Qual é a importância das “identificações” e como elas surgem no tratamento psicoterápico? (Por Por Patrícia Prigol)

O fenômeno da Identificação é considerado um conceito de especial importância na psicanálise, porque, por meio dele, o sujeito se constitui e se transforma, assimilando parcial ou totalmente os aspectos, atributos ou traços das pessoas mais íntimas que o cercam. Isso está de acordo com a morfologia da palavra “identifica”, que significa “tornar idem”, ou seja, “igual” ao seu modelo. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações, havendo muitas formas de processar a identificação, como as que seguem:

  1. Com a figura amada e admirada – é a forma que estabelece as identificações mais sadias, estáveis e harmônicas;
  2. Com a figura idealizada – costuma ser frágil, custa ao sujeito o preço de um esvaziamento de suas capacidades e uma pequena tolerância às frustrações;
  3. Com a figura odiada – configura o que se conhece como “identificação com o agressor”;
  4. Com a figura perdida – é a base dos processos melancólicos;
  5. Com a figura atacada – o que, particularmente, o psicanalista  David Zimerman denomina como “identificação com a vítima”, e;
  6. Com os valores que foram impostos pelos pais e educadores em geral.

terapia2Em psicoterapia de orientação psicanalítica o sujeito é estimulado a estabelecer uma relação transferencial – por meio do vínculo terapêutico – para que essas identificações possam emergir a fim de transformar os comportamentos disfuncionais apreendidos e internalizados por ele. Essa transformação se dá através da interpretação desses conteúdos e das intervenções que o psicoterapeuta faz durante as sessões na tentativa de ajudar o sujeito a ressignificar (dar novos significados) à sua conflitiva (suas vivências e/ou seus traumas originados a partir do processo da identificação).

Dependendo da fase em que o sujeito se encontra no tratamento psicoterápico e do nível transferencial estabelecido – no vínculo terapêutico -, as identificações (citadas acima) poderão se fazer presentes e atuantes a ponto de mobilizar sentimentos e emoções que, se não forem devidamente interpretados (trabalhados), provavelmente as resistências se intensificarão a ponto do sujeito interromper ou tentar interromper seu tratamento.

Contudo, nem sempre a interrupção do tratamento se dá pela falta de interpretação correta do psicoterapeuta a respeito de tais conteúdos ou pela resistência do sujeito em admitir a presença destes (falta de enfrentamento com relação às emoções e sentimentos que se encontravam reprimidos ou suprimidos pelos mecanismos de defesa utilizados), mas, também, pela ausência do real desejo em tratar efetivamente suas “feridas emocionais” causadas pelo conflito manifestado.

Cabe destacar que são inúmeros os aspectos e conteúdos que se manifestam por meio do vínculo terapêutico num processo transferencial. A própria “simbiose”, é um exemplo, na tentativa de ser transferida (processo inconsciente do sujeito) para a relação terapêutica. Nesse caso, o que pode ilustrar bem a possível interrupção de um tratamento pelo sujeito é quando ele não encontra na figura do psicoterapeuta a “mãe” ou a função que sempre buscou por meio da figura materna, não conseguindo, portanto, estabelecer uma relação de dependência em seu tratamento. É quando ele “fracassa” na tentativa de se sentir totalmente protegido pela figura do terapeuta. Quando a própria interpretação desse “desejo” se faz, o sujeito, então, não suporta a frustração diante da impossibilidade de realização do seu desejo mais primitivo, ao contrário do que costuma fazer: persistir em contrair vínculos de natureza simbiótica. Assim, o sujeito interrompe seu tratamento, obviamente, “culpando” ou responsabilizando o psicoterapeuta pelo seu próprio fracasso. Nesse caso, o sujeito se recusa a encontrar no ambiente limites e frustrações que o fariam passar do princípio do prazer para o princípio da realidade.

Por isso é importante avaliar inicialmente tanto a psicopatologia apresentada quanto o nível de motivação do sujeito. A psicoterapia consiste, portanto, em ajudar no processo de transformação para que o sujeito ultrapasse os limites que o mantiveram aprisionados no processo da identificação, principalmente aqueles que contribuem para sua estagnação ou para a limitação de sua capacidade (de seu poder de realização).

Quais as diferenças entre Psicanálise, as Psicoterapias e a Terapia Análitica (Por Por Patrícia Prigol)

Segundo o autor David Zimerman, em seu livro Psicanálise em perguntas e respostas, verdades, mitos e tabus: “Excessivas idealizações ou distorções a respeito da psicanálise foram responsáveis pela formação de diversos mitos acerca da figura do psicanalista”. Portanto, justifica-se uma distinção entre psicanálise, psicoterapia e terapia analítica, além de se compreender melhor o papel desempenhado por psiquiatras, psicanalistas, psicólogos e psicoterapeutas. É exatamente este o objetivo: clarificar os papéis, as funções destes profissionais e suas possíveis linhas de trabalho, além de apresentar, nas próximas edições, as abordagens psicoterápicas (as mais atuais), podendo, contudo, estabelecer as diferenças no funcionamento de algumas estruturas psíquicas.

Assim, iniciamos esta sequencia de artigos podendo dizer que a PSICOTERAPIA tem uma finalidade mais restrita do que o tratamento psicanalítico (a análise). Sua finalidade é, por exemplo, resolver crises vitais e acidentais; remover sintomas agudos de quadros de transtornos mentais, como angústia, fobia, paranóia, etc., propiciar melhor adaptação na família, sociedade e trabalho; dar apoio com vistas a um melhor enfrentamento de situações difíceis. Habitualmente, as psicoterapias (tanto individual quanto grupal) são realizadas em uma média de duas sessões semanais, mas nada impede que possa ser uma sessão semanal, quinzenal ou até mesmo mensal. O tempo de duração de uma psicoterapia pode ser breve (por exemplo, “focal”, que visa à resolução de um foco específico de sofrimento) ou longa, que perdura enquanto estiverem, de fato, se processando melhoras na qualidade de vida da pessoa.

Já um TRATAMENTO PSICANALÍTICO (ANÁLISE) visa a um maior aprofundamento, isto é, vai além dos inequívocos benefícios terapêuticos acima mencionados, sendo que o maior objetivo de uma análise é conseguir mudanças da estrutura interior do psiquismo. Objetiva, portanto, realizar verdadeiras e permanentes mudanças caracterológicas, de sorte a melhorar a qualidade de vida para uma pessoa que, por exemplo, seja exageradamente obsessiva ou histérica, fóbica, depressiva, paranóide, psicossomatizadora, etc. Isso, na hipótese de que essa caracterologia, embora sem sintomas manifestos, de alguma forma possa estar prejudicando a si próprio e / ou aos demais, com sensíveis prejuízos e inibições nas capacidades afetivas, intelectuais, comunicativas, criativas e de lazer. Um tratamento psicanalítico habitualmente é processado com quatro (ou três) sessões semanais, comumente (mas não obrigatoriamente) com o paciente deitado no divã, e tem uma duração de vários anos.

O termo TERAPIA ANALÍTICA (ou psicoterapia de orientação psicanalítica) designa aquele tratamento em que há certa superposição de psicoterapia e psicanálise e cujo denominador comum consiste na utilização do “método analítico” que, fundamentalmente, consiste em um conjunto de conhecimentos teóricos e procedimentos técnicos que possibilitam um acesso ao inconsciente do paciente. Alguns autores e professores, no passado, estabeleciam enorme abismo entre psicoterapia e psicanálise. Na atualidade, o que se observa é uma redução de diferenças e uma superposição de semelhanças entre ambas.

Independentemente da abordagem terapêutica, da teoria e da técnica empregada, o mais importante é que a pessoa possa procurar os profissionais especializados e capacitados para realizar psicoterapia. Este pode ser o melhor caminho e o mais seguro em direção a superação das suas dificuldades.

Quais as diferenças entre Psicanalista, Psiquiatra, Psicoterapeuta e Psicólogo? (Por Por Patrícia Prigol)

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Toda pessoa que procura ajuda médica e / ou psicológica tem o direito de tomar conhecimento da formação e da qualificação dos profissionais. Exatamente por isso, faz-se necessário um melhor esclarecimento quanto a formação e a capacitação destes:

Psicólogo: profissional formado por uma faculdade de Psicologia (curso de duração de cinco anos em média) que o habilita a exercer:

  1. Psicoterapia, em suas diversas modalidades.
  2. Psicologia Organizacional (em empresas).
  3. Aplicação de psicotestes, como um recurso de finalidades diagnósticas e de seleção de pessoal.
  4. Psicologia Escolar ou Educacional (nas escolas).
  5. Exercício da Psicanálise Clínica (desde que complemente sua formação básica de psicólogo com uma nova, exaustiva e específica formação de psicanalista, em alguma instituição reconhecida).

Psiquiatra: um médico pode candidatar-se a fazer uma formação psiquiátrica em alguma instituição reconhecida, onde ele fará um curso especial que tem uma duração média de quatro anos. Uma vez aprovado, ele estará em condições de exercer psicoterapias e de tratar “pacientes psiquiátricos” (como psicóticos hospitalizados, depressões graves, crises de pânico, drogaditos, etc.) com medicação psicotrópica. Caso o psiquiatra queira tornar-se um psicanalista, deverá ter o complemento de uma completa formação psicanalítica. Na atualidade um grande número de psiquiatras exerce uma “psiquiatria dinâmica”, mais voltada para tratar dos dinamismos dos transtornos psíquicos, enquanto outro expressivo número deles dedica-se prioritariamente à “psiquiatria biológica”, com o respectivo emprego da moderna psicofarmacologia e com um respaldo nos conhecimentos portados pelas neurociências.

Psicanalista: tanto um psiquiatra como um psicólogo que desejam tornar-se psicanalistas deverão procurar uma sociedade psicanalítica filiada a uma entidade internacional mater (IPA), submeter-se a uma seleção rigorosa e, na condição de “candidato”, a uma “análise didática” (duração média de 7 anos) concomitantemente com seminários teórico-técnicos, supervisões individuais e coletivas, apresentação de monografias, comparecimento a reuniões clínicas semanais, participação em jornadas e congressos, etc. Para a obtenção da condição de psicanalista, no mínimo é necessário que o candidato egresso do Instituto de Psicanálise submeta a uma assembléia a apresentação de um trabalho clínico com vistas a passar da condição de “candidato” para a de “membro associado”. Daí, se ele desejar, poderá ascender a outras posições prosseguindo em seus estudos. Assim, um psicanalista está habilitado a exercer a psicanálise clínica, com o uso do divã para os seus analisados, com um maior número de sessões semanais, tendo em vista o propósito de um acesso às regiões profundas do inconsciente que determinam os nossos traços de caráter, conflitos, sintomas, inibições, angústias e transtornos de psicopatologia.

Psicoterapeuta: é uma denominação mais genérica que designa a condição de um técnico especializado – psicólogo, psiquiatra ou psicanalista – exercer uma função de tratar algum paciente com alguma forma de psicoterapia fundamentada em princípios variados, conforme determinadas correntes que mereçam um crédito de idoneidade.

Síndrome do Fim do Ano – Mudanças de Humor podem revelar sintomas depressivos (Por Por Patrícia Prigol)

O fim do ano se próxima e com ele todas as nossas expectativas, projetos e investimentos passam por uma espécie de “retrospectiva”. Assim como assistimos aos programas televisivos que apresentam os principais acontecimentos do ano, também nos reportamos para o que construímos (ou não) neste período, através das nossas próprias escolhas e da forma como enfrentamos as situações que nos foram apresentadas.

É comum recebermos uma demanda maior de atendimentos nos Consultórios de Psicologia a partir do segundo semestre do ano. A demanda aumenta ainda mais quando nos aproximamos do Natal. As pessoas, de modo geral, se mostram mais estressadas, mais angustiadas e deprimidas. É a síndrome do fim do ano. Um acontecimento que se repete a cada ano.

Obviamente que precisamos fazer uma leitura apropriada dos fatores que interferem nesta mudança de humor que todos nós, em alguma ocasião e por alguma razão, podemos experimentar. Não cabe mais seguir restritamente o manual de descrição dos transtornos de humor (DSM IV) sem considerar o contexto histórico, social e familiar de cada pessoa. Saber diferenciar o que faz parte do momento que vivemos, das influências do meio e a forma como lidamos com as nossas expectativas, faz enorme diferença na hora de avaliar se estamos sofrendo o impacto desses agentes estressores, porém, conseguindo administrar as intempéries, ou se é hora de pedir ajuda de um profissional especializado para poder checar nossas reações frente a essa demanda.

99Em outras palavras, podemos ter, ao longo da nossa vida, momentos de tristeza e ansiedade, alternando com momentos de alegria e positividade. Contudo, se apresentarmos um humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por quase todas as atividades que fazem parte da nossa rotina, podendo incluir características de irritabilidade constante por, pelo menos, duas semanas, estaremos vivenciando um “Episódio Depressivo Maior”. O Episódio Depressivo Maior é diferente do Transtorno Depressivo Maior, mas deve, sim, chamar a atenção da pessoa que o experimenta, procurando identificar os principais pontos ou fatores que contribuíram para este quadro. Toda pessoa que passa por, pelo menos, um episódio depressivo deve ficar atenta às possíveis causas que determinaram o surgimento desses sintomas. Isso porque a pessoa pode estar sinalizando uma tendência ao Transtorno Depressivo Maior. Sendo que este, por sua vez, é caracterizado por um ou mais Episódios Depressivos.

A saber, o Transtorno Depressivo Maior, o Transtorno Distímico e o Transtorno Depressivo sem outras especificações são denominações utilizadas para diagnosticar um distúrbio específico de humor que se caracteriza pela sintomatologia, produzindo prejuízos significativos na qualidade de vida e na rotina das pessoas. No caso do Transtorno Distímico, este é caracterizado por um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, por pelo menos dois anos. É importante destacar que existe diferença entre o Transtorno Depressivo Maior, também identificado como “Depressão Unipolar” e o Transtorno de Humor Bipolar, comumente chamado de “Bipolaridade” ou “Transtorno Afetivo Bipolar”, sendo este último, anteriormente descrito e caracterizado.

Na dúvida, é sempre bom consultar o médico especialista ou o psicólogo em busca de um diagnóstico diferencial. Este pode ser feito com base na sintomatologia apresentada e no histórico do paciente.

Assim, o diagnóstico é realizado com base em entrevistas psiquiátricas e avaliações psicológicas, sendo que o tratamento para estes transtornos inclui, muitas vezes, a administração de medicamentos (específicos para cada caso) e a associação de psicoterapia visando auxiliar a pessoa na mudança de hábitos e comportamentos.

Estresse de Fim de Ano (Por Por Patrícia Prigol)

42-15528410Nesta época, de fim de ano, a retrospectiva dos “melhores e piores” momentos vividos faz com que muitos entrem em contato com um sentimento de tristeza e pesar do que não foi conquistado durante o ano (as metas que não foram atingidas), levando, em alguns casos, a uma frustração que pode se tornar mais intensa e difícil de se lidar. A permanência neste estado de frustração pode levar a um sentimento de tristeza maior (ou melancolia) caracterizando, muitas vezes, um episódio depressivo na vida da pessoa. Este “estado de melancolia” pode surgir quando já não se consegue mais dar conta das emoções e dos sentimentos que acabam por paralisar as ações ou atrapalhar a rotina. É quando a rotina começa a pesar demais e aquilo que antes fazia parte do dia-a-dia, toma uma proporção maior e uma densidade tal que a pessoa sente-se incapaz de enfrentar.

O “espírito natalino”, muitas vezes, leva as pessoas a um mergulho ao passado, uma espécie de “resgate dos valores humanos” e de tudo aquilo que passa a ter um significado e um sentido maior em suas vidas. É normal, portanto, ficar mais sensível à época, pois ao “retornar à casa” , resgata-se um passado que representa a trajetória do sujeito: suas escolhas e o caminho trilhado até o momento. As lembranças tomam espaço em meio a rotina das pessoas, levando-as a experimentarem sentimentos que ainda estão presentes e que, nem sempre, são simples de serem recordados.

Porém, há uma boa notícia em meio a essa turbulência de emoções: o ser humano precisa conectar-se, entrar em contato com a sua essência, com tudo aquilo que o define “humano” e, mais, que faz com que ele se dê conta do que é, e não de como está. Esta é a principal diferença do momento depressivo ou da depressão situacional: as emoções natalinas poderão ajudar as pessoas a reencontrarem-se novamente, internamente, para depois compartilhar com o outro as suas verdadeiras conquistas, os seus verdadeiros achados.

Por tudo isso, cabe lembrar que apesar de nos “deprimirmos” um pouco no Natal, o Ano Novo logo chega para brindarmos quem verdadeiramente somos e tudo aquilo que ainda poderemos conquistar. Para alimentar a esperança em dias melhores, num futuro próximo que nos remeta ao recomeço, as novas possibilidades, a um novo caminho.

E para aqueles que, por ocasião, perceberem que as emoções ou o sentimento de tristeza maior (melancolia) começar a atrapalhar a rotina de forma expressiva, cabe salientar que o mais importante é reconhecer que é hora de pedir ajuda. Se não conseguir, por alguma razão, pedir ajuda diretamente ao profissional da área da saúde mental, que possa, então, solicitar este auxílio a um familiar ou amigo mais próximo para que este venha interceder, ajudando a pessoa a buscar um tratamento que traga não somente o alívio dos sintomas, mas a compreensão de suas possíveis causas. É enfrentando a realidade que a pessoa poderá ser ainda mais feliz.

Para encerrar o ano, escolhi uma mensagem de Fernando Pessoa e dedico a mesma para todos os leitores da minha coluna, parceiros e amigos nesta caminhada:

“Há tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações.

Eu gosto é do espelho! Transtorno da Personalidade Narcisista (Por Patrícia Prigol)

narcisoSegundo o psicanalista David E. Zimerman, no livro Psicanálise em Perguntas e Respostas, Verdades, Mitos e Tabus, certo narcisismo faz parte da etapa evolutiva de todo ser humano podendo se prolongar ao longo de toda vida com características absolutamente normais e sadias, porquanto estão representando um bom nível de autoestima, uma expressão de a pessoa gostar de si mesma uma vaidade e um orgulho próprio pelo reconhecimento de seus valores e progressos reais. Em contrapartida, existe uma alta probabilidade de que as manifestações narcisistas fiquem tão exacerbadas que adquiram uma característica patológica, com transtornos no pensamento e na conduta, como retratam os seguintes aspectos:

Acentuado egocentrismo do sujeito: tudo e todos devem girar em torno do “seu umbigo”.

Dificuldades em ter consideração e amor pelas outras pessoas: o narcisista somente ama a quem o ama de forma incondicional.

O orgulho normal se transforma em arrogância e prepotência.

A tolerância à frustração é baixíssima.

No entanto, os transtornos narcisistas podem se manifestar por outra faceta: a de uma fragilidade tal que qualquer frustração deixa o sujeito aniquilado; a autoestima dele é altamente instável, de modo que oscila rapidamente de um polo para outro (sou o melhor ou sou o pior; sou o mais bonito ou sou o mais feio, etc.).

Em relação ao tratamento psicanalítico, com alguns pacientes, a análise fracassa porque o narcisismo exagerado os leva a provar que nem a análise e muito menos o analista conseguem algo com ele (na base do “comigo ninguém pode”). Entretanto, outros pacientes com transtorno narcisista de personalidade que têm uma parte de seu psiquismo disposta a fazer mudanças, às vezes, conseguem resultados analíticos altamente gratificantes.

A caracterização da personalidade narcisista, apresentada por David E. Zimerman nos auxilia a compreender melhor o perfil psicológico dessas pessoas e sua dinâmica de funcionamento, tanto para identificação de um possível quadro patológico quanto para o manejo com esses indivíduos que, muitas vezes, fazem parte do nosso convívio, seja no âmbito do trabalho, na família e/ou nas relações sociais.

Geralmente identificamos um narcisista quando este não aceita ser contrariado, demonstrando expressiva dificuldade para lidar com a diversidade de opiniões e com as diferentes escolhas que as pessoas podem fazer. Mostram-se muito aborrecidos quando um pensamento ou atitude contrária à deles se faz presente. Eles tentam mascarar sua dificuldade através de uma crença mística ou religião. Assim, os narcisistas encontram uma justificativa para o seu insucesso nas relações, normalmente projetando ou transferindo sua incapacidade para os outros. O exemplo: as outras pessoas é que fracassam em atender às suas expectativas. São, para o narcisista, de pouca inteligência ou de pouca confiabilidade.

O ponto fraco do narcisista é, portanto, a dificuldade em estabelecer vínculos reais, baseados numa relação que denominamos de mão dupla, onde a empatia se mostra presente numa postura de respeito e consideração ao outro. Assim, as relações para o narcisista normalmente se mostram superficiais, baseadas numa avenida de mão única, onde as principais manobras acontecem por meio do poder de manipulação e persuasão, ou pelo poder de coerção e intimidação. Se você pensar e agir diferentemente da vontade de um narcisista, prepare-se: será imediatamente descartado!

Para aqueles que convivem com pessoas narcisistas, a dificuldade está em preservar sua individualidade, seus interesses e motivações. Todo narcisista se mostra invasivo e dominador. E normalmente se relaciona com pessoas que possuem baixa autoestima (ou o contrário, dependendo da sua dinâmica psicológica) para poder exercer fascínio e domínio sobre elas. Muitos narcisistas apresentam uma atuação perversa na medida em que não pensam duas vezes se suas manobras poderão ferir ou magoar a pessoa “amada”.  Existe um único grande amor para o narcisista: o seu próprio espelho. E todo espelho que refletir outra imagem, que não a dele, será substituído com frieza e falta de pudor. Colocar-se no lugar do outro? Para o narcisista é algo que não condiz com a sua capacidade. Por isso muitos não se tratam, porque não se veem com nenhuma limitação e não percebem que essa autoestima exacerbada pode lhes trazer sério prejuízo. O que ocorre frequentemente é o fato daqueles que convivem com esta personalidade precisarem de ajuda psicológica para aprender a se preservar e a preservar o seu espaço, sem se deixar afetar negativamente por este funcionamento.

Auto-estima influencia a qualidade de vida (Por Por Patrícia Prigol)

auto-ajuda-aprenda-ter-poder-decisao-460x345-brA auto-estima de uma pessoa inclui a avaliação subjetiva que ela faz de si mesma como sendo essencialmente positiva ou negativa, em algum grau e baseada nas suas vivências (as experiências que trouxeram um significado importante na formação de sua auto-imagem), além do reconhecimento das suas capacidades e limitações.

Uma boa auto-estima faz com que a pessoa esteja conectada com a realidade e assim possa identificar as possibilidades e oportunidades que levarão ao alcance de seus objetivos. As pessoas que possuem uma boa auto-estima estão, normalmente, muito mais focadas em seus objetivos e em resultados do que em situações ou fatos.

Sabe-se, contudo, que esse sentimento é construído a partir das experiências que se tem no decorrer do desenvolvimento da pessoa. E os acontecimentos que podem aparecer durante esse processo são, também, determinantes para que a pessoa tenha ou não uma boa auto-estima. Sendo assim, a auto-estima pode ser constituída como uma característica permanente da personalidade ou como uma condição psicológica temporária, ligada aos acontecimentos que surgem na vida e que podem lhe afetar de maneira positiva ou negativa.

A pessoa pode também “perder” temporariamente sua boa auto-estima quando influenciada por situações que a afetaram negativamente. Pessoas com baixa auto-estima apresentam, em sua fala, um discurso carregado de negativismo, acompanhado de uma desqualificação de seu potencial e capacidades. Geralmente enxergam mais os impedimentos do que as oportunidades apresentadas pela vida. Decorrentes a essas características estão muitos problemas emocionais que limitam a vida das pessoas. Os vínculos podem se mostrar empobrecidos na medida em que ela se sente incapaz de estabelecer relações saudáveis e produtivas. Suas escolhas são afetadas, tendo, na maioria das vezes, dificuldade de relacionamento com seu parceiro. Problemas com a auto-estima também provocam conflitos entre cônjuges repletos de ciúmes, disputas de poder, competição e rivalidade. Também são comuns disfunções sexuais e transtornos alimentares relacionados ao caso.

O tratamento mais indicado para esses casos é a psicoterapia. Existem técnicas diferentes, entretanto, cabe a cada pessoa informar-se a respeito para poder encontrar o tratamento apropriado às suas necessidades. Os casos de quem tem procurado a ajuda de profissionais para tratamentos e o perfil dessas pessoas é bem variado. Homens e mulheres possuem problemas relacionados ao amor próprio.

Manter-se atento aos próprios pensamentos e ações tomados diariamente, pode ser um excelente caminho para que a pessoa identifique quando apresentar dificuldades ao lidar com sua rotina e suas adversidades. Quando a tolerância à frustração diminui, significa que é o momento para procurar ajuda e resgatar o equilíbrio perdido. Monitorar pensamentos, estados de humor e atitudes tomadas é um caminho seguro e eficiente no combate tanto do estresse, quanto da baixa auto-estima.

No ambiente profissional, quem possui boa auto-estima tende a ser mais seguro e adaptativo ao ambiente. São pessoas mais flexíveis diante de conflitos de ordem interpessoal que necessitam de resoluções baseadas em habilidades pessoais. Assim, possuem mais chances de serem promovidas pelo desenvolvimento de suas competências ou de tolerar frustrações neste processo. Uma pessoa que se valoriza, além de render mais no trabalho, não perde o foco em seu projeto de vida. Por isso tem mais probabilidade de sucesso. 

Alguns casos de baixa auto-estima ocorrem por pressão demais ou desvalorização no emprego. Um exemplo é o assédio moral, que afeta fortemente os indivíduos. Os danos causados levam muitas pessoas a quadros de depressão, tendo de recorrer a ajuda médica e psicológica a até intervenções hospitalares.

Rivalidade (Por Maria de Lurdes Fontana)

normal-5-2008-03-22-11-46-26Rivalidade é uma ação entre rivais. Os rivais geralmente são opositores que defendem os atos e princípios motivados por preferências pessoais nas esferas da razão pela emoção.

A rivalidade esta presente nas famílias, na sociedade e nas empresas. O sentimento de “pertença” por determinada posição hierárquica ou por preferências de time ou grupo, trazem sérias desavenças embasadas pelo ódio entre pessoas, sem distinção de idade, sexo e posição social.

A rivalidade existe desde o início da humanidade, nas lutas de poder, raciais e religiosas, onde um “deveria” excluir o outro, e como mérito, entregava o derrotado como um troféu.

Na situação atual não é muito diferente. A rivalidade faz vítimas no trânsito, quando há rachas no intuito de “mostrar” o braço e a potência do carro. Quando há grupos radicais que defendem suas teses sobre religião, raça e sexo. A rivalidade entre o Ser e o Poder. O subjugo da força de alguém em prol de ganhos financeiros na venda de drogas, demonstra o poder de ter mais rivalidade.

Nestes últimos dias, tenho me debruçado a entender a rivalidade gaúcha entre colorados e gremistas. São torcidas fortes de cores fortes. Mas, é estranho aceitar perder para o outro não ganhar. Principalmente porque em se tratando de jogo o básico é vencer, sempre. É no mínimo um fenômeno que incomoda os céticos do futebol e o que dirá os adeptos à ética. Tem regras no futebol, que fogem das regras habituais do cotidiano. É o mesmo que perder o emprego para ver o rival desempregado. Isso não funciona, mas acontece!

Até o próximo sábado!

Maria de Lurdes Fontanadudyfonttana@brturbo.com.br

Tensões cotidianas (Por Maria de Lurdes Fontana)

YOGA-PARA-CASAISQuem não se deparou com dias agitados e com tantas coisas a fazer…? O ambiente fica pesado, as tarefas ficam difíceis de “desenrolar”, o estresse aflora dando a impressão que falta tempo para organizar tudo. A síndrome do “não ter tempo” ou de querer fazer tudo ao mesmo tempo.

Parar, olhar, analisar e focar assuntos relevantes, é um grande começo para perceber que em muitas circunstâncias não vale a pena todo o desgaste físico e mental. Organizar-se é um ponto importante para saber separar o que é necessário fazer.

Muitas coisas não precisam ser resolvidas no mesmo dia. Relacionar assuntos e separar em ordem de prioridade, tornar mais leve e agradável o dia. É preciso um começo no firme propósito de dar-se conta que há uma solução naquilo que nos incomoda e atrapalha.

Em dias de forte pressão não é fácil organizar-se. O ser humano sob pressão reage de maneira diferente, dependendo da situação que se encontra.

Lições aprendidas e trocas de experiências com colegas e amigos, ajudam a acalentar a sensação de não ter feito nada, e dá a notória satisfação de que há mais pessoas passando pelas mesmas situações. Aliás, vivemos num mundo que não é permitido ter ociosidade. Somos encurralados por tantas ofertas disso e daquilo, e que em sua grande maioria, são desnecessárias. Há muito lixo virtual, com apelos de toda a sorte, tirando a livre iniciativa de escolha. E quando não se tem a possibilidade de escolha, termina o dia com a nítida impressão de não ter feito nada. Faz sentido dar sentido ao que fazemos.

Até o próximo sábado!

Maria de Lurdes Fontanadudyfonttana@brturbo.com.br

Motivação (Por Maria de Lurdes Fontana)

A partir deste sábado, estaremos publicando semanalmente, os artigos da Maria de Lourdes Fontana, para os mais íntimos, a Dudy. Seja bem-vinda!

Motivação

MOTIVAÇÃOFunção caracteristicamente sensorial, a motivação recebe dos sentidos as informações e condições que suscitam, conservam e dirigem o comportamento de homens e animais.

Motivação é o conjunto de fatores que impulsionam o comportamento do ser humano ou de outros animais para a realização de um objetivo. Manifesta-se como resposta a estímulos internos e externos. Os motivos podem ser classificados em primários, ou básicos, que não são aprendidos e são comuns tanto aos animais quanto aos homens (fome, sede, impulso sexual etc.); e secundários, ou aprendidos, que diferem de animal para animal e de pessoa para pessoa (desejo de realização, de poder etc.).

Historicamente os filósofos identificaram nos desejos e necessidades do homem os elementos fundamentais da personalidade. Foi, porém, a aplicação das teorias de Charles Darwin que fez progredir o estudo da motivação.

Os pesquisadores descobriram duas importantes correlações entre as idéias de Darwin e a motivação: a primeira refere-se ao fato de que o homem, como membro do reino animal, é parcialmente governado pelos instintos de sobrevivência e reprodução; a segunda mostra que, a exemplo do que ocorrem com as características físicas, as características comportamentais humanas também podem ser analisadas do ponto de vista da evolução.

Finalmente pode-se dizer que a motivação é o fato gerador de vida e que depende de cada indivíduo a busca e a realização para dar valor à própria vida.

Um motivo + Ação = MOTIVAÇÃO.

Até o próximo sábado!

Maria de Lurdes Fontanadudyfonttana@brturbo.com.br