Escolha Conjugal & Escolha Afetiva (Por Patrícia Prigol)

Muitos casais procuram ajuda por manifestarem conflitos na sua relação conjugal. Entende-se, aqui, a “relação conjugal” como sendo qualquer relação que se caracteriza pelo desejo manifestado de uma união entre os pares. A busca de auxílio nesta área resulta, muitas vezes, na observância da interferência (declarada ou implícita) das figuras parentais e da posição que o cônjuge possivelmente ainda ocupa em sua família de origem. É exatamente aí que reside a maior dificuldade apresentada por muitos casais que se sentem invadidos em sua privacidade e, com isso, não autorizados a viver, de fato, uma relação afetiva com o seu parceiro. Uma das possíveis causas é o vínculo que ainda se mantém com as famílias de origem numa relação de dependência ou subserviência (sujeição).

Outro exemplo é quando os pais do casal, numa relação disfuncional, mantêm seus filhos aprisionados e a serviço de suas motivações, muitas vezes, inconscientes. Como não se trata de uma avenida de mão única, podemos também compreender que os filhos – nesta posição – acreditam obter, obviamente, ganhos secundários. O “pagamento” ou o ganho secundário pode vir através da busca do amor e do reconhecimento de sua função na tríade estabelecida. Na verdade, permanecem nesta condição tentando ocupar um lugar na família buscando sentimento de pertencimento e inclusão. Entretanto, a frustração por não conseguirem tal feito torna-se inevitável.

Freqüentemente me deparo com filhos que vivenciaram fortemente o sentimento de rejeição e a falta de validação de uma das figuras parentais (pais), causando-lhes sérios problemas de auto-estima e insegurança. Colocam-se a serviço da neurose conjugal de seus pais na tentativa de reparar a rejeição, acreditando obter a atenção, o amor e o reconhecimento através do desempenho demonstrados na tríade.

O fato é que tentar constituir uma nova família mantendo-se aliançado a outra, implica na dificuldade de entregar-se na relação que pretendem dar continuidade. É preciso, contudo, divorciar-se dessa dinâmica familiar para poder assumir a relação desejada. E para que este divórcio possa acontecer, os filhos precisam entrar em contato com o “real”, enxergando suas famílias e as relações mantidas como são de fato. Todavia, enxergar os pais reais – e não àqueles idealizados – também pode levar a um sofrimento emocional por perceberem a trama a qual foram envolvidos ou permitiram que assim fosse.

Para divorciarem-se das famílias de origem é necessário entrar em contato com a própria rejeição que sofreram e o lugar que nunca ocuparam na família. Dizer não a estes papéis de sujeição e anulação também pode trazer alívio e uma nova possibilidade de se relacionar consigo mesmo e com o outro. Do contrário, os filhos permanecerão alvo de manipulações e chantagens emocionais originárias de seus antepassados. Há, portanto, apenas uma saída: enxergar sua verdadeira função na família de origem, fazendo a escolha mais adequada que diz respeito aos seus verdadeiros desejos e as suas reais necessidades, visando assegurar a concretização de seu Projeto de vida.

Cabe destacar que nem sempre essa tarefa – que consiste na separação-individuação – é tão simples assim de se cumprir. Muitos precisam de auxílio terapêutico para que o resultado seja alcançado.

Diva[5]Também é importante destacar que existe diferença entre escolha conjugal e escolha afetiva. Normalmente a primeira escolha é muito mais racionalizada (em busca do par ideal) enquanto na segunda a escolha se mostra muito mais fundamentada no afeto do casal. Obviamente que a primeira escolha implica num risco alto para o casal, já que a mesma se mostra parentalizada, ou seja, baseada em figuras parentais substitutas na tentativa de suprir as carências do passado. Não obstante, os casais mais conscientes, quando se deparam com o contrato firmado numa relação de parentela, acabam por sofrer a dolorosa falta em relação ao desejo de estabelecer uma relação homem-mulher de fato. O filme baseado no livro “Divâ”, de Martha Medeiros, mostra bem essas duas facetas no processo da escolha conjugal. A personagem Mercedes arrepende-se de ter casado com um “pai-substituto” e vai em busca de novas aventuras. Vale a pena conferir!

De tudo, resta-nos o alento de sempre encontrarmos uma saída para os nossos dilemas, buscando, sobretudo, o nosso bem-estar e a nossa realização pessoal.

Baixa Auto-estima influencia relações afetivas (Por Patrícia Prigol)

Amor-Minimize-as-Crises-e-Evite-a-SeparacaoMuitos casais procuram ajuda de especialistas para resolverem seus conflitos. Em muitos casos encontramos, no estabelecimento da união, uma história fundamentada na busca da satisfação de necessidades primárias. Ou seja, é comum nos depararmos com contratos conjugais firmados nas bases do relacionamento parentalizado. São “filhos” que procuram nos seus parceiros o que em seu desenvolvimento emocional-afetivo não teriam encontrado de forma satisfatória.

Histórias de grande privação afetiva baseada na escassez de recursos (estímulos) necessários à satisfação das necessidades psicológicas repercutem consideravelmente na formação da auto-imagem do indivíduo. A conseqüente baixa auto-estima motiva, invariavelmente, as escolhas afetivas que serão feitas no transcorrer da sua vida.

Cabe destacar que a construção de uma auto-imagem positiva se dá por meio do reconhecimento e da conseqüente validação do potencial da criança. Para que isso aconteça, é necessário que o adulto responsável consiga aceitá-la e respeitá-la na sua essência, preservando o seu lugar na família. Desta forma ele interfere (positivamente ou negativamente) na observância e no atendimento de suas necessidades de estima, de pertencimento e de validação. É assim que a criança consegue se reconhecer e construir sua auto-imagem. Esse processo torna a pessoa não somente capaz de identificar suas capacidades, mas, sobretudo, capaz de reconhecer-se na totalidade aprendendo a cuidar de suas necessidades psicológicas e a preservar o que há de mais importante nessa primeira lição de vida: o amor por si mesma e o respeito à sua individualidade.

A pessoa que aprendeu a se amar provavelmente não terá grandes dificuldades para fazer escolhas afetivas funcionais. Significa que a construção de sua auto-imagem, baseada na sua auto-estima, se fundamenta no amor-próprio que foi aprendido (e apreendido) por meio da aceitação e valorização de sua pessoa no início de sua vida. Essa primeira grande aquisição desenvolverá novos recursos (internos) capazes de prover suas necessidades afetivas na vida adulta, tornando-a auto-sustentável. Chamamos essa aquisição de individuação. É quando o adulto se torna capaz de bancar a si mesmo e a seu projeto de vida. Uma boa auto-estima faz com que a pessoa reconheça que não é o outro o responsável direto pela satisfação de suas necessidades e, sim, sua própria capacidade de prover a si mesma que manterá seu nível de satisfação e a conseqüente realização pessoal.

Muitas pessoas que apresentam problemas de auto-estima, portanto, não aprenderam a cuidar bem de si mesmas, dependem ainda da aceitação, da aprovação, do olhar de reconhecimento do outro sobre suas próprias necessidades. Daí a vulnerabilidade, a dependência, a sujeição, o “domínio” da outra pessoa sobre sua vida, sobre seus sentimentos e sobre seu estado de infelicidade. Muitas escolhas conjugais não se baseiam em escolhas afetivas e, sim, na necessidade de reparar os danos da auto-estima causados no passado. São filhos buscando em seus parceiros o representante do passado para, então, oferecer-lhe o que não teria “conquistado”: o amor-parentalizado. Neste sentido é comum nos depararmos com pessoas que se submetem a relações disfuncionais por não se verem capazes de cuidar bem de si mesmas. Por isso tantos casamentos fracassados, tantas relações disfuncionais que se perpetuam vida afora… Porque os casais, apesar do sofrimento e da constante frustração, não conseguem, nem mesmo, a separação-individuação.

Saída para esse impasse? Uma boa dose de psicoterapia que pode se dar em diversas modalidades para que o casal encontre, de fato, uma saída que não seja a anulação de suas capacidades e do seu potencial, mas a observância, o reconhecimento e o fortalecimento da sua auto-estima repercutindo na mudança do contrato conjugal. Transformar uma relação parentalizada numa relação afetiva é possível. Basta um pouco de coragem e ajuda necessária para transformar essa realidade.

Auto-estima influencia a qualidade de vida (Por Patrícia Prigol)

dicas-de-como-elevar-sua-auto-estima

A auto-estima de uma pessoa inclui a avaliação subjetiva que ela faz de si mesma como sendo essencialmente positiva ou negativa, em algum grau e baseada nas suas vivências (as experiências que trouxeram um significado importante na formação de sua auto-imagem), além do reconhecimento das suas capacidades e limitações.

Uma boa auto-estima faz com que a pessoa esteja conectada com a realidade e assim possa identificar as possibilidades e oportunidades que levarão ao alcance de seus objetivos. As pessoas que possuem uma boa auto-estima estão, normalmente, muito mais focadas em seus objetivos e em resultados do que em situações ou fatos.

Sabe-se, contudo, que esse sentimento é construído a partir das experiências que se tem no decorrer do desenvolvimento da pessoa. E os acontecimentos que podem aparecer durante esse processo são, também, determinantes para que a pessoa tenha ou não uma boa auto-estima. Sendo assim, a auto-estima pode ser constituída como uma característica permanente da personalidade ou como uma condição psicológica temporária, ligada aos acontecimentos que surgem na vida e que podem lhe afetar de maneira positiva ou negativa.

A pessoa pode também “perder” temporariamente sua boa auto-estima quando influenciada por situações que a afetaram negativamente. Pessoas com baixa auto-estima apresentam, em sua fala, um discurso carregado de negativismo, acompanhado de uma desqualificação de seu potencial e capacidades. Geralmente enxergam mais os impedimentos do que as oportunidades apresentadas pela vida. Decorrentes a essas características estão muitos problemas emocionais que limitam a vida das pessoas. Os vínculos podem se mostrar empobrecidos na medida em que ela se sente incapaz de estabelecer relações saudáveis e produtivas. Suas escolhas são afetadas, tendo, na maioria das vezes, dificuldade de relacionamento com seu parceiro. Problemas com a auto-estima também provocam conflitos entre cônjuges repletos de ciúmes, disputas de poder, competição e rivalidade. Também são comuns disfunções sexuais e transtornos alimentares relacionados ao caso.

O tratamento mais indicado para esses casos é a psicoterapia. Existem técnicas diferentes, entretanto, cabe a cada pessoa informar-se a respeito para poder encontrar o tratamento apropriado às suas necessidades. Os casos de quem tem procurado a ajuda de profissionais para tratamentos e o perfil dessas pessoas é bem variado. Homens e mulheres possuem problemas relacionados ao amor próprio.

Manter-se atento aos próprios pensamentos e ações tomados diariamente, pode ser um excelente caminho para que a pessoa identifique quando apresentar dificuldades ao lidar com sua rotina e suas adversidades. Quando a tolerância à frustração diminui, significa que é o momento para procurar ajuda e resgatar o equilíbrio perdido. Monitorar pensamentos, estados de humor e atitudes tomadas é um caminho seguro e eficiente no combate tanto do estresse, quanto da baixa auto-estima.

No ambiente profissional, quem possui boa auto-estima tende a ser mais seguro e adaptativo ao ambiente. São pessoas mais flexíveis diante de conflitos de ordem interpessoal que necessitam de resoluções baseadas em habilidades pessoais. Assim, possuem mais chances de serem promovidas pelo desenvolvimento de suas competências ou de tolerar frustrações neste processo. Uma pessoa que se valoriza, além de render mais no trabalho, não perde o foco em seu projeto de vida. Por isso tem mais probabilidade de sucesso. 

Alguns casos de baixa auto-estima ocorrem por pressão demais ou desvalorização no emprego. Um exemplo é o assédio moral, que afeta fortemente os indivíduos. Os danos causados levam muitas pessoas a quadros de depressão, tendo de recorrer a ajuda médica e psicológica a até intervenções hospitalares.

Campanha “Saco é um saco”

Recebemos um e-mail da WWF-Brasil, convidando-nos para aderir na campanha “Saco é um saco”, vide “cartaz” abaixo:

Cartaz wwf saco e um saco

Muito criativo … acessei o website da campanha (www.sacoeumsaco.com.br) e o conteúdo é riquíssimo em informações.

A campanha é do Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da WWF-Brasil e diversas organizações e empresas!

Neste “cartaz” existe um convite “legal” para avaliar o “quanto” iremos deixar de marca, ou seja, pegada em nosso planeta! Acesse este link e você poderá participar e principalmente se conscientizar, é a nossa “pegada ecológica”!

Também apresenta uma ampliação dos princípios dos “3Rs” (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) … para o Recusar! Vide neste link, um artigo no Blog da campanha sobre este assunto!

Pessoal, vamos fazer a nossa parte! 4Rs nos sacos plásticos!

Você é feliz? (Por Patrícia Prigol)

felicidadeNem sempre o que mais desejamos torna-se realidade. Existem inúmeras experiências/vivências registradas em nosso inconsciente e todas elas contêm uma boa carga afetiva. Por não conseguirmos, sozinhos, sem ajuda profissional, acessar determinados conteúdos (inconscientes), nossas escolhas acabam sofrendo forte influência. São as chamadas “motivações inconscientes” que determinam parte das nossas escolhas.

Podemos nos defender uma vida inteira daquilo que mais desejamos. O medo de sofrer, por exemplo, nos faz reprimir nossos desejos, armazenando-os nos porões do inconsciente. Quem dera pudéssemos anular tudo aquilo que mais tememos: nossos mais profundos desejos! Mas isso não é possível.

Na tentativa de buscar uma melhor adaptação à realidade (dos nossos desejos e das nossas “possibilidades”), os porões do inconsciente passam, de tempos em tempos, por uma espécie de faxina. Essa faxina pode se mostrar de várias formas: através das nossas atuações, como, também, por meio de um compromisso firmado entre a mente e o corpo, ao qual denominamos de “somatização”. As doenças, segundo a Psicossomática (Ciência que estuda essa inter-relação), revelam, na maioria das vezes, nossos conflitos internos e a nossa condição humana. Ou seja, “nada acontece por acaso!”

Não somos uma coisa ou outra. Somos um “todo” e todas as partes interagem entre si. Então, o que nos levaria a uma consciência maior? Sem sombra de dúvida, o auto-conhecimento é um dos mais importantes instrumentos que temos para assegurar a realização dos nossos desejos e a busca de um sentido maior para a nossa existência.

Muitas vezes me deparo com histórias de pacientes que revelam essa necessidade, em buscar um sentido maior para a sua vida. Na maioria das vezes, o medo é a mola precursora das escolhas que fazem. Em algum momento o desejo mais íntimo invade a sua consciência e esta, por sua vez, sinaliza o caminho a ser percorrido. Contudo, percebo que mesmo que tenham consciência do que desejam, muitos escolhem a direção contrária. Ou seja: era tudo o que desejavam, mas não era o que podiam naquele momento! “Algo” os impedia de prosseguir na direção de seus desejos.

No fundo todas as pessoas desejam uma única coisa na vida: ser feliz. Mas o que é a felicidade?  Como conquistá-la?

A maturidade – que vem com a experiência adquirida através das nossas escolhas – nos mostra a verdade, a nossa verdade! E esse caminho nos leva ao cumprimento de uma tarefa que é exigida a partir do momento que ingressamos na vida adulta: a individuação.

Tornar-se “indivíduo” no sentido da integralidade e da unificação do “SER” (e não do individualismo!) é tornar-se “único”, é sentir-se inteiro. É reconhecer todas as partes que compõem a si mesmo, sem distinções nem separações, sem se sentir uma metade em busca de uma outra.

Relações funcionais, pautadas no equilíbrio e na liberdade do “SER” permitem que você seja mais e não menos. Tornar-se inteiro o livrará da perversidade da anulação! Não é preciso, pois, anular-se para manter uma pseudo-realidade por não se sentir capaz de guiar a sua própria vida. Você é responsável pelas suas escolhas, por toda sua vida. É responsável, sim, pelo seu desenvolvimento e evolução, por absolutamente tudo que acontece com você. E não adianta negar a realidade atribuindo essa responsabilidade à alguém ou ao “Além”.

Portanto, decida-se! “Sê grande”, encontre a sua luz, assim como diz Fernando Pessoa, num de seus maiores poemas:

Para ser grande, sê inteiro nada teu exagera ou exclui.

Sê todas as coisas.

Põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a lua toda brilha.

Porque alta vive.

O tempo (não) passa (Por Dulce Magalhães)

QUINTADIMENSAO2Li um artigo muito instigante sobre a quarta dimensão, sim o nosso mundo não é tridimensional, existe uma quarta dimensão no qual infelizmente não aproveitamos em sua totalidade, esta dimensão chama-se o TEMPO!

O artigo foi elaborado pela Dulce Magalhães e publicado no Portal Amanhã.

Recomendo a sua leitura, principalmente para aquelas pessoas que não percebem … quando o tempo passa. Neste artigo, a autora alerta que na realidade temos que perceber esta dimensão, e somente não percebemos porque estamos acostumados com o Mundo Físico e … esquecemos que existe o Mundo Quântico!

Clique neste link, e desfrute desta leitura!

A Relação do Homem com os animais pode representar um ganho na qualidade de vida das pessoas? (Por Patrícia Prigol)

untitledNunca se falou tanto em qualidade de vida como nos últimos tempos. Por esta razão, pesquisas científicas mostram que uma das alternativas encontradas para aliviar a tensão e promover qualidade de vida tem sido a convivência com os animais. Já existem, inclusive, algumas técnicas desenvolvidas por profissionais da área da saúde que visam aprofundar essa experiência de humanos interagindo com animais na busca do bem-estar e da satisfação das necessidades emocional-afetivas. O resultado dessas pesquisas revela que o convívio com animais é altamente benéfico.

A técnica desenvolvida, cinoterapia (terapia facilitada de cães) teve origem, aproximadamente, no século XVIII, na Inglaterra, onde foi descoberto que a presença do animal traz benefícios psicológicos, pedagógicos e sociais ao paciente, principalmente às crianças, pois o convívio com cães exerce efeitos benéficos no comportamento afetivo.

Sabe-se que, devido ao padrão de vida atual, muitos pais têm trabalhado fora durante o dia inteiro. Até mesmo a mulher, que antes cuidava da casa e da criação dos filhos, cada vez mais ganha espaço no mercado de trabalho, não tendo mais tanto tempo para o convívio diário com seus filhos. Atualmente os pais podem ficar absorvidos demais no frenesi da vida cotidiana para proporcionar aos filhos toda a atenção que eles precisam. Portanto, o estudo sobre o tema é de suma importância devido ao cenário atual, do mundo contemporâneo, em que as pessoas têm seu tempo cada vez mais limitado e o ritmo de vida cada vez mais estressante, levando-as a apresentar problemas de ordem psicológica.

Contudo, todos os avanços da ciência mostram que o convívio com outros animais que não somente o cão é considerado um dos melhores recursos terapêuticos. Os animais domésticos passaram a ser considerados importantes na sociedade por oferecer apoio emocional às pessoas. Para comprovar esta relação, foram realizadas diversas pesquisas científicas, obtendo várias informações relevantes para a Psicologia. Por exemplo, em 1999, Karen Allen (apud FARIA, 2004) cardiologista da Universidade de Nova York, agrupou 48 corretores do mercado financeiro (homens e mulheres) que apresentavam altos níveis de pressão arterial e estresse. Metades deles, escolhidos ao acaso, receberam um cão ou gato e passaram a morar juntos. Após um semestre o grupo “tratado” com animais de estimação tinha pressão arterial normal e o estresse reduzido à metade. Outros autores pesquisaram a sobrevivência de enfartados coronários possuidores ou não de animais de estimação. Nessa pesquisa, eles analisaram 92 pessoas. Destas 53 possuíam animais de estimação incluindo cães; neste grupo foi alcançado o índice de sobrevivência de 94%, após o infarto. No restante do grupo, que não possuía animais, o índice obtido caiu para 71%. Nos idosos, sabe-se que o animal proporciona a melhora da auto-estima devido ao contato físico e ao despertar do senso de responsabilidade. Pelo fato de terem que cuidar do bicho, as pessoas mais velhas passam a se sentir úteis. A introdução de animais em asilos é uma boa forma de recreação e socialização. (LIMA, 2005). Em muitos lugares, os animais são usados na recuperação de doentes, convalescentes e até presidiários. Na Europa, 30% das terapias de recuperação utilizam animais. Em San Francisco, nos Estados Unidos, existe um programa em que cães e gatos oferecem conforto a pacientes terminais de AIDS.

Podemos dizer, entretanto, que a relação das pessoas com seus bichos de estimação tornam-se danosa quando, por alguma necessidade, substituir outros vínculos que deveriam fazer parte de seu convívio. Significa afirmar que é hora de procurar ajuda psicológica quando não for mais possível estabelecer com outras pessoas uma relação afetiva e de convivência satisfatória, tentando compensar esta falta por meio dos animais. Tudo em excesso faz mal a saúde. Se os animais de estimação tomarem o lugar de outros vínculos que a pessoa deveria cultivar, de outras aquisições que deveria fazer, algo errado estará sendo sinalizado e a pessoa deverá ser encaminhada para ajuda psicológica ou para ajuda médica.

Como obter Energia e Vigor para o ano todo – Parte 2 (Por Patrícia Prigol)

Continuando o post da semana passada, vamos continuar falando sobre como obter ENERGIA e VIGOR para o ano todo:

qualidade de vida

Programa de QVT (Qualidade de Vida): Como sobreviver nesta “Selva” chamada Modernidade?

  • Comece por uma atividade física que faça parte da sua rotina diária. Você pode começar com uma consulta ao médico (especialista) em busca de uma avaliação da sua condição física. Não se esqueça de considerar seus gostos e interesses na hora de escolher a atividade física que melhor irá atender as todas as suas necessidades. Lembre-se que corpo e mente devem estar em sintonia, caso contrário, você não sustentará a escolha feita.
  • Procure intercalar a atividade física com atividades de relaxamento. Lembre-se: o cérebro precisa descansar. Para tanto é fundamental alongar o corpo e a mente diariamente. Alongar a mente? Sim, sua mente também precisa de descanso e relaxamento. Pratique diariamente meditação ou alguma atividade que auxilie a relaxar e limpar sua mente dos pensamentos e preocupações diárias. Esse exercício deve durar, pelo menos, 15 minutos.
  • Colocar corpo, cérebro e mente para descansar e “recarregar as baterias” significa se dar o direito de tirar uma boa soneca de, no máximo, 30 minutos durante o dia, preferencialmente após o almoço. É excelente para uma boa digestão e revigora suas forças para a segunda e a terceira etapa do dia. Procure um ambiente acolhedor para ficar bem “na sua presença” e lhe ofertar o descanso necessário. As empresas modernas já disponibilizam aos seus funcionários esse tipo de atividade e ambiente. Se o seu ambiente de trabalho não oferece essas condições, compre um colchonete e um travesseiro e leve para um espaço privativo. E relaxe! Sua saúde é sua responsabilidade!
  • Uma boa alimentação é fundamental para manter a qualidade de vida, a energia no dia-a-dia e fortalecer sua imunidade. Se precisar, busque orientação nutricional. Lembre-se que a mudança deve acontecer de dentro para fora! Isso para que você possa sustentar os resultados que pretende alcançar. Não basta conquistar a mudança, é preciso consolidá-la. Caso contrário, vira um clichê, tipo: “Minha dieta começa na segunda-feira ou a partir de 2010”.
  • Quebre a rotina possibilitando situações novas, mesmo que ocupem um curto espaço de tempo no seu dia. Quebrar a rotina, “sair da programação” pode surpreender seu cérebro e ajudar muito a recuperar sua capacidade criativa e as funções mais complexas, restabelecendo, com vigor, o foco nas tarefas desempenhadas.
  • Além de descansar o corpo, a mente e o cérebro, é imprescindível aprender a enfrentar o “novo”, o “desconhecido”. Um dos itens mais importantes na prevenção do stress é desenvolver a capacidade de adaptação à realidade. Significa aprender a lidar com as expectativas que depositamos no outro, seja este “outro” o trabalho, a família, os afetos, a sociedade, admitindo nossas fraquezas, fragilidades, limitações e, então, exercitando o perdão, sendo mais flexível e tolerante às frustrações inerentes a condição humana.
  • Se necessário, dispense relações disfuncionais! Assim como faxinamos nossa casa, nossos armários e gavetas. De tempos em tempos, pode ser interessante rever as relações que estabelecemos e, então, começar a faxina! Principalmente quando estiver mantendo relações desgastantes ou falidas há um bom tempo. Àquelas que somente destroem sua capacidade criadora, dispense-as! Se precisar de ajuda, inicie uma psicoterapia visando alcançar uma mudança de postura frente a esta realidade.
  • Busque o autoconhecimento. É preciso conhecer a si mesmo para poder fazer escolhas mais adequadas.
  • Procure manter noites bem-dormidas, aquelas em que você mesmo prepara o seu banho, o seu chazinho caseiro, a sua cama e o seu “cobertor de orelha”. Pratique sexo seguro, mas pratique sexo! Sexo realmente faz bem à saúde.
  • E o lazer? E as férias? E o encontro com os amigos, com a família, com as pessoas que amamos? É claro que é fundamental preservar este tempo para atender as necessidades psicológicas: de afeto, de estima, de pertencimento, de acolhimento, de aprimoramento no campo dos relacionamentos e de crescimento pessoal, além de contribuir efetivamente para o aumento da “rede de relacionamentos”. Somos seres gregários por natureza. Não podemos viver em ilhas. As trocas que fizemos com as pessoas podem trazer grandes aprendizados.
  • E acima de qualquer ganho econômico é bom perguntar a si mesmo, repetidas vezes durante o ano: “Afinal, quanto vale a minha vida?” “Quanto vale a minha saúde, o meu bem-estar, a minha felicidade?”.

Talvez devêssemos começar fazendo uma retrospectiva, avaliando e considerando o tempo que dedicamos à nossa pessoa e às nossas reais necessidades. E a última dica: escreva seu nome na sua agenda semanal. Assuma o compromisso da assiduidade e da responsabilidade para com a sua vida. O resto é mera conseqüência!

Como obter Energia e Vigor para o ano todo – Parte 1 (Por Patrícia Prigol)

Você sabe o que é “stress”?

stress_oneÉ uma reação normal e esperada do organismo que se coloca em “prontidão” ou em estado de alerta na tentativa de enfrentar a situação que se apresenta de forma ameaçadora ou conflitante.

Desde os tempos antigos nossos ancestrais já experimentavam uma grande quantidade de adrenalina, hormônio produzido em excesso por conta das ameaças sofridas.

Quando nos sentimos ameaçados, uma espécie de dispositivo é acionado pelo cérebro que acaba por preparar todo o organismo para enfrentar a realidade.

A necessidade de adaptação do homem ao ambiente se dá por meio de um arsenal químico que altera inúmeras funções no organismo produzindo a “sensação de stress”. Essa sensação é experimentada através do aumento da pressão arterial, taquicardia (quando o coração bate aceleradamente), sudorese (aumento do suor), queda da temperatura (especialmente mãos e pés), enfim, quando o organismo altera seu equilíbrio e seu metabolismo na tentativa de eliminar o conflito.

A diferença que encontramos entre o homem do passado e o homem da atualidade é que os nossos ancestrais viviam “queimando os excessos produzidos pelo organismo”, eliminando as toxinas. Essa era a saída encontrada, o que implicava em constantes fugas e em atividade física permanente.

O homem moderno é sedentário por natureza. São poucas as pessoas que conseguem permanecer num programa de qualidade de vida que envolva, por exemplo, atividade física regular. Hoje, lutar pela nossa sobrevivência é planejar nosso futuro com responsabilidade e sabedoria, entendendo que as escolhas que fizemos podem determinar o rumo da nossa história. 

Na semana que vêm, continuamos este assunto!

Boa semana para vocês!

80 anos de sabedoria (Por Patrícia Prigol)

IMG_6592Normalmente escrevo sobre temas relacionados à Psicologia. Contudo resolvi abrir um espaço, nesta coluna, entendendo que ao escrever sobre a experiência de vida de uma pessoa que completará 80 anos, pode nos servir de um exemplo que ilustra as mudanças comportamentais vividas na maturidade. Com o aumento da perspectiva de vida, uma nova identidade social vem sendo construída nas últimas décadas promovendo a inclusão de pessoas da maturidade em todos os segmentos da sociedade. O exemplo de hoje se chama: Clari Ferraro. Sua sabedoria e simplicidade revelam as vicissitudes e os dilemas vividos por muitos:

Minha tia, tia Clari, vai completar 80 anos de vida em setembro do corrente ano. Fui surpreendida – embora não fosse surpresa alguma, por conhecê-la -, com alguns recados deixados na caixa postal do meu celular. Ao retornar a ligação, tia Clari anuncia: “Vou fazer 80 anos e você é minha convidada. Vou reunir parentes e amigos. Uma festa simples, na chácara. Não precisa se preocupar com o trabalho. O almoço vai acontecer num domingo. Não quero presente, quero a presença de todos. Meus filhos comentaram que eu deveria ir a um restaurante e comemorar lá o meu aniversário. Mas não concordei com a idéia. Gosto de dar a festa para os meus convidados. Há pouco tempo mudei de residência. Não moro mais numa casa, moro num apartamento e troquei muitas coisas velhas por coisas novas. Não tenho muito dinheiro guardado. Minhas reservas se foram. Na verdade gastei quase tudo nesta mudança porque queria coisas boas, de qualidade mesmo! Mesmo sem muita reserva em caixa vou dar esta festa. Então, está feito o convite. Te espero lá”.

É bom lembrar que a tia Clari vem comemorando seu aniversário há muitos anos. É algo que realmente lhe dá prazer.

Sabe aqueles momentos que você, por um segundo, um curto espaço de tempo, retorna ao passado e como num flash-back recorda todos os bons momentos vividos ao lado das pessoas que você ama? Lembrei dos meus avós paternos e do amor incondicional que experimentei através deles. Foi um momento nostálgico, mas cheio de boas lembranças e de muita saudade. Não podia deixar este momento ir embora. Então convidamos minha tia para almoçar na casa dos meus pais. Queríamos saber mais dessa emocionante história de vida. Aliás, essa é uma das fases mais bonitas e interessantes na vida das pessoas, pois elas não se preocupam com o que os outros vão pensar a seu respeito. Soltam a língua e o verbo, falam o que pensam e como se sentem, sem vergonha ou medo algum. Como era de se esperar, tia Clari levou os álbuns de fotografia para recordar os bons momentos e os momentos de grande superação. A história da tia Clari não foi nada fácil, não foi um “mar-de-rosas”. Embora ela soubesse, com enorme sabedoria, lidar com os espinhos para ficar com as rosas passou por momentos de grande turbulência. Neste momento, ao relembrar as passagens da tia Clari, tive a certeza absoluta da influência dessa família na minha formação e na minha escolha profissional. Fui construindo a psicóloga que sou hoje através da experiência vivida nesses vínculos e em outros também. Recebi, como legado desta família, o respeito e o amor ao próximo, sem distinção ou discriminação.

A lucidez da tia Clari, reflexo da consciência que tem a respeito de si mesma e do outro, se mantém intacta, regada a muita leitura, é bom que se diga, pois tia Clari lê muitos livros, o que faz com que sua capacidade perceptiva, sua inteligência racional e emocional sejam exercitadas, preservando as funções mais complexas de sua mente, mantendo-se não somente atualizada, mas tornando-a mais próxima da realidade da mulher na contemporaneidade.

Ah! Outro segredinho da tia Clari em relação a sua longevidade e alegria de viver? Sim, ela tem muitos amigos, conversa bastante, joga carta e “general”, faz crochê para pessoas carentes, mora sozinha apesar de ter um filho-vizinho que a acompanha sempre. Cuida das tarefas domésticas mesmo com séria deficiência nos joelhos e articulações. Lava sua própria roupa. Mantém tudo limpo e arrumado. É vaidosa. Vive com a unha pintada e batom na boca. É mãe e avó exemplar. Ajuda no enxoval dos netos e se diverte nas festividades da família.

Quem faz as compras da casa, o rancho? A tia Clari! Ela anda de ônibus, circula por tudo. De bengala, é claro! Só não sai à noite sozinha. Dorme tarde, normalmente depois da meia-noite, para poder assistir os programas de televisão que gosta. Adora uma partidinha de futebol, vibra como se estivesse no estádio. Briga com o juiz, chama ele de… (bem, deixa pra lá!). Tia Clari viajou muito. Durante mais de 10 anos excursionou e se divertiu nas viagens que fez. Agora está um pouco “caseira” embora participe das festas, dos chás beneficentes e das reuniões que promove em seu apartamento para um bom carteado!

O que dizer para uma pessoa que completará 80 anos e que serve de exemplo de vida para todos nós? Apenas uma simples frase, porém, repleta de amor e consideração: Parabéns tia Clari! Meu amor por ti e pela família Prigol será eternizado! E a todos que lêem a minha coluna, especialmente este artigo, é bom que se diga: existem pessoas que simplesmente passam pela nossa vida, outras deixam grandes ensinamentos. A vida da tia Clari exemplifica o que Carlos Drumont de Andrade escreveu um dia:

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”!