Dica de Filme – Combatendo a Falta de Iniciativa

Hoje recebi um e-mail no qual achei muito interessante, comentando sobre como combater a falta de iniciativa!

Segue a abaixo o seu conteúdo na íntegra:

Há 25 anos atrás, quando saí de Brasília e fui fazer Universidade no Rio de Janeiro, meu pai me enviava pelo correio, periodicamente, um artigo chamado “Uma Mensagem a Garcia” – clique neste link”. A essência desse texto é “pegar uma missão e resolver, voltando somente quando ela estiver cumprida”. Numa época que não existia internet, esse texto vendeu milhões de cópias impressas e rodou o mundo inteiro. Pegamos esse mesmo artigo, adaptamos às situações empresariais e gravamos o vídeo “Combatendo a Falta de Iniciativa”. Em pouco tempo ele se tornou o vídeo mais vendido da Link Quality com milhares de cópias vendidas.

Hoje, toda vez que passo uma tarefa para alguém fazer e vejo que ela está desistindo frente aos primeiros obstáculos, levanto da minha mesa, vou na prateleira de filmes, pego o vídeo “Combatendo a Falta de Iniciativa” e peço para ela assistir. Alguns, como já são reincidentes, apenas riem porque já conhecem o conteúdo e falam “deixa comigo”, já entendi e vou resolver.

Seguindo essa linha de trabalhar a atitude dos colaboradores, gravamos também o vídeoComo ser útil para a empresa fazendo mais do que o feijão com arroz, mostrando que, além das qualidades técnicas, as pessoas devem se diferenciar pelas suas qualidades humanas. O outro vídeo, “Grupo dos 5% – fazendo a diferença”, mostra que, se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo da melhor maneira possível, seguramente SOBRAREMOS NA TURMA DO RESTO.

É de gente com Atitude que precisamos nas nossas empresas. Se você não tem, eduque-os, assim como meu pai fez comigo e eu faço com as pessoas que me cercam.

Para assistir os trailers desses vídeos e fazer a sua compra clique neste link.

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Obrigado e sucesso

Paulo Sauerbronn

Sócio-Diretor da Link Quality Vídeos de Treinamento

www.linkquality.com.br

A Fragilidade dos Laços Humanos

happiness_by_srebrinaPrecisamos entender os valores humanos vigentes em nossa sociedade para compreender a fragilidade dos laços sociais. Neste sentido, vou me apropriar do conceito que o sociólogo polonês Zigmunt Bauman criou para definir o momento que atravessamos. Uma sociedade neoliberal, pós-moderna e, pasme, segundo Bauman, uma sociedade “líquida”. Vivemos, portanto, a liquidez nos laços sociais e a, conseqüente, superficialidade nas relações, denunciando um novo movimento que declara a irrecusável busca de sentido, ao mesmo tempo em que “insinua” a possibilidade de construção de uma nova identidade social.

Os movimentos comportamentais, nesse novo período, simbolizam a proposta contida na instauração da modernidade que resultou nesta “liquefação dos vínculos”. Somos resultado dos efeitos da globalização que contribuíram para este novo cenário.

A professora de filosofia contemporânea Scarlett Marton, da Universidade de São Paulo, em entrevista para a Revista Cláudia, em junho do corrente ano, afirmou: “Vivemos um período de relativismo, não temos princípios tão firmes como os que existiram na sociedade vitoriana do século 19 ou mesmo na nossa sociedade das primeiras décadas do século 20. A idéia de que é preciso ter uma visão de conjunto do processo histórico e da sociedade, uma concepção do homem e da sua inserção social, histórica e cultural, tudo isso está caindo em desuso e sendo substituído por algo fragmentário”.

Também fracassa toda e qualquer tentativa de aprofundar relações assumindo compromissos mais duradouros. Como bem retrata Bauman, num de seus livros, O Amor Líquido: “(…) é como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro”. Somos levados por esta cultura que apresenta um MUNDO INSTANTÂNEO e um “manual de instruções” ditando a regra principal: “é preciso estar pronto para outra”, e a qualquer momento.

Para “pertencer” e corresponder a esta nova ordem social, é preciso se ligar, se conectar com o mundo, mas é imprescindível cortar dependência. Deve-se amar, porém sem muitas expectativas, pois elas podem rapidamente transformar um bom namoro num sufoco, numa prisão. Um relacionamento intenso pode deixar a vida um inferno. Entretanto, nunca houve tanta procura em relacionar-se. Bauman vê homens e mulheres numa verdadeira trincheira sem saber como sair dela e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela. Por isso, movimentam-se em várias direções, entram e saem de casos amorosos com a esperança mantida à custa de um esforço considerável, tentando acreditar que o próximo passo será o melhor. Ele ainda acrescenta: “(…) os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas à distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão. A solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão parece uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum. Hoje, estamos mais bem aparelhados para disfarçar nossos medos antigos. Nesta sociedade líquida, tememos o que em qualquer período da trajetória humana sempre foi vivido como uma ameaça: o desejo e o amor por outra pessoa.”

Se por um lado vivemos a era do individualismo, por outro, temos a chance de transformar este cenário, podendo estabelecer relações mais construtivas, com flexibilidade e liberdade do SER. Avançar, no sentido da evolução do homem, não significa deixar “a fila andar”, mas rever conceitos e valores trazidos nesta possível mudança de mentalidade.

A autodisciplina é fundamental! (Parte 1)

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Autodisciplina é a capacidade de ter o controle do seu comportamento para conseguir certos objetivos. Ela necessita de responsabilidade, metas claras e técnicas. Podemos utilizá-la em todas as áreas da vida, porém, a que mais precisa desta habilidade é a profissional. Mesmo um indivíduo com vários talentos precisa ter disciplina para poder administrá-los.

Os consultores de RH, afirmam que, quando achamos um individuo que é bem-sucedido em tudo o que faz, geralmente é verificado que essa pessoa é muito disciplinada. A função da autodisciplina é controlar o talento existente na pessoa. Quando se é talentoso e não possui disciplina, não há gerenciamento dos papéis. Sem ela, ninguém irá crescer em nenhum segmento da vida.

Para os psicólogos, ser auto disciplinador é essencial nos dias de hoje. Com tantos direcionamentos que são dados as pessoas, é imprescindível que elas tenham auto-controle.

A “dose correta” de autodisciplina: não é necessário ser radical consigo mesmo ou de impor limites. Ao contrário do que muitos pensam, a autodisciplina nos dá a liberdade de escolher, pois é uma escolha pessoal, independente de pressões da sociedade. Porém, certas pessoas passam da dose e ficam bastante metódicas, o que pode prejudicar a sua criatividade e até os seus relacionamentos.

Atenção! Toda a qualidade exagerada pode atrapalhar inclusive a autodisciplina. Quando você nota que os outros que o cercam, como os seus filhos, seu marido ou esposa, seus funcionários, têm dificuldade de conversar com você, já que não “marcaram”, realmente já é um exagero!

O “Poder” tem dois sentidos ou duas aplicações, você tem liberdade de escolha!

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Em outro post / artigo, já relatamos a diferença e uso de poder e autoridade, mas semana passada, quando estava realizando serviços de consultoria, vi em um mural de gestão à vista uma mensagem bem esclarecedora sobre os dois significados do “poder”. Vide abaixo:

Enquanto alguns priorizam o bem comum e a gentileza no cotidiano, outros desejam o poder individual como desnutridos numa terra sem frutos. O poder em si não é mau! É um presente que pode ser usado para transformar positivamente a realidade de muitos. Mas isso depende bastante da maneira como é visto e, principalmente, como é exercido.

Nada revela mais o caráter de um homem do que seu modo de se comportar quando detém um poder e uma autoridade sobre os outros: essas duas prerrogativas despertam toda a paixão e revelam todo vício.” (Plutarco, escritor grego)

Um dos principais Transtornos do Humor: o Transtorno Bipolar

bipolarAntigamente era chamado de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD). Hoje, devido aos avanços da psiquiatria, a Bipolaridade é classificada como um dos principais transtornos do humor, podendo ser denominada de Transtorno Bipolar ou, comumente, de Transtorno Afetivo Bipolar. Assim, identificamos os sintomas na pessoa que experimenta mudanças extremas no seu estado de humor, nas cognições e no comportamento. Este transtorno caracteriza-se por episódios alternados de depressão e mania (euforia), recorrentes.

É a intensidade e a severidade dos sintomas presentes no transtorno que o diferencia das tão comuns “mudanças de humor” pelas quais passamos quase todos os dias.

Alguns sintomas comuns na fase depressiva do Transtorno Bipolar:

  • Diminuição acentuada do interesse ou do prazer.
  • Sensação de esgotamento e fadiga constante (letargia e prostração).
  • Alterações na memória (esquecimentos), na atenção e concentração.
  • Alterações de peso e apetite.
  • Insônia ou hipersônia (sono excessivo).
  • Sentir-se sem valor ou culpa excessiva por perceber que seu ritmo diminui consideravelmente.

Alguns sintomas comuns na fase maníaca (da euforia):

  • Sensação de bem-estar e energia em excesso.
  • É comum a presença de várias idéias e pensamentos que “invadem a mente”, levando a um aumento de ações e até mesmo de novos empreendimentos.
  • Envolvimento excessivo em atividades que implicam em risco.
  • Envolvimento excessivo no trabalho.
  • Diminuição da necessidade de dormir (pode passar a noite acordado e trabalhar no dia seguinte sem sentir-se fadigado).
  • Auto-estima e grandiosidade excessivas.
  • Pode apresentar episódios de compulsão: à compras, ao sexo, à alimentação, ao esporte, às drogas.
  • É freqüente o uso de bebidas alcoólicas na tentativa de aliviar ou minimizar os sintomas.

O chamado Transtorno Bipolar pode ser incluído em duas categorias:

  • O Transtorno Bipolar do Tipo I, no qual acontecem episódios maníacos (de euforia) graves que se caracterizam, por vezes, pela presença de sintomas psicóticos, necessidade de hospitalização ou prejuízo acentuado no convívio social ou ocupacional e familiar.
  • O Transtorno Bipolar Tipo II, no qual os episódios depressivos se alternam apenas com hipomanias, ou seja, com episódios eufóricos leves.

A causa do Transtorno Bipolar ainda não é conhecida. Ele é considerado um transtorno de caráter multifatorial. Contudo, sabe-se que existe uma predisposição biológica (genética) que é herdada, à qual são somados fatores ambientais, resultando no aparecimento dos sintomas.

O diagnóstico do Transtorno Bipolar é feito por especialistas (psiquiatras) e no tratamento são usados estabilizadores de humor, antidepressivos e neurolépticos (antipsicóticos). A utilização destes medicamentos e a combinação dos mesmos são feitas de acordo com as necessidades de cada caso e a decisão é tomada em conjunto, utilizando-se de entrevista clínica e, às vezes, da presença de familiares, podendo incluir a avaliação psicológica em casos de atendimento por profissional desta área.

Além do tratamento com medicamentos, recomenda-se psicoterapia, pois inúmeras pesquisas comprovam a eficácia nesta associação. Geralmente o transtorno bipolar dura a vida toda, sendo que o paciente pode obter alta nos processos psicoterápicos, contudo, não costuma obter alta da medicação. Justifica-se tal prescrição devido aos fatores biológicos (genéticos e hereditários) e conseqüente disfunção bioquímica. Se o transtorno não for devidamente tratado, sérios prejuízos podem ocorrer, nos vínculos familiares, na vida social e na estabilidade econômica do indivíduo. Uma vez que não existem meios para evitar que o transtorno se desenvolva, quanto antes ele for identificado, maiores serão as chances de minimizar estes prejuízos e até mesmo de controlá-los.

Dica de Filme – 12 Homens e Uma Sentença

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Em seu primeiro trabalho como diretor de um longa-metragem para o cinema, o hoje autoral Sidney Lumet não poupou esforços para moldar um dos filmes mais fantásticos da história do cinema. Com uma direção genial, composta por delirantes ângulos e planos americanos, Lumet entregou mais uma obra-prima para a gloriosa década de 50. A rigor, o filme de Lumet é uma sucessão de diálogos brilhantes e cortes impecáveis, onde o diretor consegue transmitir a angústia dos personagens apenas com enquadramentos e closes. O diretor arremessa sem cerimônia o espectador, que assiste a tudo extasiado, para dentro da história. 12 Homens e Uma Sentença fala diretamente à razão e mostra que nossas escolhas merecem ser repensadas, sempre.

Essa obra-prima de Sidney Lumet é a prova de que uma história não precisa ser necessariamente complexa e provida de material didático intelectual para funcionar. Com um argumento seco e direto, sem enfeites e com personagens fortes e realistas, 12 Homens e Uma Sentença mantém o espectador vidrado na tela, literalmente embasbacado com o que vê diante de seus olhos. Mais que uma aula de cinema, o filme é um ensaio sobre a gramática cinematográfica e um exercício completo sobre a condução da narrativa. Mas que deve ser revisto muitas vezes, pois a direção de Lumet é tão discreta quanto eficiente e pode não denunciar todo o seu brilhantismo logo à primeira vista.

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O filme conta a história dos doze homens do título que fazem parte do júri encarregado de decidir o futuro de um menino acusado de matar o pai a facadas. O filme, que foi filmado em uma única locação, com exceção da primeira e da última cena – pouco mais de três minutos de duração – é ambientado na sala do júri, onde será decidido se o garoto será condenado ou não. A decolagem e o desenrolar da trama é conduzido com maestria, definitivamente não percebemos que estamos nos envolvendo tanto com um filme dirigido por um estreante. A maneira como Lumet vai preenchendo as lacunas deixadas pelo quebra-cabeça criado pelo roteiro de Reginald Rose é espetacular, e qualquer desvio de atenção ameniza e absorve a tensão eletrizante elaborada com precisão pelo diretor.

Em meio aquele clima claustrofóbico, o diretor fala sobre liderança, trabalho em equipe e, principalmente, sobre o comportamento humano. A sensação dos personagens, o público sente na pele, e passa então a discutir os temas postos à prova pelo filme. A longa e complexa tarefa de liderar, o cauteloso processo de gerenciamento de um trabalho coletivo e a reação de tudo isso no ser humano. O resultado pode ser eficiente se realizado com perícia, mas também pode causar transtornos caso os integrantes entrem em conflito – entre eles ou com o líder do grupo.

No filme, quem toma as rédeas da liderança é o personagem de Henry Fonda que, aos poucos, ganha confiança dos demais e passa a organizar a situação. A equipe sente a presença do “capitão” e passa a acatar suas ideias de forma mais sensata e coerente com o trabalho. De fato, o resultado é satisfatório, pois com o grupo bem gerenciado o trabalho flui naturalmente saudável. Se observado com atenção, 12 Homens e Uma Sentença pode ser uma dica imperdível para qualquer ramo empresarial.

Sair do Labirinto

LabirintoNa mesma medida que desejamos intensamente amar tememos, desde sempre, o contraponto dessa experiência: a rejeição e o abandono. O sociólogo polonês, Zigmunt Bauman, tentou explicar o momento que atravessamos nesta “sociedade líquida” que propõe a superficialidade dos vínculos. Contudo, o filósofo francês, Pierre Lévy, nos mostra outra saída para esta ambigüidade. Ele nos leva para uma fascinante viajem que permite reconhecer o outro lado da nossa alma, revelando a verdade nunca antes dita com tanta maestria:

“Cedo ou tarde será preciso enfrentar o seu dragão. Cada um de nós tem na vida um monstro diferente. O que parece terrível para uns, para outros nada mais é do que um incômodo passageiro. Mas para todos existe um “grande medo”, um Minotauro no centro de seu labirinto interior, uma besta imunda a ostentar nosso rosto.

Um dia será preciso lutar por si, por sua própria causa, e não por alguma finalidade elevada, social, política, humanitária, espiritual ou qual­quer outra. Decida-se de vez a enfrentar o que o impede de viver plenamente. Guerreie por sua vida. Lute contra o seu grande medo. Hoje é um bom dia para aceitar o combate, parar de fugir, lutar com o que mais o aterroriza. Você entende que as pessoas e as situações que o deixam mal são meros disfarces desse medo, as máscaras do dragão que o habita?

Toda vida contém uma descida aos infernos. O labirinto é uma representação clássica do mundo infernal (o rei Minos era juiz dos infernos), mas também da matriz. Como sair do labirinto? Como retornar do país dos mortos? Como ressuscitar? Ou renascer?

Teseu, como todos os heróis, combate o monstro antes de unir-se à princesa. A princesa, ou Ariadne, é seu lado feminino, sua anima, sua parte emotiva e terna. Foi porque se uniu à sua parte feminina por um fio, porque se uniu consigo mesmo que Teseu pôde vencer seu medo (o Minotauro) e tornar-se livre (sair do labirinto). Ele está sufici­entemente seguro de sua identidade sexual para aceitar seu lado femi­nino. É a energia da união consigo, do encontro consigo mesmo (o fio que une Ariadne a Teseu) que lhe permite tornar-se livre. Tornar-se livre, tornar-se uno e vencer o próprio medo são a mesma e única coisa. Ariadne, como todas as companheiras dos heróis, libera seu lado masculino, sua força e coragem. O herói que libera a princesa aprisionada emancipa seu próprio lado feminino. O dragão é sempre o medo, o medo de ser si mesmo… ou de deixar de sê-lo se nos liberarmos. O argumento que se apodera de nosso ser e no qual nos aprisio­namos: eis o nosso dragão. Enfrentar o dragão é reencontrar a situa­ção, exatamente a situação em que a armadilha se acomodou. Retornar ao instante da queda, ao lugar onde perdemos a liberdade. A frase que nos condenou. A idade em que perdemos a visão. Deve­mos reencontrar esse instante de que queremos fugir com todas as nossas forças. E uma vez lá, será preciso reviver o nosso papel, mas, desta vez, saindo da armadilha por cima. Se o acontecimento origi­nal tiver provocado o medo ou o orgulho, devemos nos desprender com plenitude ou humildade. Sair com inocência se tiver sido a cul­pa a origem da situação. Herói, princesa e dragão são a mesma e única pessoa.

Só consigo apreciar a mulher que há em você, porque minha di­mensão feminina é capaz de reconhecê-la. Só sou capaz de amar a mulher que há em você, porque amo a mulher que há em mim. Você só consegue amar o homem plenamente homem que há em mim porque tem em si essa dimensão de virilidade assumida, plenamente realizada, amada. Então você é capaz de amar o homem que sou, sem invejar minha virilidade, sem temer minha estranheza. Da mes­ma forma, meu amor por você não está misturado com nenhuma inveja de sua feminilidade triunfante, nenhum medo, porque essa feminilidade também está em mim. O amor é a relação recíproca das almas e de suas diferenças. Uma “identidade” que não considera as identidades diferentes que encontra é uma identidade morta, reativa, odiosa, impotente. Amar é despertar o outro que há em si. Abandone para sempre as opiniões que os outros têm de você. Afaste-se completamente das imagens e representações que você faz de si mesmo. Abandone totalmente qualquer idéia de mérito ou de culpa, de inferioridade ou de superioridade. Não há nada a “pro­var” nem para si nem para os outros. Pare de perguntar quem você é. A identidade é uma sujeição: você só é manipulado porque forjou uma imagem de si mesmo. A identidade é uma prisão”.

Saia do labirinto da identidade. “Eu existo” é o título mais elevado. Tudo o que lhe acrescentar­mos o depreciará.

Dica de Filme – Hair

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Por ter se tornado um marco de uma geração inteira e um ícone da contra-cultura, Hair, musical colorido e dançante de Milos Forman acabou introduzindo alguns paradigmas para os musicais que viriam logo em seguida. A exemplo de Um Estranho no Ninho, este filme sorridente e saltitante do diretor tcheco é um representante óbvio do anarquismo e da rebeldia excitante que marcou a década de 60. Além disso, é a síntese do inconformismo, característica recorrente no cinema elegante de Milos Forman. As músicas, o ritmo, os diálogos, tudo comporta um argumento simples e inteligente, ajudando a compor um filme coeso e dançante, mas sem nunca deixar de ser bem argumentado.

Claude (John Savage), um jovem do Oklahoma que foi recrutado para a guerra do Vietnã, é “adotado” em Nova York por um grupo de hippies comandados por Berger (Treat Williams), que, como seus amigos, tem conceitos nada convencionais sobre o comportamento social e tenta convencê-lo dos absurdos da atual sociedade. Lá, Claude também se apaixona por Sheila (Beverly D’Angelo), uma jovem proveniente de uma rica família.

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Mas o grande destaque deste belo musical é o seu espírito coletivo. O grupo que Claude conhece e passa então a fazer parte é dotado de um senso coletivo explícito, que conquista quem quer que seja – mesmo que, por vezes, exagere no ostracismo. É interessante apontar que, mesmo nos momentos que precedem a ida de Claude para a guerra, há um claro exemplo deste companheirismo – o que acaba sendo reforçado pelo final corajoso e pacifista. Os conflitos internos existem, é claro, e disso ninguém escapa (pois falamos de seres humanos que erram, discutem e se acertam logo depois, tal como sua natureza demonstra-nos), mas o trabalho coletivo e o sacrifício em prol do próximo podem gerar grandes benefícios no futuro.

O líder do grupo, Berger, carrega consigo o símbolo do inconformismo, mas não deixa de ser ele mesmo o responsável pelo “sucesso” da equipe, convocando e incentivando seus comandados sempre com destreza e respeito, ganhando, assim, a confiança de todos. Conhecendo um ao outro, os personagens alcançam mais facilmente seus objetivos e atingem um grau muito maior de eficiência e, inclusive, satisfação pessoal por ver seu trabalho bem realizado. Ademais, a criatividade pode surgir em momentos onde o grupo está consciente de sua tarefa e o trabalho flui naturalmente – ainda mais se levarmos em conta que, com um grupo satisfeito com suas atividades e colegas, pode render muito mais.

E quêm não se lembra na música principal deste filme? Age of Aquarius, vide o clipe, neste link.

O Campeão de Horas Extras – Parte 2 (Por Fernando Henrique da Silveira Neto)

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Dando continuidade ao post anterior, no qual convidamos a analisarem o artigo “O Campeão de Horas Extras” , elaborado pelo Fernando Henrique da Silveira Neto. Abaixo segue a segunda parte deste instigante assunto:

  • Medo de admitir que sua carga horária vai diminuir. Antes da revolução industrial, operários e escravos trabalhavam poucas horas por dia, camponeses trabalhavam apenas durante o plantio e colheita, ficando inativos pelo resto do ano. Diversas festas pagãs e depois cristãs preenchiam o resto do tempo. E tudo indica que, passada a fase industrial, retornamos a tempos parecidos com aqueles. A automação está acabando de tirar do homem o trabalho de fazer com as próprias mãos, e a informatização já está adiantada em seu trabalho de nos tirar parte também do pensar e decidir. O que nos restará senão criar ou usufruir? Muitos ainda não se deram conta disso e não sabem ainda o que fazer numa sociedade de lazer, com pouquíssimas horas de trabalho.
  • Pavor do desemprego. É verdade, muitos se sujeitam calados a toda e qualquer imposição no trabalho desde que não sejam demitidos. Acho difícil argumentar contra tal atitude, pois o instinto de preservação fala mais forte nesses momentos. E muitas empresas fazem esse jogo sujo com seu pessoal (não gostou, tem gente na fila de espera pronta para sentar no seu lugar). Mas conheço gente competente, que tem mais de um emprego garantido no mesmo dia em que pedir demissão de tais lugares, e se sujeita a isso porque não acredita em seus próprios talento e capacidade.
  • Certeza de que existem pessoas indispensáveis. Se eu não fizer, sei que ninguém conseguirá fazer, pois essa carga de trabalho só mesmo eu agüento. Quem mais faria isso? Se quiserem me substituir, vão ter que arranjar três para fazer o que faço, e eles não são loucos de me mandar embora agora (nem nunca!). Convencido de seus próprios argumentos, trabalha 14 horas por dias, muitas vezes aos sábados. Enquanto isso, seus chefes estão fazendo as contas: fulano custa tal e rende tanto, sem esquecer que gasta mais energia, mais material, mais equipamento, o risco é alto porque apenas um está fazendo o trabalho (e se ele adoecer?), a segurança precisa ter mais gente até mais tarde etc. etc. etc. E decidem que é melhor minimizar riscos, contratar gente nova, mais barata e que faça aquele trabalho dentro do horário do expediente. E dispensar o funcionário indispensável.
  • Aplicar o velho truque de esticar o trabalho. A idéia central é aumentar e valorizar o tempo de cada atividade, de modo que as horas do dia se esgotem e falte tempo para terminar as tarefas. Pronto, estão justificadas as horas extras. Pensam que isso é novidade. Engano. Nos idos de 1957, C. Northcote Parkinson escreveu o clássico A Lei de Parkinson, traduzido para o português pelo grande humorista Silveira Sampaio, e a primeira frase do Capítulo I diz que o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua conclusão. Querem coisa mais atual quase 50 anos depois? Não sou dono da verdade e queria ser contestado, mas minha experiência de 20 anos trabalhando em muitas empresas com programas de Organização Pessoal e Tempo diz que apenas 1 em cada 5 profissionais precisa de 8 horas diárias efetivas de trabalho, e 1 em cada 20 realmente precisa fazer horas extras em períodos críticos, mas não necessariamente todos os dias.
  • A segurança no trabalho e a insegurança em casa. Coisa de polícia, assaltantes na rua e problemas da cidade grande? Nada disso. No trabalho eu sou gerente, diretor, executivo ou sei lá o quê, o fato é que mando e todos obedecem, tenho um poder que não é contestado e que exerço ao meu bel-prazer. Já em casa, meus filhos são adolescentes e sabem mais informática do que eu, lêem mais do que eu, navegam muito mais do que eu e estão a par de novidades que desconheço em absoluto. E eu preciso dialogar muito mais e convencê-los em vez de dar ordens. Minha mulher é preparada, e a opção de não trabalhar para criar os filhos precisa ser reconhecida e premiada (se é que eu sou um cara justo). Ou minha mulher trabalha e tenho também tarefas em casa que devo fazer e prestar contas. Meus pontos de vista são às vezes questionados, recebo conselhos de como me vestir e me portar, críticas de como tratei meu pessoal no escritório e de como conduzi os negócios. Ah, no trabalho é mais seguro!…

Você leu tudo até agora e conhece muita gente que se enquadra em cada um dos pontos acima, mas, graças ao bom Deus, você mesmo não se enquadra em nenhum deles. Que bom. Nas palavras do grande economista John Maynard Keynes, você está pronto para se encontrar com seu verdadeiro e constante problema, que é como empregar o tempo livre que a ciência e o conjunto de interesses terão ganho para que você viva bem, agradavelmente e com sabedoria. Keynes escreveu isso em 1930 para seus netos, como uma visão e antecipação do futuro. Só que esse tempo vislumbrado por ele é agora.

Mas, se você se enquadra em um ou mais pontos citados acima e ainda não está preparado para esquecer as horas extras, vamos lá, não desanime. Sempre é hora de pensar e mudar. Boa sorte!

O Campeão de Horas Extras – Parte 1 (Por Fernando Henrique da Silveira Neto)

Dando continuidade ao post anterior, no qual comentamos sobre o excesso de horas extras nas empresas brasileiras, gostaria de convidar a refletir sobre os reais motivos que fazem com que tenhamos esta “doença do trabalho”!

Para isso convido a analisar um artigo elaborado pelo Fernando Henrique da Silveira Neto, o nome do artigo é convidativo: “O Campeão de Horas Extras”. Abaixo segue a primeira parte deste instigante assunto:

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São nove e meia da noite e estou dobrando à direita na Paulista, saindo da Pamplona. Acabei de jantar e vou pegar a sessão de cinema das dez logo adiante. Enquanto percorro a avenida, lembro-me de Tom Jobim, que, parafraseando Fernando Sabino, dizia que a melhor visão que se podia ter de Nova Iorque era de maca! Sem ter uma maca à mão naquele momento, olho para cima para melhor apreciar os belos edifícios da Paulicéia e vejo muitos escritórios acesos, gente circulando com papéis na mão, salas com reuniões em andamento e a mesma cena se repetindo a cada novo prédio. Estou indo para o cinema, mas parece que já estou assistindo ao curta-metragem que antecede o filme principal. Um curta meio chato e repetitivo.

Comecei então a especular sobre que título dar ao curta ao vivo a que eu estava assistindo naquele instante. Que tal O campeão de horas extras, ou Vai trabalhar vagabundo II, ou 14 horas diárias de emoção, ou ainda Será que meu chefe já foi embora? Finalmente cheguei no cinema para assistir ao Buena Vista, bem mais interessante do que aquele curta que passa todas as noites na Paulista.

Até gostei de brincar com o assunto, mas ele é bem mais sério do que isso. Em seu recente livro O Futuro do Trabalho – Fadiga e ócio na sociedade pós-industrial, Domenico De Masi lembra que, antigamente, quanto mais rica, menos a pessoa trabalhava. Podia se dedicar a si, à família e aos amigos. Hoje, quanto mais rico, mais o homem trabalha. E não tem tempo para si próprio, para a família e muito menos para os amigos.

Por quê? Por que tanta gente trabalhando depois do expediente, lamentando-se que não consegue jantar fora, nem conversar com seus filhos, nem ir ao cinema de vez em quando? Por que há pais trabalhando até dez da noite, enquanto seus filhos estão desempregados?

São as exigências do mundo globalizado e de competição acirrada, dizem uns. É a busca de maior produtividade depois da reengenharia, que mandou metade do pessoal embora, dizem outros. É devido ao período de grandes mudanças pelo qual a empresa está passando no momento (argh…).

Pois eu digo que não é nada disso. Ao serem analisados com mais sensatez e sinceridade os reais motivos que levam as pessoas a ficar no trabalho depois do horário, não é difícil descobrir vários deles. Eis alguns:

  • Ausência de outros interesses na vida. Quantas vezes já fiquei surpreso numa conversa com a falta de interesse ou conhecimento de certas pessoas por outra coisa que não fosse seu trabalho. Teatro, cinema, viagens, livros, música, amigos, nada disso fazia parte do repertório delas. Aliás, minto: futebol alguns conheciam bem. Já basquete, vôlei, tênis, natação, atletismo…. Pessoas assim não precisam nem querem chegar em casa cedo. Para fazer o quê? Para ligar o computador e continuar trabalhando? O pior é que muitas delas medem os outros por si próprias e, se são gerentes e diretores, seguram seu pessoal até mais tarde, pois assim pelo menos vão ter companhia no escritório. E que tal disfarçar isso usando seu poder e convocando uma reunião de revisão de metas para as oito da noite?
  • Valorizar o fato de estar trabalhando em vez de resultados obtidos. Em muitas empresas, é comum se ouvir um já vai? Quando se sai no horário. Por que ninguém diz que bom para você, já terminou seu trabalho. O fato é que muitos até são eficazes, mas, por medo de sair no horário, ficam além do expediente para não serem vistos como não cooperativos ou não engajados no esforço de toda a equipe. Resultado: a saída se dá na hora em que o mais ineficaz da equipe termina seu trabalho ou está tão cansado que já não diz coisa com coisa e resolve ir embora. Assim, estão mantidas as aparências, ninguém destoa no time e a equipe parece coesa.
  • Falta de respeito pelo outro. Em frente à escola de seu filho há uma fila dupla de carros despejando crianças (é bom lembrar que elas estão num período de aprendizado), você reclama e não vê outra solução senão inaugurar a fila tripla para largar seu pimpolho. No metrô, os assentos destinados a gestantes e idosos estão cheios de rapazes e moças de cabeça baixa (ou fingindo cochilar), esperando para ver se aquela velhinha que entrou agora senta num lugar cedido por alguém que não eles. No supermercado, você aperta todos os pães com a mão que acabou de pegar garrafas de refrigerante para verificar os que estão mais frescos. Na fila do banco, torce para não chegar mais nenhuma pessoa de idade e ser logo atendida (e quando você for uma delas?) Por que então abrir exceções e respeitar o tempo dos outros?
  • Desestruturação ou desorganização dos processos e métodos pessoais de trabalho. Gosto de visitar o local de trabalho dos outros: sua mesa, sua tela de computador, seus arquivos e pastas. Quantos poderiam gastar metade ou 1/3 do tempo que gastam hoje se ao menos fossem mais organizados e disciplinados com essas coisas? A carteira de habilitação está vencida. Estão sempre no cheque especial, pois as contas estão em débito automático e o saldo vive negativo por falta de verificação periódica. E é claro que no trabalho o ritmo é o mesmo: virada hoje e amanhã para entregar aquele trabalho que ficou esquecido desde a semana passada e que está sendo agora cobrado com urgência pelo cliente (como é que eu fui esquecer logo disso, meu Deus?) Para quem gosta de adrenalina….
  • Crença nos valores da sociedade industrial em plena era pós-industrial. É bom lembrar novamente De Masi dizendo que com a revolução industrial, veio a migração para as cidades em busca de emprego, pois as indústrias eram rudimentares e absorviam muita mão-de-obra. E, para produzirem mais, os operários enfrentavam jornadas estressantes de 14 a 15 horas diárias. Mas na primeira metade do século XX o advento de técnicas científicas de gestão e de produtividade fez aumentar o volume produzido, diversificou a oferta e melhorou a qualidade dos produtos. E, na segunda metade daquele século, a eletrônica e a informática se incumbiram de ampliar tudo isso de forma mais limpa, mais rápida, mais barata e miniaturizada, e principalmente com muito menos gente trabalhando. Mas tem gente que ainda acha que trabalho e resultados devem representar também suor e muita carga horária.