Sair do Labirinto

LabirintoNa mesma medida que desejamos intensamente amar tememos, desde sempre, o contraponto dessa experiência: a rejeição e o abandono. O sociólogo polonês, Zigmunt Bauman, tentou explicar o momento que atravessamos nesta “sociedade líquida” que propõe a superficialidade dos vínculos. Contudo, o filósofo francês, Pierre Lévy, nos mostra outra saída para esta ambigüidade. Ele nos leva para uma fascinante viajem que permite reconhecer o outro lado da nossa alma, revelando a verdade nunca antes dita com tanta maestria:

“Cedo ou tarde será preciso enfrentar o seu dragão. Cada um de nós tem na vida um monstro diferente. O que parece terrível para uns, para outros nada mais é do que um incômodo passageiro. Mas para todos existe um “grande medo”, um Minotauro no centro de seu labirinto interior, uma besta imunda a ostentar nosso rosto.

Um dia será preciso lutar por si, por sua própria causa, e não por alguma finalidade elevada, social, política, humanitária, espiritual ou qual­quer outra. Decida-se de vez a enfrentar o que o impede de viver plenamente. Guerreie por sua vida. Lute contra o seu grande medo. Hoje é um bom dia para aceitar o combate, parar de fugir, lutar com o que mais o aterroriza. Você entende que as pessoas e as situações que o deixam mal são meros disfarces desse medo, as máscaras do dragão que o habita?

Toda vida contém uma descida aos infernos. O labirinto é uma representação clássica do mundo infernal (o rei Minos era juiz dos infernos), mas também da matriz. Como sair do labirinto? Como retornar do país dos mortos? Como ressuscitar? Ou renascer?

Teseu, como todos os heróis, combate o monstro antes de unir-se à princesa. A princesa, ou Ariadne, é seu lado feminino, sua anima, sua parte emotiva e terna. Foi porque se uniu à sua parte feminina por um fio, porque se uniu consigo mesmo que Teseu pôde vencer seu medo (o Minotauro) e tornar-se livre (sair do labirinto). Ele está sufici­entemente seguro de sua identidade sexual para aceitar seu lado femi­nino. É a energia da união consigo, do encontro consigo mesmo (o fio que une Ariadne a Teseu) que lhe permite tornar-se livre. Tornar-se livre, tornar-se uno e vencer o próprio medo são a mesma e única coisa. Ariadne, como todas as companheiras dos heróis, libera seu lado masculino, sua força e coragem. O herói que libera a princesa aprisionada emancipa seu próprio lado feminino. O dragão é sempre o medo, o medo de ser si mesmo… ou de deixar de sê-lo se nos liberarmos. O argumento que se apodera de nosso ser e no qual nos aprisio­namos: eis o nosso dragão. Enfrentar o dragão é reencontrar a situa­ção, exatamente a situação em que a armadilha se acomodou. Retornar ao instante da queda, ao lugar onde perdemos a liberdade. A frase que nos condenou. A idade em que perdemos a visão. Deve­mos reencontrar esse instante de que queremos fugir com todas as nossas forças. E uma vez lá, será preciso reviver o nosso papel, mas, desta vez, saindo da armadilha por cima. Se o acontecimento origi­nal tiver provocado o medo ou o orgulho, devemos nos desprender com plenitude ou humildade. Sair com inocência se tiver sido a cul­pa a origem da situação. Herói, princesa e dragão são a mesma e única pessoa.

Só consigo apreciar a mulher que há em você, porque minha di­mensão feminina é capaz de reconhecê-la. Só sou capaz de amar a mulher que há em você, porque amo a mulher que há em mim. Você só consegue amar o homem plenamente homem que há em mim porque tem em si essa dimensão de virilidade assumida, plenamente realizada, amada. Então você é capaz de amar o homem que sou, sem invejar minha virilidade, sem temer minha estranheza. Da mes­ma forma, meu amor por você não está misturado com nenhuma inveja de sua feminilidade triunfante, nenhum medo, porque essa feminilidade também está em mim. O amor é a relação recíproca das almas e de suas diferenças. Uma “identidade” que não considera as identidades diferentes que encontra é uma identidade morta, reativa, odiosa, impotente. Amar é despertar o outro que há em si. Abandone para sempre as opiniões que os outros têm de você. Afaste-se completamente das imagens e representações que você faz de si mesmo. Abandone totalmente qualquer idéia de mérito ou de culpa, de inferioridade ou de superioridade. Não há nada a “pro­var” nem para si nem para os outros. Pare de perguntar quem você é. A identidade é uma sujeição: você só é manipulado porque forjou uma imagem de si mesmo. A identidade é uma prisão”.

Saia do labirinto da identidade. “Eu existo” é o título mais elevado. Tudo o que lhe acrescentar­mos o depreciará.

O Campeão de Horas Extras – Parte 2 (Por Fernando Henrique da Silveira Neto)

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Dando continuidade ao post anterior, no qual convidamos a analisarem o artigo “O Campeão de Horas Extras” , elaborado pelo Fernando Henrique da Silveira Neto. Abaixo segue a segunda parte deste instigante assunto:

  • Medo de admitir que sua carga horária vai diminuir. Antes da revolução industrial, operários e escravos trabalhavam poucas horas por dia, camponeses trabalhavam apenas durante o plantio e colheita, ficando inativos pelo resto do ano. Diversas festas pagãs e depois cristãs preenchiam o resto do tempo. E tudo indica que, passada a fase industrial, retornamos a tempos parecidos com aqueles. A automação está acabando de tirar do homem o trabalho de fazer com as próprias mãos, e a informatização já está adiantada em seu trabalho de nos tirar parte também do pensar e decidir. O que nos restará senão criar ou usufruir? Muitos ainda não se deram conta disso e não sabem ainda o que fazer numa sociedade de lazer, com pouquíssimas horas de trabalho.
  • Pavor do desemprego. É verdade, muitos se sujeitam calados a toda e qualquer imposição no trabalho desde que não sejam demitidos. Acho difícil argumentar contra tal atitude, pois o instinto de preservação fala mais forte nesses momentos. E muitas empresas fazem esse jogo sujo com seu pessoal (não gostou, tem gente na fila de espera pronta para sentar no seu lugar). Mas conheço gente competente, que tem mais de um emprego garantido no mesmo dia em que pedir demissão de tais lugares, e se sujeita a isso porque não acredita em seus próprios talento e capacidade.
  • Certeza de que existem pessoas indispensáveis. Se eu não fizer, sei que ninguém conseguirá fazer, pois essa carga de trabalho só mesmo eu agüento. Quem mais faria isso? Se quiserem me substituir, vão ter que arranjar três para fazer o que faço, e eles não são loucos de me mandar embora agora (nem nunca!). Convencido de seus próprios argumentos, trabalha 14 horas por dias, muitas vezes aos sábados. Enquanto isso, seus chefes estão fazendo as contas: fulano custa tal e rende tanto, sem esquecer que gasta mais energia, mais material, mais equipamento, o risco é alto porque apenas um está fazendo o trabalho (e se ele adoecer?), a segurança precisa ter mais gente até mais tarde etc. etc. etc. E decidem que é melhor minimizar riscos, contratar gente nova, mais barata e que faça aquele trabalho dentro do horário do expediente. E dispensar o funcionário indispensável.
  • Aplicar o velho truque de esticar o trabalho. A idéia central é aumentar e valorizar o tempo de cada atividade, de modo que as horas do dia se esgotem e falte tempo para terminar as tarefas. Pronto, estão justificadas as horas extras. Pensam que isso é novidade. Engano. Nos idos de 1957, C. Northcote Parkinson escreveu o clássico A Lei de Parkinson, traduzido para o português pelo grande humorista Silveira Sampaio, e a primeira frase do Capítulo I diz que o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua conclusão. Querem coisa mais atual quase 50 anos depois? Não sou dono da verdade e queria ser contestado, mas minha experiência de 20 anos trabalhando em muitas empresas com programas de Organização Pessoal e Tempo diz que apenas 1 em cada 5 profissionais precisa de 8 horas diárias efetivas de trabalho, e 1 em cada 20 realmente precisa fazer horas extras em períodos críticos, mas não necessariamente todos os dias.
  • A segurança no trabalho e a insegurança em casa. Coisa de polícia, assaltantes na rua e problemas da cidade grande? Nada disso. No trabalho eu sou gerente, diretor, executivo ou sei lá o quê, o fato é que mando e todos obedecem, tenho um poder que não é contestado e que exerço ao meu bel-prazer. Já em casa, meus filhos são adolescentes e sabem mais informática do que eu, lêem mais do que eu, navegam muito mais do que eu e estão a par de novidades que desconheço em absoluto. E eu preciso dialogar muito mais e convencê-los em vez de dar ordens. Minha mulher é preparada, e a opção de não trabalhar para criar os filhos precisa ser reconhecida e premiada (se é que eu sou um cara justo). Ou minha mulher trabalha e tenho também tarefas em casa que devo fazer e prestar contas. Meus pontos de vista são às vezes questionados, recebo conselhos de como me vestir e me portar, críticas de como tratei meu pessoal no escritório e de como conduzi os negócios. Ah, no trabalho é mais seguro!…

Você leu tudo até agora e conhece muita gente que se enquadra em cada um dos pontos acima, mas, graças ao bom Deus, você mesmo não se enquadra em nenhum deles. Que bom. Nas palavras do grande economista John Maynard Keynes, você está pronto para se encontrar com seu verdadeiro e constante problema, que é como empregar o tempo livre que a ciência e o conjunto de interesses terão ganho para que você viva bem, agradavelmente e com sabedoria. Keynes escreveu isso em 1930 para seus netos, como uma visão e antecipação do futuro. Só que esse tempo vislumbrado por ele é agora.

Mas, se você se enquadra em um ou mais pontos citados acima e ainda não está preparado para esquecer as horas extras, vamos lá, não desanime. Sempre é hora de pensar e mudar. Boa sorte!

O Campeão de Horas Extras – Parte 1 (Por Fernando Henrique da Silveira Neto)

Dando continuidade ao post anterior, no qual comentamos sobre o excesso de horas extras nas empresas brasileiras, gostaria de convidar a refletir sobre os reais motivos que fazem com que tenhamos esta “doença do trabalho”!

Para isso convido a analisar um artigo elaborado pelo Fernando Henrique da Silveira Neto, o nome do artigo é convidativo: “O Campeão de Horas Extras”. Abaixo segue a primeira parte deste instigante assunto:

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São nove e meia da noite e estou dobrando à direita na Paulista, saindo da Pamplona. Acabei de jantar e vou pegar a sessão de cinema das dez logo adiante. Enquanto percorro a avenida, lembro-me de Tom Jobim, que, parafraseando Fernando Sabino, dizia que a melhor visão que se podia ter de Nova Iorque era de maca! Sem ter uma maca à mão naquele momento, olho para cima para melhor apreciar os belos edifícios da Paulicéia e vejo muitos escritórios acesos, gente circulando com papéis na mão, salas com reuniões em andamento e a mesma cena se repetindo a cada novo prédio. Estou indo para o cinema, mas parece que já estou assistindo ao curta-metragem que antecede o filme principal. Um curta meio chato e repetitivo.

Comecei então a especular sobre que título dar ao curta ao vivo a que eu estava assistindo naquele instante. Que tal O campeão de horas extras, ou Vai trabalhar vagabundo II, ou 14 horas diárias de emoção, ou ainda Será que meu chefe já foi embora? Finalmente cheguei no cinema para assistir ao Buena Vista, bem mais interessante do que aquele curta que passa todas as noites na Paulista.

Até gostei de brincar com o assunto, mas ele é bem mais sério do que isso. Em seu recente livro O Futuro do Trabalho – Fadiga e ócio na sociedade pós-industrial, Domenico De Masi lembra que, antigamente, quanto mais rica, menos a pessoa trabalhava. Podia se dedicar a si, à família e aos amigos. Hoje, quanto mais rico, mais o homem trabalha. E não tem tempo para si próprio, para a família e muito menos para os amigos.

Por quê? Por que tanta gente trabalhando depois do expediente, lamentando-se que não consegue jantar fora, nem conversar com seus filhos, nem ir ao cinema de vez em quando? Por que há pais trabalhando até dez da noite, enquanto seus filhos estão desempregados?

São as exigências do mundo globalizado e de competição acirrada, dizem uns. É a busca de maior produtividade depois da reengenharia, que mandou metade do pessoal embora, dizem outros. É devido ao período de grandes mudanças pelo qual a empresa está passando no momento (argh…).

Pois eu digo que não é nada disso. Ao serem analisados com mais sensatez e sinceridade os reais motivos que levam as pessoas a ficar no trabalho depois do horário, não é difícil descobrir vários deles. Eis alguns:

  • Ausência de outros interesses na vida. Quantas vezes já fiquei surpreso numa conversa com a falta de interesse ou conhecimento de certas pessoas por outra coisa que não fosse seu trabalho. Teatro, cinema, viagens, livros, música, amigos, nada disso fazia parte do repertório delas. Aliás, minto: futebol alguns conheciam bem. Já basquete, vôlei, tênis, natação, atletismo…. Pessoas assim não precisam nem querem chegar em casa cedo. Para fazer o quê? Para ligar o computador e continuar trabalhando? O pior é que muitas delas medem os outros por si próprias e, se são gerentes e diretores, seguram seu pessoal até mais tarde, pois assim pelo menos vão ter companhia no escritório. E que tal disfarçar isso usando seu poder e convocando uma reunião de revisão de metas para as oito da noite?
  • Valorizar o fato de estar trabalhando em vez de resultados obtidos. Em muitas empresas, é comum se ouvir um já vai? Quando se sai no horário. Por que ninguém diz que bom para você, já terminou seu trabalho. O fato é que muitos até são eficazes, mas, por medo de sair no horário, ficam além do expediente para não serem vistos como não cooperativos ou não engajados no esforço de toda a equipe. Resultado: a saída se dá na hora em que o mais ineficaz da equipe termina seu trabalho ou está tão cansado que já não diz coisa com coisa e resolve ir embora. Assim, estão mantidas as aparências, ninguém destoa no time e a equipe parece coesa.
  • Falta de respeito pelo outro. Em frente à escola de seu filho há uma fila dupla de carros despejando crianças (é bom lembrar que elas estão num período de aprendizado), você reclama e não vê outra solução senão inaugurar a fila tripla para largar seu pimpolho. No metrô, os assentos destinados a gestantes e idosos estão cheios de rapazes e moças de cabeça baixa (ou fingindo cochilar), esperando para ver se aquela velhinha que entrou agora senta num lugar cedido por alguém que não eles. No supermercado, você aperta todos os pães com a mão que acabou de pegar garrafas de refrigerante para verificar os que estão mais frescos. Na fila do banco, torce para não chegar mais nenhuma pessoa de idade e ser logo atendida (e quando você for uma delas?) Por que então abrir exceções e respeitar o tempo dos outros?
  • Desestruturação ou desorganização dos processos e métodos pessoais de trabalho. Gosto de visitar o local de trabalho dos outros: sua mesa, sua tela de computador, seus arquivos e pastas. Quantos poderiam gastar metade ou 1/3 do tempo que gastam hoje se ao menos fossem mais organizados e disciplinados com essas coisas? A carteira de habilitação está vencida. Estão sempre no cheque especial, pois as contas estão em débito automático e o saldo vive negativo por falta de verificação periódica. E é claro que no trabalho o ritmo é o mesmo: virada hoje e amanhã para entregar aquele trabalho que ficou esquecido desde a semana passada e que está sendo agora cobrado com urgência pelo cliente (como é que eu fui esquecer logo disso, meu Deus?) Para quem gosta de adrenalina….
  • Crença nos valores da sociedade industrial em plena era pós-industrial. É bom lembrar novamente De Masi dizendo que com a revolução industrial, veio a migração para as cidades em busca de emprego, pois as indústrias eram rudimentares e absorviam muita mão-de-obra. E, para produzirem mais, os operários enfrentavam jornadas estressantes de 14 a 15 horas diárias. Mas na primeira metade do século XX o advento de técnicas científicas de gestão e de produtividade fez aumentar o volume produzido, diversificou a oferta e melhorou a qualidade dos produtos. E, na segunda metade daquele século, a eletrônica e a informática se incumbiram de ampliar tudo isso de forma mais limpa, mais rápida, mais barata e miniaturizada, e principalmente com muito menos gente trabalhando. Mas tem gente que ainda acha que trabalho e resultados devem representar também suor e muita carga horária.

Quase 80% dos brasileiros fazem horas extras, aponta Dieese.

horas-extras salvador dali

Em minhas pesquisas pela internet, localizei uma notícia extremamente preocupante, ou seja, que 80% dos brasileiros fazem horas extras! Uma pesquisa realizada pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).

Vide a notícia na íntegra por este link.

E você o que acha desta situação?

Na mesma linha de pensamento, reduzir a jornada de trabalho geraria empregos de qualidade?

Vide um estudo, realizado, também pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) sobre esta situação, através deste link.

Iremos aguardar os comentários!

Uma questão de escolha. (Por Patrícia Prigol)

escolhas[1]

Freqüentemente costumo ser questionada a respeito da existência de problemas na vida das pessoas. Manifestam a necessidade de compreender o porquê do seu sofrimento. Muitas chegam a acreditar que é algo do destino. Que foram “escolhidas” de alguma forma por não terem sorte na vida ou porque os outros não foram tão bons ou justos como “deveriam” ou, ainda, porque sua infância foi interrompida de maneira traumática.
Entre tantas justificativas, ainda prefiro aquela que se encontra no plano “real”, aquela que a realidade vem comprovar a sua existência: de que somos, todos, responsáveis pelo nosso sucesso e pelo nosso fracasso também. Tudo depende das nossas escolhas.
O pensamento contrário afirma ser mais fácil buscarmos um culpado para justificar nossas faltas. Talvez seja melhor acreditarmos que o “outro” é responsável por tudo que acontece em nossa vida. Seguindo com esta crença estaremos buscando num “outro” um sentido para nossa existência, uma direção. Estabelecemos desta forma, uma relação de dependência e submissão, a qual fortalece a crença de que não somos capazes de guiarmos nossa vida. Neste sentido, estaríamos fadados ao fracasso.
Acredito que mesmo em situações muito difíceis, incluindo as fatalidades da vida, poderemos superar as dificuldades, aprendendo com a dor e fazendo escolhas com dignidade e respeito às nossas necessidades. Martha Medeiros, escritora renomada, publicou o livro intitulado “O Divã”, o qual originou o filme que se encontra em cartaz. Ela aborda esta questão com maestria, com extrema competência e prova que a felicidade depende do modo como enfrentamos nossas mazelas.
Venho, com o passar do tempo, em minha profissão e em minha própria vida, pesquisando o que levaria as pessoas a fazer exatamente o contrário de tudo àquilo que poderia lhes trazer maior qualidade de vida. Lembro-me da história de um homem de oitenta e poucos anos que demonstrava muita vitalidade, participando de maratonas, preparando-se fisicamente e psicologicamente para os campeonatos. Ao ser indagado por um jornalista sobre o que o levaria a agir desta forma, contrariando todas as probabilidades relacionadas à sua idade, ele respondeu: “Faço exatamente o contrário do que a minha mente me pede pra fazer. Se ela pede para ficar parado na frente da TV ou se pede para permanecer dormindo mais do que o necessário, logo, coloco o meu calção, o meu tênis e saio para correr. Faço exatamente o contrário”. Eu diria que esta foi uma das alternativas encontradas por esse homem que, sabiamente, driblou as armadilhas de sua mente que – de forma ardilosa e astuta – tentaria levá-lo a acreditar que nada mais lhe restaria – neste momento de sua vida – a não ser esperar sua morte chegar.
Nossa vida é da nossa responsabilidade. Precisamos, apenas, fazer a escolha mais adequada.

A influência das emoções na produção das doenças

sentimentos 1

Para a Psicologia e para a Psicossomática (ciência que estuda os efeitos do psiquismo e das emoções no surgimento das doenças) este assunto já não é desconhecido, nem tampouco surpreende diante dos resultados obtidos nas pesquisas realizadas. Contudo, e não faz tanto tempo assim, observamos a resistência de muitos na aceitação dessa realidade, de que as emoções estão diretamente ligadas à manifestação das doenças.
O que importa, entretanto, é alertarmos a população sobre os recursos disponíveis para que cada pessoa possa acessar sua “arma de defesa imunológica” contra a legião de bactérias e vírus que provocam doenças no organismo.
Por isso torna-se fundamental garantir a informação e a orientação, as quais podem contribuir na prevenção de doenças e no aumento da qualidade de vida da população:

  • As emoções sejam elas positivas ou negativas, são transmitidas a todas as células do corpo humano. O cérebro conta com mensageiros que levam aos órgãos os nossos sentimentos. São compostos químicos (os neurotransmissores) que reproduzem em códigos todas as nossas emoções. Assim, cada célula retrata o que estamos sentindo e como estamos vivendo.
  • Todo mundo hoje sabe o que faz bem para a saúde. Por que é tão difícil seguir essas orientações? Todas as recomendações médicas são engolidas por nossos complexos emocionais. Porque há um sofrimento emocional muito maior do que o sofrimento físico. E nós não consideramos o sofrimento emocional, sempre deixado em segundo lugar. Há uma profunda ignorância na nossa cultura do quanto as emoções comandam a nossa vida. Aprendemos na escola a escovar os dentes, a ter higiene, mas nenhuma escola ensina a lidar com os conflitos emocionais, a prestar atenção nos sonhos e como funcionamos psicologicamente.
  • A idéia de que as emoções negativas, consideradas hostis, aquelas mais comumente perceptíveis nas pessoas que são extremamente apressadas, irritadiças, pouco amorosas, que tomam decisões somente na base do certo e do errado, que não dão prioridade aos seus afetos, são muito mais propensas ao infarto, mesmo tendo os triglicérides em níveis excelentes, o colesterol zerado e uma ótima forma física. E isto já está comprovado cientificamente.

O alerta que se faz aos profissionais da área da saúde e a toda população pode ser explicitado através dessa frase: “É importante que todo profissional da área da saúde veja seu paciente como um indivíduo composto de um total – corpo e alma – e que suas emoções estão diretamente relacionadas às doenças que aparecem. Do contrário ele não vai ajudar na cura do paciente. Ele simplesmente vai funcionar como um bombeiro, que apaga o incêndio, mas não trabalha na fiação que está em curto-circuito”.
Isto serve para as organizações (empresas e demais instituições) que também assumem (assim deveriam) um compromisso com a saúde do trabalhador, com os aspectos de psicohigiene que deveriam fazer parte das políticas implementadas na coletividade, no intuito de assegurar os resultados contratados.

Estamos na busca da felicidade instantânea ou constante?

Recentemente vimos na mídia a história de sucesso da escocesa Susan Boyle, inicialmente uma pessoa comum, mas que ficou mundialmente famosa por conquistar o Britains Got Talent, um show de talento da Inglaterra. A sua apresentação obteve sucesso instantâneo no websites de vídeos You Tube com mais de 100 milhões de acessos em dois meses! O seu testemunho nos dá uma lição valorosa na luta contra o preconceito: as aparências enganam! Seque o link da versão legendada em português no You Tube.

Nada contra esta conquista pessoal da Susan Boyle, pois todos nós temos este desejo de sermos conhecidos pelos nossos talentos, nossos trabalhos … ou seja, pelos nossos méritos! Mas quando tivemos a segunda notícia de que Susan Boyle tinha sido internada na clínica psiquiátrica por estar “emocionalmente esgotada”, após ter sido derrotada em um segundo show de talento por um grupo de street dance, comecei a refletir sobre estes dois momentos, a conquista e a derrota de Susan Boyle em um curto intervalo de tempo! Foi quando neste sábado passado tive a oportunidade de ler um artigo no jornal Zero Hora, da psicóloga britânica Linda Blair, discutindo os conceitos de felicidade instantânea e felicidade constante e o potencial devastador da pressão, por exemplo, a que pais podem submeter seus filhos ao levá-los a participar de programas de TV. Segue o link do referido artigo da Zero Hora.

A final de contas: estamos na busca da felicidade instantânea ou constante?

Aguardaremos os seus comentários!

Vítimas de si mesmo: uma escolha ou um destino?

Apesar da expressiva demanda para psicoterapia, nem todas as pessoas conseguem “finalizar” seu tratamento. Alguns pacientes tornam-se vítimas de si mesmo. Utilizo o termo “vitimização” com base na experiência profissional em relação a pacientes que se vêem vítimas de sua trajetória de vida (de suas próprias escolhas).

As “vítimas” geralmente apresentam um baixo limiar à frustração e pouca persistência na resolução de seus conflitos, o que as levam, invariavelmente, a interromper o tratamento antes mesmo de iniciá-lo. Minha experiência revela claramente quando o paciente tende a interromper seu tratamento já nas primeiras sessões. Ou seja, mesmo quando não apresenta nenhum transtorno psicoafetivo importante ou sintomas depressivos que possam revelar fatores orgânicos preponderantes, ou, ainda, um transtorno de personalidade que o levaria sistematicamente as tentativas de sabotagem no tratamento, a “vítima de si mesmo” geralmente se mostra apática e resistente, principalmente quando se trata de uma abordagem terapêutica que exige sua participação e um considerável investimento no alcance dos objetivos contratados.

Penso que os fatores culturais possam, também, contribuir consideravelmente para este quadro sintomático. Vivemos a era das respostas rápidas, extremamente objetivas e, muitas vezes, supérfluas, sem embasamento, mas que podem produzir um efeito acalentador. Mesmo sendo momentâneo, ou instantâneo este movimento leva as pessoas a buscarem “tratamentos” que prometem a cura para as dores da alma com o mínimo de esforço possível. Algumas práticas, inclusive, propõem às pessoas um pensamento mágico “levando-as” a acreditar que basta pensar a solução e, esta, virá como num passe de mágica.

Nunca vivemos tantas ofertas de cura como agora. Nessa sociedade líquida – denominação criada e utilizada pelo sociólogo polonês Zigmunt Bauman – a prioridade é a instantaneidade e a conseqüente liquidez dos laços sociais, tornando as relações efêmeras e superficiais.

Parece que estamos retornando a uma outra fase, já vivida. Na antiguidade, antes dos cientistas fazerem as suas primeiras grandes descobertas, no campo da medicina e depois em outras áreas, recorria-se aos curandeiros e às religiões na tentativa de curar as enfermidades, de aliviar dores físicas e emocionais. Depois, a ciência, na sua evolução, apresentou inúmeras ferramentas de trabalho e recursos imprescindíveis para a cura de determinadas doenças e males da humanidade através de uma tecnologia avançada que tomou conta do mundo e que, na atualidade, consegue oferecer tratamentos de grande relevância para a sociedade. Doenças que não tinham nenhuma chance de remissão, hoje, se mostram de fácil resolução para a medicina. Outras são controladas por medicamentos de ponta e tratamentos altamente eficazes.

Na área da Psicologia não foi diferente. Evoluímos e continuamos nesse processo de evolução. Porém, ainda me surpreendo com a oferta apresentada nesta grande “Indústria da Cura” que propõe tratamentos milagrosos. Àqueles que você lê o anúncio da propaganda, que promete resolver todos os seus problemas sem que você tenha o mínimo de participação no processo de melhoramento e de evolução. Infelizmente, através da disseminação deste pensamento mágico, nossa sociedade acaba por alimentar um “falso self”, uma falsa identidade.

Assim, as “vítimas de si mesmo” se vêem à margem da evolução do conhecimento e da tecnologia. Alguns, com escassos recursos internos, não encontram outra saída que não seja ser “apanhado” nessa teia do encantamento, da sedução e da manipulação. Aliás, característica marcante de uma sociedade perversa como a nossa que propõe a ilusão e a conseqüente negação da realidade como uma saída plausível para todos os males da humanidade. Talvez seja por isso que muita gente (muita gente mesmo!) se mata em tantas Guerras Santas. Talvez porque não seja possível manter os olhos (da alma) abertos por muito tempo.

Continuando … O nosso lugarzinho … mesmo que seja pequeno … a nossa casa!

Continuando o post / artigo anterior, sobre o “nosso lugarzinho” … recebemos de uma amiga de Santa Cruz do Sul / RS, a Jeane Raquel Reis, uma imagem de um outro quadro de madeira … deve ter demandado “horas e horas” de pesquisa na “rede”!

Segue a imagem:

A tradução é seguinte: O homem precisa de um lugarzinho, mesmo que pequeno, do qual ele possa dizer: “Veja aqui, isto é meu” Aqui vivo, aqui eu descanso, aqui é minha moradia, aqui eu estou em casa.”

Muito obrigado, Jeane!

Agora, falta somente localizar um artesão para criar a “obra-prima” e colocar em um lugar de destaque em nossa casa!