está distante da filha há muito tempo porque ele mesmo é extremamente fechado em seus relacionamentos. Enquanto luta para mudar isso, chega em sua academia a jovem Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), que está determinada a ser treinada a ponto de se tornar uma boxeadora profissional. Mas, antes disso, ela precisa encontrar alguém que realmente acredite em seu potencial e é em Frank que ela vê essa pessoa.

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Apesar de não demonstrar, a estrutura básica do roteiro também fala sobre a importância da autoconfiança, do trabalho em equipe, da perseverança, e, claro, um pouco sobre criatividade. Quando Maggie conhece o professor Dunn, por exemplo, inicia ali um vínculo de amizade muito forte, terno. Isso tudo acaba ocasionando em outros fatores essenciais para o sucesso, como o trabalho em conjunto, algo que os dois parecem determinados a partilhar para alcançarem seus objetivos. Determinados, os dois deixam-se levar pela imaginação, traçando objetivos e metas a serem batidas. A partir daí, nota-se que as coisas começam a melhorar e então já está consolidado um trabalho bem executado.

Apesar do esforço despendido, a recompensa de saber que todo o esforço não foi em vão e que valeu ser persistente supera qualquer dificuldade. É uma sensação a que todos têm direito de experimentar, e é só querer e trabalhar para tanto.

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Um dos principais Transtornos do Humor: o Transtorno Bipolar

bipolarAntigamente era chamado de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD). Hoje, devido aos avanços da psiquiatria, a Bipolaridade é classificada como um dos principais transtornos do humor, podendo ser denominada de Transtorno Bipolar ou, comumente, de Transtorno Afetivo Bipolar. Assim, identificamos os sintomas na pessoa que experimenta mudanças extremas no seu estado de humor, nas cognições e no comportamento. Este transtorno caracteriza-se por episódios alternados de depressão e mania (euforia), recorrentes.

É a intensidade e a severidade dos sintomas presentes no transtorno que o diferencia das tão comuns “mudanças de humor” pelas quais passamos quase todos os dias.

Alguns sintomas comuns na fase depressiva do Transtorno Bipolar:

  • Diminuição acentuada do interesse ou do prazer.
  • Sensação de esgotamento e fadiga constante (letargia e prostração).
  • Alterações na memória (esquecimentos), na atenção e concentração.
  • Alterações de peso e apetite.
  • Insônia ou hipersônia (sono excessivo).
  • Sentir-se sem valor ou culpa excessiva por perceber que seu ritmo diminui consideravelmente.

Alguns sintomas comuns na fase maníaca (da euforia):

  • Sensação de bem-estar e energia em excesso.
  • É comum a presença de várias idéias e pensamentos que “invadem a mente”, levando a um aumento de ações e até mesmo de novos empreendimentos.
  • Envolvimento excessivo em atividades que implicam em risco.
  • Envolvimento excessivo no trabalho.
  • Diminuição da necessidade de dormir (pode passar a noite acordado e trabalhar no dia seguinte sem sentir-se fadigado).
  • Auto-estima e grandiosidade excessivas.
  • Pode apresentar episódios de compulsão: à compras, ao sexo, à alimentação, ao esporte, às drogas.
  • É freqüente o uso de bebidas alcoólicas na tentativa de aliviar ou minimizar os sintomas.

O chamado Transtorno Bipolar pode ser incluído em duas categorias:

  • O Transtorno Bipolar do Tipo I, no qual acontecem episódios maníacos (de euforia) graves que se caracterizam, por vezes, pela presença de sintomas psicóticos, necessidade de hospitalização ou prejuízo acentuado no convívio social ou ocupacional e familiar.
  • O Transtorno Bipolar Tipo II, no qual os episódios depressivos se alternam apenas com hipomanias, ou seja, com episódios eufóricos leves.

A causa do Transtorno Bipolar ainda não é conhecida. Ele é considerado um transtorno de caráter multifatorial. Contudo, sabe-se que existe uma predisposição biológica (genética) que é herdada, à qual são somados fatores ambientais, resultando no aparecimento dos sintomas.

O diagnóstico do Transtorno Bipolar é feito por especialistas (psiquiatras) e no tratamento são usados estabilizadores de humor, antidepressivos e neurolépticos (antipsicóticos). A utilização destes medicamentos e a combinação dos mesmos são feitas de acordo com as necessidades de cada caso e a decisão é tomada em conjunto, utilizando-se de entrevista clínica e, às vezes, da presença de familiares, podendo incluir a avaliação psicológica em casos de atendimento por profissional desta área.

Além do tratamento com medicamentos, recomenda-se psicoterapia, pois inúmeras pesquisas comprovam a eficácia nesta associação. Geralmente o transtorno bipolar dura a vida toda, sendo que o paciente pode obter alta nos processos psicoterápicos, contudo, não costuma obter alta da medicação. Justifica-se tal prescrição devido aos fatores biológicos (genéticos e hereditários) e conseqüente disfunção bioquímica. Se o transtorno não for devidamente tratado, sérios prejuízos podem ocorrer, nos vínculos familiares, na vida social e na estabilidade econômica do indivíduo. Uma vez que não existem meios para evitar que o transtorno se desenvolva, quanto antes ele for identificado, maiores serão as chances de minimizar estes prejuízos e até mesmo de controlá-los.

Dica de Filme – 12 Homens e Uma Sentença

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Em seu primeiro trabalho como diretor de um longa-metragem para o cinema, o hoje autoral Sidney Lumet não poupou esforços para moldar um dos filmes mais fantásticos da história do cinema. Com uma direção genial, composta por delirantes ângulos e planos americanos, Lumet entregou mais uma obra-prima para a gloriosa década de 50. A rigor, o filme de Lumet é uma sucessão de diálogos brilhantes e cortes impecáveis, onde o diretor consegue transmitir a angústia dos personagens apenas com enquadramentos e closes. O diretor arremessa sem cerimônia o espectador, que assiste a tudo extasiado, para dentro da história. 12 Homens e Uma Sentença fala diretamente à razão e mostra que nossas escolhas merecem ser repensadas, sempre.

Essa obra-prima de Sidney Lumet é a prova de que uma história não precisa ser necessariamente complexa e provida de material didático intelectual para funcionar. Com um argumento seco e direto, sem enfeites e com personagens fortes e realistas, 12 Homens e Uma Sentença mantém o espectador vidrado na tela, literalmente embasbacado com o que vê diante de seus olhos. Mais que uma aula de cinema, o filme é um ensaio sobre a gramática cinematográfica e um exercício completo sobre a condução da narrativa. Mas que deve ser revisto muitas vezes, pois a direção de Lumet é tão discreta quanto eficiente e pode não denunciar todo o seu brilhantismo logo à primeira vista.

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O filme conta a história dos doze homens do título que fazem parte do júri encarregado de decidir o futuro de um menino acusado de matar o pai a facadas. O filme, que foi filmado em uma única locação, com exceção da primeira e da última cena – pouco mais de três minutos de duração – é ambientado na sala do júri, onde será decidido se o garoto será condenado ou não. A decolagem e o desenrolar da trama é conduzido com maestria, definitivamente não percebemos que estamos nos envolvendo tanto com um filme dirigido por um estreante. A maneira como Lumet vai preenchendo as lacunas deixadas pelo quebra-cabeça criado pelo roteiro de Reginald Rose é espetacular, e qualquer desvio de atenção ameniza e absorve a tensão eletrizante elaborada com precisão pelo diretor.

Em meio aquele clima claustrofóbico, o diretor fala sobre liderança, trabalho em equipe e, principalmente, sobre o comportamento humano. A sensação dos personagens, o público sente na pele, e passa então a discutir os temas postos à prova pelo filme. A longa e complexa tarefa de liderar, o cauteloso processo de gerenciamento de um trabalho coletivo e a reação de tudo isso no ser humano. O resultado pode ser eficiente se realizado com perícia, mas também pode causar transtornos caso os integrantes entrem em conflito – entre eles ou com o líder do grupo.

No filme, quem toma as rédeas da liderança é o personagem de Henry Fonda que, aos poucos, ganha confiança dos demais e passa a organizar a situação. A equipe sente a presença do “capitão” e passa a acatar suas ideias de forma mais sensata e coerente com o trabalho. De fato, o resultado é satisfatório, pois com o grupo bem gerenciado o trabalho flui naturalmente saudável. Se observado com atenção, 12 Homens e Uma Sentença pode ser uma dica imperdível para qualquer ramo empresarial.